Cogumelos comestíveis da floresta amazônica

Numa visita ao Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM), conheci, por acaso, a doutora Ceci Sales-Campos, pesquisadora do Laboratório de Cultivo de Fungos Comestíveis, do Departamento de Tecnologia e Inovação local. Ela falou, com exclusividade ao Tudo al dente, sobre os belos fungos, que, em breve, devem chegar à mesa nacional. Leia a seguir trechos da entrevista com a pesquisadora.

Quais são os fungos comestíveis descobertos Amazônica?
Há na floresta cerca de 23 fungos com potencial alimentar, entretanto alguns ainda estão classificados apenas ao nível de gênero ou mesmo de família. Os mais importantes são os do gênero Cantharellus; Agaricus; Pleurotus (Pleurotus ostratusPleurotus ostreatoroseus) [foto abaixo]; Lentinus (Lentinus strigosus) [foto mais abaixo]; Auricularia (Auricularia auricularia-judae). Além da comestibilidade, possuem propriedades nutracêuticas.

Quando foram descobertos? Foi sua equipe que os descobriu?
Muitos foram descobertos na década de 70, com a equipe do Dr. Prance, botânico que atuou no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), naquela época. Atualmente, o grupo que lidero “Produção de Fungos Comestíveis a partir de resíduos agroindustriais na Amazônia”, juntamente com outras instituições parceiras está dando continuidade à descoberta e na identificação taxonômica das espécies. A Dra Maria Aparecida de Jesus, taxonomista do grupo, vem contribuindo para a coleta e identificação das espécies. A construção do Laboratório de Cultivo de Fungos Comestíveis, do Inpa, vem possibilitando a domesticação de espécies selvagens e avaliação do potencial nutricional e biotecnológico.

Qual o sabor destes fungos? São alimentos nutritivos?
A maioria tem sabor do cogumelo Pleurotus ostratus  (Shimejii ou Hiratake), cogumelos cultivados comercialmente e mundialmente conhecidos. São de alto valor nutricional. Duas espécies por mim estudadas revelaram alto valor nutricional por apresentarem elevados teores em proteínas, fibras, carboidratos metabolizáveis, baixos teores em lipídios e reduzidos teores em calorias. Um alimento, portanto, rico em proteínas e de baixo teor em lipídios, essenciais a nutrição e à saúde humana.

Acredita que um dia possam chegar à mesa nacional, como ocorreu com o açaí, o cumaru, entre outros produtos da floresta?
Sim, pois além das características nutricionais, possuem propriedades nutracêuticas e o mundo atual busca cada vez mais uma alimentação saudável.

Atualmente sua equipe trabalha para que estes fungos se reproduzam fora do seu ambiente natural. Como andam as pesquisas? Qual a importância desta etapa do projeto?
Sim, é neste sentido que trabalhamos, com a domesticação das espécies e avaliação do potencial nutricional. Já conseguimos domesticar duas espécies em escala piloto. O que falta é um pouco mais de investimento em P&D e o reconhecimento da importância deste alimento, de grande reconhecimento na Ásia, Estados Unidos, Europa e ultimamente com interesse no Brasil.
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