O café gourmet no Brasil

Maria Carolina Freire é arquiteta e foi produtora de moda, até se tornar cafeicultora e mudar-se para a pequena cidade de Jacutinga (MG). Após um ano à frente da fazenda Santo Antonio, que é da sua família há quase 200 anos, resolveu criar uma marca própria. Surgiu o Café da Condessa, uma homenagem à avó paterna, descendente de condes e barões. Conforme diz, a marca foi criada, pois ela achou chato trabalhar com commoditie, sem interagir com as pessoas. Ela desenhou a logomarca do novo café, a embalagem, leva o produto a laboratórios para fazer o laudos, acompanha a separação do café nas peneiras, enfim, está presente em etapa… até a venda. Segue sua entrevista.

Quais as boas-novas do café gourmet produzido hoje no Brasil?
Hoje o café tipo Gourmet tem público brasileiro para apreciá-lo e consumi-lo. Quando a Nespresso transformou o produto em artigo de luxo, abriu as portas para outras marcas também. Antes era 100% exportado e hoje conseguimos manter uma pequena parcela disso por aqui.

A indústria cafeeira nacional está passando por um bom período?
A indústria sim. O café é a segunda bebida mais consumida no mundo. Só perde para a água. Mas essa é uma informação que envolve todos os tipos de café classificados. Tipo: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8. A maioria do café comercializado no Brasil é tipo 5-6, 7-8. O mercado dos cafés gourmet é apenas 1% do mercado total. Já a produção de café é outra história. Os produtores passam por vários tipos de problemas. Enquanto o preço do café na gôndola nunca muda o produtor lida com as oscilações da bolsa, pois seu produto é comercializado em commodities. Fora que a natureza é uma caixinha de surpresas. O manejo pode ser excelente o ano todo, mas se chover na colheita o café fica fermentado, entre outros percalços.

Onde tem sido produzidos os melhores cafés do País?
Os cafés do tipo arábica sempre foram os mais valorizados, mas hoje conseguimos ter uma produção de conillon que é considerada muito boa. Os cafés que são colhidos no modo “hand picked” são considerados melhores do que os colhidos de forma mecanizada, porque a plantação é inclinada. Os pés de café tomam sol quase por inteiro. Mas existem excelentes cafés que foram colhidos de forma mecânica. De modo geral, os pés de café devem ser plantados acima de 1000 m de altitude. Acima dessa altitude temos outro tipo de clima que propicia a produção dos cafés de terroir.

E o seu café, o que você diria sobre ele?
A plantação foi feita pelos meus antepassados. Os pés de café foram plantados acima de 1000 m de altitude, na face leste do morro, o que faz com que receba o sol da manhã acompanhado de uma suave brisa. Ali você encontra a floresta que ajuda a circulação natural da água pelo solo, assim sendo, não é necessário o uso de irrigação artificial. O Café da Condessa é 100 % arábica, colhido no método hand-picked, tem o CAD – corpo, acidez e doçura equilibrados e é tipo 1-2. Possui nuances de amêndoas que são decorrentes das características do terroir onde cultivamos nossos cafezais.

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