O café do Sul de Minas

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Esses dias, a convite da Nespresso, conheci fazendas de café de Carmo de Minas, no sul do estado, em meio às montanhas da Mantiqueira. É nesse lugar que a marca suíça compra o ótimo grão que comercializa com o nome de Dulsão do Brasil, um puro Arábica brasileiro, blend de cafés Bourbon vermelho e amarelo.

A região é bonita; no inverno, a paisagem é cálida, tem a tranquilidade que, nos dias de hoje, vale ouro. O café é plantado nas encostas de montanhas e vales, algumas com mais de mil metros de altitude.

Adalberto Andrade (Candinho, como é chamado pelos amigos) é contador de histórias da região, um craque sobre o mundo do café. Ele nos acompanhou primeiramente na visita à fazenda Sertão. A sede foi construída em 1891, época de ouro do café da região, que fica nos vales da Estrada Real, que liga os rincões de Minas ao litoral nacional.

Enquanto a van de jornalistas e do pessoal da Nespresso cortava as estradas de terra, nas encostados dos morros, Candinho contava algumas das curiosidades do local, assim como da paisagem. “As casas azuis e brancas que vemos nas encostas são dos colonos. Muitas são coladas umas nas outras, pois, ao se casarem, alguns filhos constroem seus lares ao lado da casa dos pais”, disse ele. “Aliás, as casas têm essas cores, pois remetem ao tempo do Brasil Império. Eram as únicas cores disponíveis para os moradores caiarem suas residências.”

Em meio aos cafezais repletos de cafés Bourbon amarelo eis que aparece uma capela, mostrando um pouco dos costumes locais. Um pouco mais a diante, uma construção anuncia uma escola rural. “As crianças estudam na roça até os nove anos, depois vão para cidade, Carmo de Minas ou São Lourenço (cidade próxima à Carmo).”

O contador de histórias também sabe curiosidades do mundo do café. O transporte, de repente, para numa encosta de plantação e ele mostra os grãos adocicados aos jornalistas. “Sabiam que as mulheres são chamadas para recolher o café, com suas próprias mãos, sem o auxílio de máquinas?”, ele pergunta. Depois completa: “Como o café está nas encostas das montanhas, esta é a única forma de extração. Não seria possível a colheita de forma mecanizada. A escolha das mulheres deve-se ao fato de serem mais delicadas.”

Conheci apanhadoras que moram no lugar desde que nasceram. Uma delas, Eva Souza da Silva, diz que sua mãe já trabalhava na colheita e que sua avó também. “Falam que as mulheres são chamadas por causa das mãos leves na hora de mexer com os grãos”, ela diz, com sorriso estampado no rosto. “Cada uma delas tira 1 quilo de café em pó por dia, das plantações, em média. Na época de colheita, entre o outono e o inverno, mais ou menos 60 delas trabalham no campo. Fico sabendo que elas ganham seis vezes mais do que o habitual de uma plantação, mas o café deve ser colhido maduro, bonito, para que cada xícara do nosso cafezinho seja no mínimo perfeita”, diz o contador. Ele observa que cada saca de 60 litros rende em média dez reais para aquela que faz a colheita. “Muitas colhem dez sacos por dia”, conta.

Candinho diz que uma xícara pequena de café (30 ml) tem em média 50 grãos. Cada uma dessas xícaras deve trazer a harmonia de um bom café, com seus açúcares, aromas, óleos essenciais e sabores. “Quando pensamos no café plantado na região, imaginamos o cliente final bebendo uma xícara, com o sorriso estampado no rosto”, diz, também sorrindo.

O café local possui Indicação de Procedência. Cultivado de acordo com normas da Nespresso, atendem a padrões ecológico e de bem-estar dos apanhadores, que possuem área para alimentação no meio das plantações, banheiros químicos, entre outros elementos que asseguram o direito de trabalhador.

Candinho fala que entre as tantas curiosidades do lugar estão os “causos” das terras do interior. “Eles são tantos, que não consigo me lembrar de nenhum para contar agora”, diz ele, entre risos. Depois emenda: “Aqui todo mundo conta ‘causos’. Uma outra curiosidade: todo mundo tem apelidos. Tem o ‘Vem Chuva’, o ‘Dito da Toca’, o ‘Cabrito’, o ‘Carneiro’, que é irmão do ‘Cabrito’”, diz. “Todos cheios de ‘causos’ sobre a região.”

Ele leva os jornalistas para conhecer o Sítio da Torre, propriedade rural de onde sai o saboroso café Catuaí Amarelo, também usado pela Nespresso no seu Dulsão do Brasil. “São cinco mil pés nessa fazenda”, diz Candinho.

Nesse lugar, somos chamados a ver uma colheita, onde encontro José Benedito dos Santos (foto no começo da matéria), morador local, que trabalhava abanando o café em peneiras. “É preciso ‘banar’ bem. Só ganhamos comissões quando o fiscal percebe que estamos ‘banando’ bem o café, que vai para a usina sem folhas, sem terra, sem cabos, apenas os grãos maduros”, conta ele, que trabalha 44 horas semanais e que, conforme diz, tira um bom dinheiro na época de colheita.

Ainda nessa fazenda, soube que a torrefação dos grãos vermelhos e amarelos é feita de forma separada, garantindo a harmonia e o equilíbrio do café comercializado pela Nespresso. O pessoal da marca diz que isso garante a intensificação das notas doces de mel e cereais maltados. Nesse lugar, pude ver os grãos secos ao sol junto à mucilagem, a parte nutritiva da polpa que envolve os grãos, que oferece mais doçura ao café.

Na usina de torreifação observei que parte do café é levemente torrada, para revelar notas doces, enquanto outra parte passa por uma torrefação mais longa, a fim de equilibrar o blend. Um dos charmes da viagem foi contar com máquinas Nespresso, com cafezinho sempre fresco, quentinho e saboroso, para que sentíssemos no paladar e no olfato tudo o que era explicado pelos especialistas.

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