Docinhos sem açúcar: uma surpresa para o paladar

 
Arquiteta e artista plástica austríaca, Judith Augustinovic tem uma pesquisa sobre o espaço e o corpo no trabalho do carioca Ernesto Neto. Depois da defesa da tese em Viena, instalou-se no Rio de Janeiro. Problemas de saúde forçaram-na a uma mudança na alimentação, sobretudo, no costume de comer doces. “Melhor dizendo, era viciada em doces, um hábito que trazia desde a minha tenra infância, pois, na Áustria, a gente come muito doces (strudel, knödel, schmarrn etc.) e até como prato principal em algumas refeições. Faz parte da nossa cultura, tomar ‘kaffee und kuchen’ como lanche na konditorei ou em casa.” Ela conta que foi uma mudança radical não ingerir mais açúcar refinado nem farinha branca, nada que produzisse acidez no estômago, buscando uma alimentação mais equilibrada, mais alcalina.
A partir de uma necessidade física, ela resgatou as bolinhas energéticas da Áustria (flocos, castanhas, mel e frutas secas) e assim, fundou a no Rio a doçaria Sissi, em 2009. “Foram mais de três anos, criando, experimentando, provando, pesquisando em livros e me aconselhando com nutricionistas e especialistas em alimentação natural, até chegar aos doces sem açúcar e/ou qualquer aditivo químico que hoje confecciono artesanalmente”, diz. Leia abaixo sua entrevista sobre a sua produção, que é deliciosa.
 
Quais os bombons que têm feito nos últimos tempos?
Eu os chamo de bem bom’s. São feitos sem açúcar refinado ou adoçante, sem conservantes artificiais, sem glúten, sem lactose, e … são muito gostosos. Os ingredientes são basicamente frutas secas ou desidratadas, castanhas e especiarias. A forma se refere aos famosos brigadeiros daqui e das trufas da Áustria. Bolinhos enrolados e cobertos. Continuo criando sabores, sempre buscando melhorar o que já faço. Agora, existe uma linha inspirada nos doces austríacos: os deliciosos apfelstrudel, marillenknödel e powidltascherl, além de uma linha de cacau: gengibre, Laranja, Cocos, Cachaça Magnífica e uma frutada: Noz-Banana, Figo, entre outros.
 
Como chegou a estes sabores?
A maior parte dos sabores vem de lembranças de aromas e sabores da minha infância, da minha vontade de comer certas lambarices, na busca de um sabor diferenciado; de sentir um gosto que vai além do doce, mais sofisticado e equilibrado. Basicamente, faço uso da minha intuição aliada à curiosidade de experimentar e amalgamar sabores da Áustria e do Brasil. Utilizo nos doces o mesmo processo de criação que utilizo como arquiteta e design de objetos, ou seja, procuro inovar dentro daquilo que já é conhecido, considerando as possibilidades e a disponibilidade dos frutos da estação.
Na Áustria, existe uma manufatura de chocolate que, depois de 20 anos, ainda surpreende com receitas novas, tais como: torresmo com nugá, maçã e cenoura com gengibre que são uma delícia. Essa referência também me influencia muito, misturar o imprevisto e criar uma explosão de sabores no paladar. Algumas vezes pode não dar certo, mas vale a pena tentar. Além disso, procuro sempre encontrar um equilíbrio nas sensações do sabor que busco.
 
Quais são as novidades que pretende criar?
Como já tenho uma linha inspirada na Áustria, faltam os sabores “exóticos” do Brasil. Estou louca para experimentar, criar, misturar e trabalhar com as frutas próprias daqui. Adoro açaí, cupuaçu e jabuticaba. Quero voltar a usar flores também. No momento, só uso hibisco, que me agrada muito por sua acidez. Eu gosto muito de frutas ácidas e acho que combinam muito bem com doce. Já fiz várias produções com flores de origem austríaca, mas por questões burocráticas ainda não é possível importá-las. Mas também gosto de aproveitar da variedade, ou melhor, da “riqueza” daqui, e preciso pesquisar ainda mais e intensificar os discursos com os nutricionistas e os biólogos, pra achar o que procuro. O meu sonho é poder trabalhar um dia com vários tipos de cacau, aproveitando seus sabores específicos e os acentuando.
 
Quais as melhores frutas nacionais para se fazer bombons?
No momento, me apaixonei por abacaxi da Bocaina na confecção dos bem bom´s. Quando os uso, não sobra nada na sacola, por que como sempre o resto. O doce e o ácido ao mesmo tempo é gostoso, equilibrado. Frutas secas ou desidratadas nacionais de boa qualidade ainda são difíceis de encontrar, por que não existe cultura de produzi-las aqui no Brasil. Na história do país nunca houve a necessidade de armazenar alimentos para o inverno como na Áustria. Eu sou ainda dessa geração, a minha família teve esse hábito de armazenar frutas e legumes.
O próximo investimento da Sissi será um forno pra secar frutas e aproveitar a riqueza das frutas do Brasil.
 
Poderia dar uma receita (simples) de um de seus produtos, para nossos leitores fazerem em casa?
Bem bom de Cacau
5 partes Amêndoas
1 parte Cacau
5 partes (ou mais, se você quer mais doce) Tâmara: Processá-los até virar um mousse
Sugestões:
Sabor laranja: casca de laranja, ralada fino
Sabor gengibre: gengibre, ralado fino
Sabor coco: coco ralado fino, molhado com salpico de vinagre de maçã e/ou rum
Ralar as amêndoas, quase virando farinha, misturar bem o cacau com um garfo, adicionar as tâmaras, amassando com as mãos até virar uma massa homogênea e fina. Formar bolinhos como de brigadeiro e enrolar com cacau, coco ralado ou amêndoa ralada.
Guardar na adega ou na geladeira.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s