A noite e as cervejas

Evandro Amidani, do Boteco Freguesia, é apaixonado pela noite e por cervejas. Aqui ele fala de seu novo empreendimento, do seu antigo bar, o Anhanguera, entre outros assuntos. Segue o nosso bate-papo.   


Você é publicitário de formação. O que leva um publicitária a abrir, primeiro, um bar voltado apenas para cervejas artesanais brasileiras e, agora, um boteco que pretende homenagear os antigos armazéns, que deram origem aos antigos botecos de São Paulo, na Vila Madalena? Paixão pela noite?
A resposta para a pergunta é simples: paixão, que é o grande motivo que, na minha opinião, deveria mover o mundo. Sempre gostei do clima do boteco, da alegria, da descontração, do papo furado, da liberdade e, claro, da cerveja e da gastronomia simples e saborosa. De outro lado, vem a paixão pela criatividade, pelo conceito, pelo lúdico. Portanto, poder juntar estas duas paixões numa única empreitada é sensacional e faz deste desafio um grande prazer.

O Anhanguera foi um sucesso de crítica. Por que fechou? Pretende um dia trazê-lo de volta?
O Anhanguera foi um sucesso porque trouxe ao público algo quase desconhecido até então, que foi ter acesso e conhecer cervejas de alta qualidade e ainda por cima produzidas por cervejeiros artesanais brasileiros. Foi um grande desafio quebrar os paradigmas de um público que se julga conhecedor de cerveja, que é fiel a marcas como ao seu time de futebol. Mostrar que há muito mais a ser explorado neste universo e que o que se tinha como padrão de qualidade é, na verdade, o contrário, infelizmente, não é um trabalho com resultado que se obtém a curto prazo. E foi este o motivo pelo qual o Bar Anhanguera fechou. Atualmente, quase três anos após o fechamento, a cerveja premium já começa a fazer parte da realidade do brasileiro. Brasileiras e importadas convivem e se proliferam pelos supermercados, sites que entregam rótulo em casa para degustação e bares da cidade. Quem sabe, não pode ser um bom momento para a volta do Anhanguera? E quem sabe, voltar com a proposta de ensinar a fabricar cerveja além de beber?

Você acabou se transformando em um expert em cerveja artesanal brasileira. Pode dar uma lista das melhores no mercado, hoje em dia?
Não posso dizer que acabei me transformando em um expert em cerveja artesanal brasileira. Acho que o correto seria dizer um apreciador, ou um conhecedor. Aprendi muito sobre o assunto, mas estou longe dos profissionais que realmente conhecem e vivem o processo extremamente detalhado e complexo da fabricação da cerveja. Atualmente, muitas novas cervejas premium brasileiras foram lançadas e ainda não conheço, mas poderia citar, sem medo de errar, que entre as melhores cervejas nacionais estão a Bamberg, a Colorado, a Wäls e a Falke.

Uma boa cerveja artesanal combina com que tipo de prato (de petisco)?
Combina com todo tipo de prato, basta saber harmonizar o estilo ao prato. Uma cerveja de trigo por exemplo combina com pratos leves, como uma salada por exemplo. Uma cerveja Red Ale vai bem com carnes, cervejas escuras combinam com grelhados e uma Stout pode, inclusive, acompanhar uma sobremesa à base de chocolate.

O cardápio do seu novo bar, o Boteco Freguesia, traz as biritas de pelo menos 50 anos atrás, como Rabo de Galo, Bombeirinho. De onde vem esse saudosismo?
O saudosismo vem do conceito. Um boteco, por conceito, deve apresentar coisas simples e muito saborosas. Não há necessidade de rebuscar, de inventar, mas, sim, de caprichar.  No caso destas biritas, acho difícil dizer que são saborosas…rrss. Na verdade, elas fazem parte do folclore nacional, representam a simplicidade da alma do boteco, da bebida forte e barata pra animar a conversa e precisa existir, assim como a estante atrás do balcão do bar, o espaço apertado das mesinhas, o chopp bem tirado, o queijo cortado em cubos pra ser comido com palito de dente.

O que sugere no cardápio do Freguesia?
Para comer, uma receita inusitada e simples: balotine de fígado, que é uma releitura da guimirella trazida pelos imigrantes italianos, uma porçãozinha de linguiça curada ou um queijo reino fatiados representam bem a qualidade e o sabor da tradição do boteco. E para beber, nada como o bom e velho chopinho gelado e cremoso acompanhado de um shot de uma boa cachaça, como quebra gelo, ou a brasileiríssima caipirinha, que pode vir repaginada com frutas tropicais.
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