Como será a mesa brasileira no futuro?

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Já parou para pensar em como vai ser a gastronomia brasileira no futuro? A comida vai ser transformar em espuma, cápsulas ou então vai ser em pó, como a que astronautas levam para o espaço? O pesquisador Roberto Smeraldi e o chef José Barattino, do restaurante Emiliano, em São Paulo, pararam para refletir sobre o tema e chegaram a conclusão de que nada disso descrito ocorrerá. “A comida vai ficar cada vez mais cara, então vão aparecer novos produtos provindos da cultura de extração”, diz Smeraldi. Ele exemplifica: “Há 10 anos, ninguém imaginava que o açaí teria o sucesso popular de hoje. Nesta linha de pensamento, acredito que muitos produtos serão descobertos nas florestas tropicais, encrementado a mesa nacional”, diz. O pesquisador cita outro exemplo: “Há cinco anos não se falava em chocolate com porcentagens diferentes de cacau, quinua ou bottarga”.

 

Barattino observa que, com o aumento do preço da carne, a distinção entre cortes de primeira e segunda acabará. “A sociedade vai desperdiçar menos alimentos, assim é  possível que se aproveite cada partezinha de um boi, para citar um exemplo, língua, fígado, tripas, cérebro etc, tudo vai ser consumido”, diz. “Por enquanto, o Brasil é um país que desperdiça muita comida”.

 

A dupla acredita que a mesa brasileira se voltará cada vez mais para as raízes da culinária nacional, explorando a alimentação regional, e, a partir daí, criando novos pratos. “Um grande problema, num futuro próximo, vai ser a provisão de proteínas. Acho que haverá valorização de queijos de pequenos produtores, de feijões diferentes, e de peixes de água doce, como os da Amazônia (na foto, mercdo de peixes em Belém do Pará). Só de feijões, o Brasil tem mais de 20 tipos diferentes”, diz Barattino.

 

O chef Thiago Castanho (foto), do Pará, acredita que a valorização de peixes de água doce já é um fato no País. “Na última década, produtos da mesa da região Norte ganharam os paladares do povo brasileiro. Muitos deles eram usados, até então, apenas pelo povo indígena. São sementes, raízes, folhas, frutinhas, e peixes os mais diversos”, diz o chef. “Todos estes produtos precisam da nossa proteção, de leis que regulem a extração”, complementa Smeraldi.

 

Ele acredita que restaurantes terão um papel fundamental de fomentadores de técnicas e descobertas para as mesas nacionais. “Assim como a internet e os meios de comunicação, que vão difundir técnicas para o consumidir de casa”, finaliza.

 

 

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