60 anos do La Paillote

 
O nome do restaurante, que em português significa “cabana”, inspirou a decoração rústica da primeira casa, fundada em 1973, pela costureira francesa Marie-Antoinette Docher Valluis, no bairro paulistano do Ipiranga. No novo endereço, nos Jardins, agora comandado por Aline Sophie Valluis, bisneta da fundadora, a ambientação lembra os pequenos restaurantes do interior da França, com mesas espalhadas pelo salão e mezanino, quadros com paisagens daquele país e louças com toque vintage. Segue a entrevista da Aline sobre esta casa que é um paradigma da culinária francesa no Brasil.
 
Poderia contar alguma curiosidade do restaurante, que remeta ao seu início, há 60 anos?
Quando a minha bisavó saiu da França e veio para o Brasil com o marido, o prato principal era rãs à provençal. Mas foi um fiasco. Àquela época, o brasileiro não tinha o hábito de comer essa carne. Ele, então, começou a testar outras carnes à provençal. Assim surgiu o camarão a provençal, no cardápio até hoje, um sucesso de pedidos. Outra curiosidade é a criação da Marjolaine (torta gelada de chocolate, chantilly, avelã e castanha). O meu avô, quando veio da França para ajudar no La Paillote, criou essa receita exclusiva. Passou-a apenas para o meu pai, que é quem produz a sobremesa hoje na casa dele, lá no Ipiranga. É um processo totalmente artesanal e manual, desde o preparo até chegar ao restaurante.
 
Quais são os pratos que estão no menu há muito tempo, além do camarão à provençal?
Trabalhamos com o camarão e a Marjolaine há pelo menos 55 anos. O primeiro corresponde a 90% dos pedidos do salão. Às vezes, costumo dizer que vou mudar o nome do restaurante para “Camarão”, porque é como as pessoas chamam a casa. A Marjolaine também é um sucesso. Apesar de ser a única sobremesa que oferecemos, ela poderia ser pedida por falta de opção, mas recebo clientes aqui que almoçam em outro restaurante, mas vêm aqui só para comer a sobremesa.
 
Hoje, qual a cara da gastronomia francesa em São Paulo?
São Paulo tem um polo gastronômico diversificado. Encontramos desde a cozinha francesa mais clássica, como a que oferecemos aqui no La Paillote, passando pela cozinha de chef renomados, como o Jacquin, Bassoleil, mas há aqueles que se arriscam com as modernidades. Acho que a cidade, hoje, tem uma gastronomia francesa “fusion” (ítalo-francesa, por exemplo). Há ainda casas inspiradas na culinária francesa, sem ser, necessariamente, clássica na execução, nos ingredientes e nas receitas.
 
Quais ingredientes franceses dos quais não abre mão na hora de cozinhar?
Gosto de usar a manteiga francesa, porque não é tão rançosa. Também gosto das ervas de Provance, que são feitas aqui, mas com técnica francesa.
 
Quais os ingredientes nacionais dos quais mais gosta de usar?
Camarões! O litoral brasileiro é muito rico é dá bons frutos. Considero os do sul os melhores.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s