Novidades do Salão do Chocolate de Paris

lucas_corazza

Lucas Corazza é chef confeiteiro – um dos melhores da sua geração -, que trabalha o produto de forma a criar belas esculturas (veja foto abaixo). Também é apresentador do programa A Confeitaria, do canal Bem Simples. Neste bate-papo, ele levanta novidades do salão do chocolate da capital francesa, que visitou dias atrás. Fala também de suas inspirações e de seus mestres. Não perca!

Qual a grande novidade que você viu no Salão do Chocolate de Paris, este ano? A presença de grandes nomes do universo da confeitaria estavam presentes: Sadaharu Aoki, Pierre Herme, Jaque Genin, Pierre Marcolini. Todos em prol deste ingrediente maravilhoso que é o chocolate. O mais curioso é pensar que não era essa a novidade ou o tema central do que acontecia ali. Além da final europeia do World Chocolate Masters – no primeiro dia do evento, e o qual o Brasil também enviará um participante a ser definido em fevereiro -, o que tinha de curioso era a forte presença de produtores de chocolate de outros continentes. O Brasil estava bem representado, com um grande estande e a presença de Diego Badaró (chocolate Amma), assim como de outros produtores de cacau. Países do continente Africano, famoso por seu fruto de excelente qualidade – como São Tomé e Príncipe -, estavam representados. Inclusive a Ásia, onde a profissão de confeiteiro cresce a cada dia, estava presente. Conversei com os representantes de cada país e aprendi muitas coisas boas. Foi quando me dei conta do que era a maior novidade do lugar: a pluralidade. O evento estava preocupado em valorizar os produtores de cacau e estreitar os laços entre os produtores e a indústria da confeitaria. Sei que não é surpresa, mas a iniciativa de incluir esses países e levar a feira para outros lugares, além de tornar a cultura do chocolate acessível, também estimula o enriquecimento profissional e abre as portas para um novo destino do chocolate. No evento falou-se muito a respeito da importância do fair trade e da necessidade de fortalecer a cultura artesanal que existe na colheita e beneficiamento do cacau. Fora os aspectos “políticos”, a pluralidade invadiu também as prateleiras. Combinações com o maracujá, o cajá com avelãs, o cumaru com baunilha e outros ingredientes demonstravam na minha boca a importância dessa troca de conhecimento. Se tivesse que eleger, no aspecto comercial, uma grande novidade, seria a forma de vender produtos. Demonstrando a clara intersecção entre o design e a confeitaria, estão preocupados em fazer embalagens simples e que valorizem seu produto, ao mesmo tempo em que representem a “coleção” daquela estação.

Como avalia a doçaria brasileira de hoje? A doçaria no Brasil passa por um grande momento de transformação. E há espaço para todos os tipos: norte americana, portuguesa, francesa, brasileira. Tenho muito carinho pelo meu ramo, a confeitaria. E aqui aceitamos de braços abertos todas as invasões gastronômicas. Possuímos grandes expoentes e nomes internacionalmente reconhecidos, cada qual na sua expertise (ora modelagem de pasta americana, ora confeitaria francesa). Isso é um reflexo da busca constante por atualização e conhecimento que os profissionais brasileiros têm. Os sabores, texturas e a rusticidade de nossa doçaria são parte de nossa cultura e estão impressos na forma que encaramos os doces. Acredito que o Brasil tem muito a mostrar a respeito da produção de doces e muitos novos sabores serão descobertos pelo mundo quando isso acontecer.

Quem são seus mestres confeiteiros? Jean-Michel Perruchon, Pierre Hermé e Oriol Balaguer são os profissionais que mais impactaram minha formação.

Para quem faria o melhor bolo de chocolate do mundo? Ok, essa pergunta é pegadinha… algo como a “escolha de Paris”. Poxa, o melhor bolo de chocolate do mundo eu faria para o Andy Warhol. Pode parecer estranho, mas sua compreensão do pop influência diretamente meu trabalho e sua vida (a qual acompanho por meio de biografias e filmes) me surpreendem. Além disso, ele tinha um gosto estranho por comida, e eu adoraria o desafio.

Qual o melhor chocolate do mundo? Na minha opinião, o melhor chocolate do mundo é o que te agrada, podendo ser um Sonho de Valsa ou um Godiva. Mas, se tivesse que eleger um seria o Callebaut. A empresa está presente em diversos países e seu chocolate tem características organolépticas muito boas. Aroma, cor, brilho e textura são de excelente qualidade. Sua acessibilidade também é um ponto positivo, pois tem preço competitivo e resulta num produto não apenas de bom sabor, mas também acessível.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s