A chef pimentinha

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Conheci Edir Nascimento numa tarde de 2001. Ela trabalhava no restaurante que se chamava Restaurante, em São Paulo, e eu, num jornal, na mesma cidade. Precisava entrevistar uma chef e a escolhi de forma aleatória. Meses depois, fui jantar nesta casa, hoje extinta, e passei horas falando com a cozinheira, que conhece na pele as raízes da culinária brasileira.
Edir nasceu no seio de uma tribo, no Mato Grosso, onde começou a cozinhar para os irmãos, ainda menina, enquanto os pais saíam para trabalhar. Acabei criando um laço de amizade com a chef, que apelidei de “pimentinha”, devido à sua sinceridade. Viajei com ela a Paris (onde ela cursou a escola Cordon Bleu) e, tão próximos ficamos, que cheguei a fazer sua assessoria de imprensa, em determinado período. Acompanho sua carreira – que é primorosa – há mais de uma década. Neste tempo, ela lançou dois livros de receitas, em coautoria com a empresária Lucia Faria, chefiou a cozinha do Alucci Alucci, até abrir uma casa de massas frescas, o 339 Gastronomia, seu sonho. Segue nosso bate-papo.

Quais ingredientes mais tem gostado de trabalhar neste momento?
A mandioca, a banana, o milho, o feijão, a batata, alecrim, alho, pimentas variadas. São alimentos versáteis, substanciosos.

Qual ingrediente nacional mais tem a cara do Brasil?
A mandioca, a cana de açúcar… mas pensando melhor, são muitos os produtos que têm a cara do País.

Certa vez, você me disse que na tribo da qual vem sua família se comia onça. Poderia contar esta história?
Eram os colonos que moravam na beira do rio Piriguará (MT) que comiam onça. Eram nossos vizinhos. No geral, os povos indígenas costumam endeusar alguns animais, entre eles, a onça e o veado. Mas me lembro bem dos nossos vizinhos preparando onça. Ficava impressionada com o ritual, eles assando o animal inteiro. É uma cena que nunca mais saiu da minha memória.

Como surgiu a ideia da ‘marmitinha chique’, que você serve na sua empresa de gastronomia?
Percebi que muitos clientes que compravam massas especiais para festas começaram a pedir comida diária, algo mais descontraído, mas ao mesmo tempo muito bem cuidado. Assim comecei a criar marmitas com ingredientes como magret de pato, vitela, entre outros produtos delicados. O nome ‘marmitinha chique’ foi uma brincadeira que acabou  pegando.

O que deve ter uma boa massa?
Em primeiro lugar, bons ingredientes, farinha de boa qualidade. Com farinha ruim não se faz nada bom. Além disso, a massa deve ter leveza, textura, deve ter cor bonita. Se for feita com gemas, deve ser amarelinha. O recheio deve ser leve, discreto. Uma boa massa deve ser servida quentinha, isso abre o apetite até dos que não gostam de comer. É incrível, mas tem gente que não gosta de comer.

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