A comida e as histórias

 

A primeira vez em que vi Marta Barbosa foi, há quase cinco anos, numa tarde de inverno, numa praça de Paraty (RJ), durante o festival de gastronomia da cidade. Ela portava óculos escuros grandes, vestia-se sóbria e elegantemente, com uma roupa de grávida. Trocamos algumas palavras, enquanto esperávamos o chef Claude Troisgros, para uma entrevista coletiva.

Fui encontrá-la mais de um ano depois, já com a Júlia – sua filha -, no colo. Era o começo de uma amizade dessas bem gostosas. Jornalista (das boas), Martinha é editora-chefe da revista Prazeres da Mesa – a mídia de gastronomia mais influente do País -. Ainda é crítica literária e escritora inédita em livro. A seguir sua entrevista.

O que mais te atrai no trabalho com o jornalismo gastronômico?
Gosto de contar história, gosto de trabalhar a palavra – essas são minhas motivações de trabalho. Como jornalista, já cobri outras áreas culturais e até economia, o que muda na cobertura gastronômica é que este é um tema literalmente gostoso. Amo cozinhar, comer e beber vinho, e me sinto uma grande sortuda em poder fazer isso tudo enquanto trabalho. A melhor parte do meu atual emprego (há quase cinco anos sou redatora-chefe de Prazeres da Mesa) é quando posso viajar. Amo viajar a trabalho, amo viajar para comer, beber e conhecer pessoas – e depois escrever a respeito. Isso é muita sorte na vida.

De que menos gosta?
Essa é uma área pouco pautada pelo profissionalismo. Sei que muito da crítica gastronômica do país parte de relações pessoais, e acho isso bem triste. Morro de vergonha quando vejo “repórter” se trocando por um jantar, uma viagem ou uma batedeira.

Qual a experiência mais inusitada, envolvendo gastronomia, teve desde que começou este trabalho?
Puxa, já comi muita coisa estranha por ai. Minhas viagens de trabalho nem sempre são de luxo e conforto, tem muita roubada. Tenho como lema provar tudo que outra pessoa me ofereça dizendo “eu como isso”, mas não foi legal comer gafanhoto numa banquinha de rua de Joanesburgo, por exemplo.

Já que também é escritora e critica de literatura, poderia indicar um livro que tenha presente o tema da culinária?
“Conforte-me com maçãs”, de Ruth Reichl. Aliás, todos dela. Adoro a forma que ela descreve um sabor.

Falando em literatura, você tem um livro de contos inéditos em que “jantares” é um tema recorrente. Quando vai publicá-lo?
Adoro sua pergunta porque me empurra, mas não acho que o livro está pronto, não. Preciso alcançar o ponto final primeiro. Mas sim, a literatura é meu eixo, para onde quero voltar.

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