No centro da cultura Yawanawá

Para chegar à tribo Yawanawá, no Acre, a chef Ana Luiza Trajano, do Brasil a Gosto, viajou seis horas de avião para Rio Branco, dez de ônibus para Tarauacá e sete de lancha voadora, rio Gregório adentro, para se encontrar no centro da cultura desse grupo indígena do Norte.
A partir dessa semana, ela surpreende os amantes da cultura nacional (e da boa mesa), ao lançar um cardápio totalmente indígena. “A inspiração para o novo menu veio após minha  experiência na aldeia Nova Esperança”, diz. “Nos vinte dias que passei ao lado desses povos, vivenciei  o dia a dia, a rotina, costumes e hábitos culinários, uma riqueza que resultou em diversos pratos agora servidos no restaurante”, diz a chef.
Acostumada a visitar os rincões do Brasil em busca da nossa cultura original, Ana se emocionou ao conhecer esses povos do Norte, que a recepcionaram entoando cantos, vestidos de palhas e Keñes (grafismos), feitos com tinta de urucum e jenipapo. “A sensação de surpresa e emoção se misturou ao cheiro da resina sagrada queimando no centro da roda dançada, no terreiro do cacique, num ritual de purificação para espantar a energia da cidade”, conta Ana Luiza.
Para conhecer melhor a cozinha do Povo da Queixada, tradução de Yawanawá para o português, a chef contou com a ajuda de sua xará, a índia Ana Luiza e Marizete, outra índia adotada como a dinda da equipe, que a cada dia preparava uma comida diferente, entre elas o tradicional Wutã, feito com paca e banana verde.
A paca e outras caças são o prato principal na cultura desses índios caçadores, assim como a mandioca, o milho, a banana, a caiçuma, bebida à base de fermentado de mandioca e os moqueados de peixes. Todos esses itens fizeram parte de um banquete preparado pela dinda em sua casa, servidos em cumbucas de barro dispostas em folhas de bananeira.

 

Nas várias conversas com os integrantes da tribo, a chef aprendeu que as mulheres devem ser prendadas, cozinhar bem e ter uma voz doce para cantar e os homens, estes devem ser fortes, trabalhadores e excelentes caçadores.

Servido até o mês de outubro, o menu traz bolinho de banana com pirarucu desfiado (petisco), R$ 29;  creme de mandioca com queixada desfiada e milho crocante (entrada), R$ 39; pintado na folha de bananeira com pirão de peixe, ervas amazônicas e banana assada (peixe), R$ 73; paca no azeite de urucum com abacaxi grelhado e farinha uarini no tucupi. Para compartilhar entre 4 pessoas (carne) – R$ 360 e pudim de banana nanica com castanha do Brasil e beiju de tapioca (sobremesa), R$ 25. Tudo delicioso (O menu degustação sai por R$ 189. O mesmo, harmonizado, sai por R$ 220).

Um dos charmes do serviço são as louças exclusivas criadas para o menu pelas mãos da artista plástica Gisele Gandolfi, da Muriqui Cerâmicas, que ouviu relatos e viu muitas imagens sobre a viagem e experiências que a chef viveu na aldeia. O Pintado na folha de bananeira com pirão de peixe com ervas amazônicas e banana assada, por exemplo, é servido em grelha de galhos de goiabeira com prato de cerâmica abaixo da estrutura da grelha, decorado com textura que remete a pele de cobra.

Serviço: Brasil a Gosto, tel.: (11) 3086-3565

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