Sotaque francês

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Ao longo de quase 20 anos de profissão, o chef Wagner Resende é conhecido por sua dedicação e suas técnicas da cozinha francesa. Desde o ano passado, ele vem imprimindo um estilo contemporâneo ao cardápio do Chef Rouge, em São Paulo. O Tudo al Dente falou com ele:

Quais foram as principais mudanças no cardápio do Chef Rouge, desde que começou na casa?
Mantivemos os pratos tradicionais, mas alteramos algumas apresentações, deixando-os mais leves, com todos os produtos frescos que chegam diariamente, peixes,  carnes e ervas.

Quais são os clássicos que não pode tirar do cardápio?
Steak tartare, steak poivre, poulet framboise (foto) e canard à l’ orange.

Poderia contar alguma história curiosa sobre um desses clássicos do restaurante?
Tem uma cliente muito querida, que é frequentadora assídua do restaurante. Ela só pede pratos clássicos divididos, como num menu degustação.

Quais os próximos menus que vai lançar?
Ainda é surpresa, mas sempre dependo dos ingredientes. Atualmente, estamos fazendo um cardápio especial de trufas negras, um lote único que chegou da Itália, quantidade limitada. Quem sabe um menu com lagosta viva ou alcachofras…

Qual a sua percepção da gastronomia francesa em São Paulo?
Percebo que hoje as pessoas frequentam mais e gostam bastante da culinária francesa. Os valores estão mais acessíveis. Alguns clássicos estão adaptados aos temperos e condimentos brasileiros.

Serviço: tel.: (11) 3081-7539 (Jardins) e (11) 5181-8749 (Shopping  Morumbi)
 

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Carbonara de chef

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O molho carbonara é um dos mais tradicionais como acompanhamento de uma massa untuosa, um dos mais fáceis também de se fazer em casa. Sua origem é bastante discutida. Há quem fale que o nome deriva dos carbonari, trabalhadores das minas de carvão na região da Umbria, que davam toque final com pimenta preta, que se parecia carvão moído. Conforme o chef Carlos Bertolazzi existe ainda outra versão, na qual o molho teria sido inventado durante a segunda guerra por soldados americanos em solo italiano, que teriam misturado bacon e ovos à pasta.
Originalmente o prato leva pancetta não defumada, queijo Pecorino Romano, que pode ser trocado por Grana Padano ou Parmigiano Reggiano e ovos, que dão o sabor definitivo à receita.
Há ainda quem use creme de leite no molho. Bertolazzi diz que, na Itália, é raro se comer um carbonara com creme. “Mas o ingrediente facilita a obtenção da cremosidade típica do molho. Há ainda receitas rápidas que levam creme de leite, bacon e ovos”.
Para se fazer o molho, basta misturar gemas batidas ao queijo Pecorino, pimenta preta moída a gosto e pancetta cortada em cubinhos dourada na frigideira. Alguns chefs paulistas passaram, porém, a criar molhos diversos, acrescentando limão, cebola caramelizada, cubos de aspargo e até pastrami.
A massa mais utilizada é o espaguete, mas a receita pode ser feita até com nhoque. Veja  a seguir receitas de alguns chefs, da mais tradicional a mais inventiva.
Carlos Bertolazzi
“Quando tinha uns 10 anos, via meu pai sempre quebrar ovos sobre a massa saída do cozimento. Achava que esse era seu grande segredo. Certa vez, ao preparar um espaguete ao sugo, não tive dúvidas, quebrei um ovo sobre a massa no final. Ficou ‘incomível’. Foi assim que descobri que o ovo ia bem somente no carbonara. Na minha receita, uso pancetta, ovos, queijo e pimenta moída.”
Receita do chef
(Serve 3 porções)
150 g de guanciale ou pancetta
350 g de espaguete
100 g de pecorino ou parmesão ralado
 1 ovo inteiro
4 gemas
2 colheres de sopa de Azeite extra virgem
Sal
pimenta
Modo de Fazer
Cortar a pancetta em cubos e fritar na frigideira com um pouco de azeite até que fique bem crocante. Em uma tigela bater as gemas e ovo e adicionar o queijo ralado e a pimenta moída. Cozinhar a massa até que esteja al dente. Colocar a pancetta na tigela junto com os ovos e o queijo. Escorrer a massa e transferir para a tigela mexendo para misturar bem e dar cremosidade. Sirva imediatamente.
Soraia Barros
Se a receita tradicional leva queijo pecorino, a casa decidiu usar parmesão, por ser menos salgado. A chef Soraia Barros não usa creme de leite na sua massa. Ela prefere dar liga à gema cozinhando-a num caldo de frango, manteiga e parmesão. “Quando era criança, minha mãe fazia o que chamávamos de ‘carbonara de pobre’, com bacon e ovos inteiros, que ficavam grudados na massa, como um macarrão chinês. Só depois fui desenvolver a massa que sirvo hoje no restaurante, com as gemas cozidas em caldo e pancetta”.
Receita (Soraia barros)
Serve 4 pessoas.
Ingredientes
400 g de spaguetti
200 g de pancetta cortada em tiras finas
50 g de manteiga sem sal
Caldo de frango, suficiente (e/ou caldo da cocção da massa)
125 g de parmesão ralado (ou pecorino, ou meio a meio)
7 a 8 gemas de ovo caipira (dependendo do tamanho)
sal
pimenta do reino preta moída na hora
Modo de preparo
Em uma frigideira dourar as tiras de pancetta, começando com a frigideira fria. Quando quase douradas, acrescentar a manteiga e, finalizar a cocção adicionando caldo de frango suficiente para incorporar a massa. Em outra panela com água abundante, fervente e salgada, cozinhar a massa 2 a 3 minutos a menos do que prescrito na embalagem. Sua cocção finalizará na emulsão do molho. Escorrer a massa e despejá-la sobre a frigideira com a pancetta, já no fogo. Envolver a massa. Fora do fogo, acrescentar o parmesão ralado e saltear, até envolver o queijo. Acrescentar as gemas, saltear novamente, e voltar ao fogo baixo. Cozinhar até formar um creme consistente e saboroso. Acrescentar mais caldo se necessário. Para servir, colocar queijo ralado na hora, um fio de azeite extra virgem e ceboulette cortada finamente.
Ivo Lopes
O chef faz uma recriação da massa tradicional, acrescentando cebola caramelizada ou então cubinhos de aspargos. “Além disso, uso os ingredientes tradicionais, a pancetta, o queijo parmesão e ovos. Prefiro não usar creme de leite, acho que o prato fica pesado”, diz o chef.
Receita (Ivo Lopes)
Serve 2 pessoas
80 g de espaguete
30 g de cebola caramelizada
30 g de pancetta curada em curada
2 gemas de ovo
2 gramas de pimenta calabresa
3 folhas de sálvia
100 g de queijo parmesão ralado
60 g de manteiga sem sal
Modo de preparo
Cozinhar a massa por 8 minutos. Enquanto isso, caramelizar a cebola em fatias finas com uma parte da manteiga em fogo baixo até dourar. Em outra frigideira, dourar a pacetta, a sálvia e pimenta calabresa, depois juntar o restante da manteiga, o queijo, as gemas, a cebola e pancetta. Colocar 50 ml de caldo de legumes e emulsionar o molho á massa. Servir quente.
Alexandre Romano
Mesmo que a casa seja conhecida pela variedade de massas frescas, o chef Alexandre Romano faz o carbonara com o espaguete seco. “Do contrário corre-se o risco da massa grudar no molho e o prato ficar grudento”. De resto, ele faz uma receita tradicional.
Receita (Alexandre Romano)
Ingredientes
 Serve 4 porções
400 g de espaguete
8 gemas de ovo
120g de parmesão ralado
50 g de pancetta em cubinhos
Modo de preparo
Puxar a pancetta numa frigideira, até que fique dourada e reservar. Cozinhar a massa, enquanto isso, fazer uma emulsão com as gemas e o queijo. Misturar rapidamente à massa quente, com um pouco da água da fervura. Adicionar a pancetta dourada e servir imediatamente.

Fartura à mesa

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Com cardápio farto e acento italiano, além de boa seleção de cervejas, a Birreria La Legione é um dos novos botecos de São Paulo que valem a visita.  Os sócios Denis Takenaka, Eduardo Vitelli e Luciano Longano dizem que a ideia surgiu a partir do sucesso do Ciao! Vino & Birra – dos mesmos donos – e do rápido crescimento que o bairro do Ipiranga vem apresentando. Conversamos com Denis Takenaka. Leia a seguir:

Pelo que tenho percebido, bons estabelecimentos têm aberto as portas fora do eixo Jardins-Itaim. É tendência?
Não sei se é tendência, apenas estamos apostando em outras regiões, que são carentes de serviço e comidas boas. Claro que optamos por uma região em expansão, de classe média alta. Com a lei seca, as pessoas procuram lugares mais próximos às suas casas.

Poderia falar sobre a sua casa? Ou melhor, como você a definiria em uma ou duas linhas?
A Birreria La Legione é um bar de temática italiana, tanto na cozinha como na decoração. Procuramos inspirações na Itália e nos especializamos em cervejas artesanais nacionais e importadas. Praticamos um serviço despojado, porém, muito cordial.

Quais são os pratos que serve?
Temos desde antipastos e bolinhos à saladas e panines. Temos também sugestões quinzenais: criamos pratos especiais para o jantar, como o medalhão grelhado ao molho de gorgonzola com polenta cremosa e redução de aceto balsâmico e o filé de frango recheado com tomates marinados e mussarela de búfala, empanado servido com  ravióli de mussarela ao pomodoro e rúcula.

Poderia falar das cervejas que tem no lugar?
Somos focados no mercado de micro cervejarias nacionais, gostamos de desenvolver esse mercado esse é o nosso foco. Metade do nosso cardápio é de cervejarias nacionais. Mas também temos importadas de excelência, algumas são artesanais e outras de cervejarias de porte médio. É possível não só viajar pelas cervejarias do mundo, como experimentar quase todos os tipos e estilos de cerveja existentes.

E sobre a gastronomia italiana em São Paulo, qual o seu ponto de vista?
Somos uma terra de imigração maciça de italianos, a cultura está nas raízes da população de São Paulo. Qualquer restaurante de PF possui algum prato de origem italiana. A cidade tem melhorado muito no sentido de sair das clássicas cantinas e pizzarias e apostar em lugares não só contemporâneos, de cozinha muito moderna. Você também encontra receitas de raiz camponesa, do interior, embora, nesse caso, seja mais difícil conseguir os produtos regionais e, os que chegam, acabam sendo mais caros.

Serviço: Tel.: (11) 2935-6669

 

 

O vinho de A a Z

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A Jornalista Jezebel Salem e o chef francês Christian Formon acabam de lançar o “Dicionário Gastronômico – Vinho com suas Receitas”, livro dedicado aos amantes do vinho e da gastronomia. Para criá-lo, Jesebel realizou extensa pesquisa sobre a história do vinho e reuniu textos com verbetes de A a Z. O volume  também apresenta 20 receitas de drinks, pratos salgados e sobremesas feitas com vinho, que foram elaboradas por Formon.

“O livro parte de um enfoque sintetizado, funcional, sobre o complexo universo do vinho, abordando seus principais tópicos, por meio de palavras-chaves, para se conhecer o essencial (e também o extraordinário) sobre a bebida das uvas, procurando oferecer conhecimentos nos níveis cultural, técnico e não menos poético. Afinal, boa parte da alma do vinho, é pura arte”, dizem os autores.

A obra possui estilo claro, preciso, harmonizando os muitos pontos da história, cultura e geografia dos vinhos, em um projeto editorial de fácil compreensão, graças ao formato dicionário. “O leitor também poderá se deleitar com toda a beleza que acompanha os rituais desta bebida – do plantio ao serviço do vinho”, diz Jesebel.

Ligia Karazawa em carreira solo

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Se antes dividia a cozinha do Clos de Tapas com o chef espanhol Raúl Jiméne, agora  Ligia Karazawa lança novo menu, em carreira solo. A ideia é fazer pratos de mais sotaque espanhol, como diz a chef. Para isso, alterou mais de 70% do cardápio.

O novo menu traz cinco seções:  “tapas para compartilhar”, com pratos que fazem sucesso desde a abertura da casa, como a cenoura cremosa de foie gras,  um rosbife com salsão e pérolas de mostarda, entre outros.

Na seção “para começar” há mexilhões ao chardonnay e chips de cará com legumes da estação grelhados e fettucine de pupunha, entre outros.

Nos pratos principais as novidades são pratos maiores, que chegam a mesa para serem compartilhados, como a caldeirada de robalo, camarão rosa, batatinhas e amêndoas, fideuá de peixe do dia, lula e vieira com açafrão, o arroz valenciano (caldo com frango caipira e coelho). Servem duas pessoas. Eu provei o fideuá (foto) e o arroz valenciano, ambos delicadíssimos, uma delícia.

A quarta seção é o menu “autoral”, que traz seis pratos fusion em que aparecem a cultura brasileira ao ado da espanhola. Custa R$ 150.

As sobremesas estão divididas em “chocólatras”, “da infância” e “conceituais”. amante do chocolate, provei alfajor, doce de leite, bolinho de chuva e chocolate ao leite. depois, comi ainda fettucine de mandioquinha doce com compota de tomate, prato lúdico como só a Ligia sabe fazer.

Por falar em lúdico, alguns clássicos da casa continuam no cardápio, como a cestinha de legumes (foto). A casa traz um menu do Meio-dia (R$ 48, de segunda à sexta) e R$ 65 (sábados e feriados), com entrada, principal e sobremesa.

Serviço: tel.: (11) 3045-2291

 

O sal é um dom

 
flor de sal é um produto coletado na camada superior das salinas. Trata-se de uma camada delicada, texturizada, recolhida com um rodinho, de forma artesanal. Esse ingrediente tornou-se muito apreciado nas rodas gourmets. Uns anos atrás, o mais famoso vinha da Bretanha, na França. Hoje, vários lugares o retiram, inclusive o Brasil, onde passou a ser recolhido pela Cimsal, do Rio Grande do Norte. Conversamos sobre o ingrediente com Roberto de Freitas, gerente da empresa.
 
Como e quando tiveram a ideia de retirar e comercializar a flor de sal?
A ideia surgiu a partir do momento que acreditamos que no Brasil era possível investir em alta gastronomia. Um parente nosso, que mora no sul da França, precisamente na região de Guérand, sempre comentava conosco sobre a flor de sal produzida naquela região. Então, foi quando recebemos dele uma pequena quantidade do produto, apreciamos, adoramos. Fomos para a França conhecer o processo de perto. Com isso, trouxemos o know-how para testarmos a viabilidade produtiva em nossas salinas. Não deu outra. No ponto! A única diferença da nossa flor de sal das europeias é que a nossa é secada puramente ao sol, já que eles secam em estufas e possuem poucos meses para a colheita.
 
Poderia contar alguma história curiosa relativa a este processo?
O processo de produção e colheita é 100% artesanal, desde a produção até o envase. A cada 80 quilos de sal comum, há uma proporção de apenas 1 quilo de flor de sal Cimsal. Somos o primeiro e único do Brasil, assim como o maior produtor de flor de sal do mundo. Nossa produção é feita durante nove meses do ano, enquanto na Europa apenas três meses.
 
Onde é possível encontrar a Flor de sal Cimsal hoje?
O produto está disponível em todos os Estados do Brasil, facilmente encontrado em lojas gourmet, mais conhecidas como delicatessen, empório, boulangerie e redes de supermercados, tais como o Pão de Açúcar.
 
Como foi a ideia de criar a embalagem de presente – caprichada – para o produto?
A ideia veio a partir de networking vivenciado com clientes, parceiros, chefs, jornalista, blogueiros, críticos, enfim, gourmands que sempre colaboraram com o crescimento do produto no Brasil. Achamos por bem reconhecer parceria e incrementar nosso produto para assim presentear e marcar presença.
 
Poderia sugerir aos leitores uma receita rápida e fácil que leve flor de sal?
Brigadeiro com flor de sal Cimsal, receitas são do chef Pedro de Artagão, do restaurante Irajá Gastrô, no Rio de Janeiro.
Ingredientes:
1 litro de leite condensado
100 g de chocolate amargo 60% cacau
25 g de manteiga sem sal
10 g de flor de sal Cimsal

 

Modo de fazer:
Misture todos os ingredientes (com exceção do sal) e cozinhe até soltar dos lados.
Depois sirva em colher com uma pitada do sal.
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Novo cardápio

O Bar Numero acaba de lançar novo cardápio com criações exclusivas do chef Victor Vasconcellos e do barman Derivan de Souza. O menu, bastante diversificado, traz aperitivos e pratos simples e outros um tanto sofisticados. Os novos coquetéis do premiado barman, mantém seu padrão excelente e prometem fazer os clientes quererem esticar a noite. Falamos com o chef. Leia a seguir.
Entre os pratos novos, quais são os destaques para noites frias de outono/inverno?
Pastela de parma com San Danielle e Empanado de Azeitonas com chèvre.
 
Se tivesse que sugerir harmonizações dos novos pratos com drinks da casa, quais seriam elas?
Sauté de cogumelos com Martini wasabi; pastella com burrata com lyx fresh (foto); Pedrinho hot dog com cuervo caramel e crostine de chèvre com rataouille e lyx mojito, entre outras.
 
A coxinha de vocês é elogiada. Qual o segredo do salgado? 
Fresquíssima, a coxinha é feita com ingredientes de primeiríssima qualidade e frita na hora.
 
Poderia falar sobre o menu de caviar da casa?
Utilizamos caviar Petrossian que é reconhecido internacionalmente. A latinha fica a disposição do cliente. Os pratos são: ovo mexido e torradinha de brioche ou lâminas de vieira do pacifico (entrada); tagliolini com fromage blanc ou ravióli de lagosta e molho holandaise (principal). O preço varia de acordo com a semana, mas custa em média R$ 450,00 e serve até 2 pessoas.
 
Quais os pratos são o grande sucesso da casa?  
Em primeiríssimo lugar, a coxinha. Depois, o estrogonofe, prato muito saboroso, que, desde o início da casa, é um hit. É feito com filé mignon de raças britânicas, paprika húngara e molho rôti.
Serviço: Bar Numero, tel.: (11) 3061-3995
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No centro da cultura Yawanawá

Para chegar à tribo Yawanawá, no Acre, a chef Ana Luiza Trajano, do Brasil a Gosto, viajou seis horas de avião para Rio Branco, dez de ônibus para Tarauacá e sete de lancha voadora, rio Gregório adentro, para se encontrar no centro da cultura desse grupo indígena do Norte.
A partir dessa semana, ela surpreende os amantes da cultura nacional (e da boa mesa), ao lançar um cardápio totalmente indígena. “A inspiração para o novo menu veio após minha  experiência na aldeia Nova Esperança”, diz. “Nos vinte dias que passei ao lado desses povos, vivenciei  o dia a dia, a rotina, costumes e hábitos culinários, uma riqueza que resultou em diversos pratos agora servidos no restaurante”, diz a chef.
Acostumada a visitar os rincões do Brasil em busca da nossa cultura original, Ana se emocionou ao conhecer esses povos do Norte, que a recepcionaram entoando cantos, vestidos de palhas e Keñes (grafismos), feitos com tinta de urucum e jenipapo. “A sensação de surpresa e emoção se misturou ao cheiro da resina sagrada queimando no centro da roda dançada, no terreiro do cacique, num ritual de purificação para espantar a energia da cidade”, conta Ana Luiza.
Para conhecer melhor a cozinha do Povo da Queixada, tradução de Yawanawá para o português, a chef contou com a ajuda de sua xará, a índia Ana Luiza e Marizete, outra índia adotada como a dinda da equipe, que a cada dia preparava uma comida diferente, entre elas o tradicional Wutã, feito com paca e banana verde.
A paca e outras caças são o prato principal na cultura desses índios caçadores, assim como a mandioca, o milho, a banana, a caiçuma, bebida à base de fermentado de mandioca e os moqueados de peixes. Todos esses itens fizeram parte de um banquete preparado pela dinda em sua casa, servidos em cumbucas de barro dispostas em folhas de bananeira.

 

Nas várias conversas com os integrantes da tribo, a chef aprendeu que as mulheres devem ser prendadas, cozinhar bem e ter uma voz doce para cantar e os homens, estes devem ser fortes, trabalhadores e excelentes caçadores.

Servido até o mês de outubro, o menu traz bolinho de banana com pirarucu desfiado (petisco), R$ 29;  creme de mandioca com queixada desfiada e milho crocante (entrada), R$ 39; pintado na folha de bananeira com pirão de peixe, ervas amazônicas e banana assada (peixe), R$ 73; paca no azeite de urucum com abacaxi grelhado e farinha uarini no tucupi. Para compartilhar entre 4 pessoas (carne) – R$ 360 e pudim de banana nanica com castanha do Brasil e beiju de tapioca (sobremesa), R$ 25. Tudo delicioso (O menu degustação sai por R$ 189. O mesmo, harmonizado, sai por R$ 220).

Um dos charmes do serviço são as louças exclusivas criadas para o menu pelas mãos da artista plástica Gisele Gandolfi, da Muriqui Cerâmicas, que ouviu relatos e viu muitas imagens sobre a viagem e experiências que a chef viveu na aldeia. O Pintado na folha de bananeira com pirão de peixe com ervas amazônicas e banana assada, por exemplo, é servido em grelha de galhos de goiabeira com prato de cerâmica abaixo da estrutura da grelha, decorado com textura que remete a pele de cobra.

Serviço: Brasil a Gosto, tel.: (11) 3086-3565

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Uma mesa para dois

Veja, a seguir, as nossas sugestões para o Dia dos Namorados:

Taça bem casado, Alucci Alucci

Alucci Alucci
O ambiente dessa casa que comemora dez anos este ano é bacana, lembra as casas do grupo
Costes. Sugestões: salada verde com salmão (R$ 39), lagostinha com cuscuz marroquino (R$75) e
molho agridoce ou escalope de vitela com spaguetinni ao molho de ervas (R$ 75) e trio de sobremesas para duas pessoas: taça bem-casado, brigadeiro e tuille com morango (R$ 36). A casa oferece ao
casal uma Chandon Baby. Tel.: (11) 3086-1252.
Antonietta Empório e Restaurante
O menu preparado pelo chef James Hollister consiste numa degustação em sete tempos usando ingredientes afrodisíacos e exóticos, num jantar à luz de velas. Filé de Robalo grelhado com laminas de erva doce e cebola roxa, gomos de tangerina, ovas de salmão, essência de tomate e brotos de coentro é um dos pratos. R$ 133 por pessoa. Tel.: (11) 3214-0079.
Baretto
Baretto
O menu oferecido é composto por entrada, prato principal e sobremesa pelo valor de R$ 670, por casal, incluindo couvert artístico, água mineral, duas taças do champanhe Perrier Jouët e café. Entre as entradas, destaque para o fagotino de filé mignon recheado de cogumelo “porcini”, com aspargos gratinados ao creme de parmesão. Principal: risoto com camarão, abobrinha e linguiça toscana. Sobremesa: torta opera de café com chocolate amargo, ao leite e branco e gratina de tangerina.Tel.: (11) 3896-4000.
Chef Rouge
Na unidade Jardins, o menu que inclui entrada, prato principal e sobremesa fica por R$ 210, por pessoa. As opções incluem ravióli de haddock ao molho azedinha; robalo ao molho de açafrão e erva doce e macarron ao champagne e framboesa. No Morumbi Shopping, o valor por pessoa é de R$ 140. Inclui terrini de alho poró ao vinagrete de mostarda; filet mignon ao molho bourguignone e sopa de morangos com sorvete de baunilha, entre outros. Tel.: (11) 3081-7539 e (11) 5181-8749.

Épice
Épice
O restaurante de cozinha contemporânea dos sócios Lara Ezzedine e Alberto Landgraf, a embaixada do champanhe Ruinart no Brasil, apresenta um menu degustação com abóbora e paleta de vitela, seguindo a premissa da casa de trabalhar sempre com os melhores e mais frescos ingredientes. Para acompanhar os pratos, uma garrafa de Ruinart Rosé. Preço sob consulta. Tel.: (11) 3062-0866.
Fasano
Primeira vez que a casa cria serviço especial para o Dia dos Namorados. Os cardápios têm combinações clássicas da casa, por R$ 390,00 por pessoa. No menu 1, por exemplo, tem couvert, salada de caranguejo do Alasca com massa fria, filé d enamorado com com batata, azeitonas e tomate e mirtilo ao gramanier com sorvete de nata, além de uma taça de champanhe e água. Tel.: (11) 3896-4000.
 
Parigi
O restaurante apresenta opções especiais, criadas pelo chef Eric Berland, para comemorar o Dia dos Namorados. O menu, servidos apenas na noite do dia 12, traz camarões grelhados com molho cremoso a base de champanhe e arroz (R$125) e confit pato com molho de laranja acompanhado de ravióli de batata e alho poró (R$ 85).Tel.: (11) 3167-1575.
Santovino
Propõe aos casais paulistanos uma viagem a Florença, Veneza, Roma e outras cidades românticas da Itália. O chef Paulo Kotzent criou um cardápio com sabores italianos inéditos. A experiência oferecerá um menu completo, com couvert, entrada, primeiro e segundo prato, e sobremesa, com duas opções de cada, por R$ 120 por pessoa. O casal também pode harmonizar a entrada, o primeiro e o segundo prato com vinhos da carta, por R$ 200 por pessoa, com três taças de vinho inclusas. Tel.: (11) 3061-1575.
Ceviche do Suri

Suri Ceviche Bar
Na Colômbia, país do chef Dagoberto Torres, é comum as cevicherias lotarem no Dia dos Namorados. Os casais vão atrás dos efeitos afrodisíacos produzidos pelo ceviche. Lenda ou não, o Suri seleciona três ceviches especialmente pensados para comer a dois. Um deles é o cartageneiro (R$ 24), muito tradicional nas ruas de Cartagena, no Caribe. Tel.: (11) 3034-1763.

 

Massa do 339 Gastronomia
Para levar para casa 339 Gastronomia
A casa de massas das chefs Ana e Edir Nascimento oferece pratos prontos, montados em embalagens descartáveis. 500 g de torteli de brie com pera ao molho de creme de leite fresco, sálvia e mel; 500 g de rosbife de filé mignon ao molho roti, acompanha legumes e mousse de coco com coco queimado (para 2 pessoas). Tudo por R$ 200. Tel.: (11) 3746-5415.
Jelly Bread
A doçaria aposta no clássico coração de chocolate para celebrar o dia. Criado pela chef patissière Amanda Lopes, os corações são feitos com chocolate belga meio amargo, e recheados com bombons sortidos (350g/R$ 29). Podem ser encontrados em duas versões – flocado (textura semelhante a um veludo) e liso. Disponíveis nas duas lojas da marca. Tel: (11) 3063-5596
 
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Sobre alimentos afrodisíacos…

Babiana Melo tem um restaurante chamado Bistrô Boulange, em João Pessoa (PB), em que cria comida franco-italiana, com alguns ingredientes brasileiros.Filha de boleira, cresceu dentro de uma cozinha, porém, segui outro rumo, decidindo ser médica, uma grande paixão. Depois de formada, no entanto, nunca conseguiu deixar as panelas.Com a vida estabilizada e filhos crescidos, chamou seu marido, Glauber Melo, para fazer faculdade de Gastronomia, já que ele também se apaixonou pela magia da cozinha. Ele topou. Além de boa cozinheira, ela desenvolve uma bela pesquisa sobre ingredientes afrodisíacos. Com a chegada do dia dos namorados, ela fala sobre esta pesquisa. Não perca?

Como começou a pesquisar alimentos afrodisíacos?
Como sou ginecologista e obstetra, me deparei com uma queixa constante das minhas pacientes, a diminuição da libido (diminuição de desejo sexual). E isso sempre me incomodou. O médico tem por princípio resolver todos os males do paciente, e como não existe um remédio milagroso para tratar este mal das mulheres, fui estudar os alimentos afrodisíacos.

Quais são os alimentos afrodisíacos que mais usa na sua gastronomia?
Existem vários alimentos com propriedades afrodisíacas, mas na verdade, afrodisíaco é tudo aquilo que desperta o desejo sexual, ou seja, tanto pode ser substâncias como também uma atitude. Inclusive esta matéria por si só, já tem um caráter afrodisíaco, pelo simples fato de falarmos sobre o assunto, isto já desperta de alguma forma este desejo. Dentre estes alimentos, os que mais usamos no nosso restaurante, são frutos do mar, especiarias, baunilha, chocolates, vinho etc.

Como esses alimentos agem no corpo?
O mar já tem um ar afrodisíaco. E tudo que vem dele é considerado afrodisíaco. A mitologia ligada à Afrodite, Deusa que nasceu de uma concha a partir da espuma do mar. Além disso, os alimentos providos do mar possuem substâncias que aumentam o fluxo sanguíneo nos órgãos sexuais o que melhora a ereção e lubrificação, gerando um desejo e um desempenho sexual melhor. Já as especiarias, principalmente as ervas, baunilhas, estimulam pelo o aroma de frescor. Até a indústria cosmética usa em seus cremes a essência de baunilha, a sensação de fresco e bem estar é afrodisíaco. O chocolate tem a capacidade de liberar neurotransmissores como a serotonina que dar a sensação de bem estar, e o princípio básico para melhorar nossa libido é estarmos bem consigo mesmo. Já o vinho tem os taninos que melhoram os vasos sanguíneos melhorando o fluxo de sangue para os órgãos sexuais e consequentemente a lubrificação vaginal e ereção. Além do álcool, nos deixando mais relaxados e mais propensos aos desejos adormecidos.

Há alguma história curiosa sobre algum deles?
Tenho uma história engraçada. Nosso restaurante não tem como proposta ser uma casa de comidas afrodisíacas, mas temos em nosso cardápio pratos que com ingredientes que atingem este objetivo, aliado ao ambiente do restaurante, inspirando romantismo e aconchego. Certa vez já era fim de noite e só havia um casal no salão, então o garçom saiu do salão para ir à copa e deixou-os sozinhos, quando retornou encontrou o casal numa cena picante. Lembrando que os mesmos tinham provado um destes pratos afrodisíacos, harmonizado com um belo vinho. Acho que faz efeito.

Se tivesse que fazer um prato afrodisíaco para a presidente Dilma, qual seria?
Um prato para nossa querida Dilma, com certeza seria o camarão do chef (ela tem uma vida estressante, precisa de um momento para relaxar). É um prato refrescante, leve. É composto de camarões (já explicado as suas propriedades afrodisíacas), açafrão, pimenta (esta aquece o corpo por estimular a circulação sanguínea), coentro (que é uma erva extremamente refrescante e o aroma desperta a libido), creme de leite (melhora a saúde da vagina), e por fim o espaguete de palmito pupunha ( o palmito pelo seu aspecto fálico remete ao órgão sexual masculino e o simples fato de pensar ou imaginar, pode estimular o desejo sexual). Acompanhado de um bom vinho a escolher na nossa carta. E de sobremesa o tradicional petit gateau, que é pura serotonina, em virtude do chocolate, e o nosso, modéstia a parte, é sensacional.
Serviço: Bistrô Boulange: https://www.facebook.com/bistroboulange
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