Festa de Babette, com vista para o mar do Recife

Flávia de Gusmão é crítica de gastronômica do Jornal do Commércio (Pernambuco). Exerce a profissão há 25 anos. Cronista das boas, ela publica no mesmo jornal, semanalmente, a coluna “sexo@cidade”, desde 2000. Há pouco tempo, parte das crônicas foi reunida num livro homônimo, em que a autora assunta, com muito humor, sobre os amantes do nosso tempo, moda, sexualidade, viagens, etiqueta e, claro, gastronomia. Segue sua entrevista.

Como você analisa o crescente interesse pela culinária pernambucana?
Há mais ou menos 15 anos, alguns chefs pernambucanos começaram a construir uma nova identidade culinária a partir das tradições de seu Estado. Esta base resultou, ao mesmo tempo, numa valorização das raízes mais profundas desta gastronomia e numa saudável busca por novas afirmações. O trabalho incansável desses pioneiros gerou frutos, foi reverberado pela mídia local, alcançou a mídia nacional e o que vemos agora – esse interesse crescente – é a fase da colheita. Os anos 90, não por acaso, serviram como incubadora para a renovação da música, do cinema, das artes plásticas etc, de Pernambuco para o Brasil. A gastronomia está inserida neste contexto.

O que mais lhe atrai no movimento gastronômico local?
A criatividade e o famoso espírito de “brodagem”, como definimos por aqui o companheirismo e a solidariedade.

E o que menos lhe atrai?
Os preços galopantes e, muitas vezes, despropositados.
Qual seu sonho gourmet ainda não realizado?
Reproduzir um sentimento semelhante ao da “A festa de Babette”, o filme. Reunir pessoas em torno da mesa e proporciona-lhes a refeição de suas vidas.

Se tivesse que citar cinco pratos que tenham a cara da gastronomia brasileira, quais seriam?
Feijoada, vatapá, peixada pernambucana, tutu à mineira e churrasco.

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