Tudo al Dente lança campanha “Por um chocolate melhor!”

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Outro dia, comprei um chocolate no supermercado – um considerado bom – e, ao provar, percebi que na barra havia açúcar, gordura e gosto de baunilha artificial. Chocolate passava longe! Fiquei decepcionado e, mais, me senti enganado. Era um dos chocolates de que mais gostava na minha infância.O que aconteceu com os chocolates vendidos no Brasil? Você já se perguntou? Ouvi falar que, de fato, os chocolates não estão tão bons quanto os de antigamente. A indústria, hoje, pode chamar de chocolate qualquer barra com uma porcentagem mínima de cacau. É uma nova regulamentação. O Tudo al Dente lança uma campanha pelo bom chocolate! Vamos entrevistar, nas próximas semanas, pessoas que produzem a iguaria, chefs, vendedores, importadores, degustadores e amantes…. A ideia é ajudar o leitor a identificar um bom chocolate, seja em barra, em sorvete, em pó, em bolos e doces. Para começar, veja o que tem a dizer Diego Badaró, criador dos chocolates AMMA, da Bahia.

Como estão os chocolates nacionais hoje, na sua avaliação?
Vejo as marcas nacionais investindo muito em marketing e nada em pesquisa e qualidade. O despertar da consciência sobre os aspectos ambientais, sociais e sensoriais ligados ao cacau de qualidade ainda é bastante incipiente, e há marcas que até já usam esse discurso, sem no entanto adotá-lo na prática do dia a dia.

Porque a maioria dos chocolates vendidos no País – de forma geral – são tão ruins? O que poderia ser feito para que isso mudasse?
Por falta de informação, e pela propagação de grandes equívocos, como a ideia de que chocolate belga é sinônimo de qualidade. A indústria prega, os chefs dizem amém e o público aceita, quando via de regra estamos falando de chocolates produzidos a partir de cacau da mais baixa qualidade, com custos reduzidos e qualidade pífia. Isso em um território pretensamente elitizado, na parcela do mercado que supostamente busca qualidade elevada. Se olharmos para os produtos mais acessíveis, vemos itens com tais quantidades de açúcar e gordura vegetal hidrogenada, que nem mesmo deveriam ser chamados de chocolate. A associação do chocolate somente a um prazer imediato, desvinculado de sua matéria-prima principal e de aspectos sócio-ambientais, tende a prolongar essa situação. Para mudar isso, os canais formadores de opinião (imprensa e chefs de cozinha e confeitaria, nomeadamente) precisam começar a se questionar quanto à forma como os alimentos são produzidos, desde a matéria-prima, em vez de repetir à exaustão um discurso que pertence à grande indústria.

O que um bom chocolate deve ter? Ou como deve ser o bom chocolate?
Um bom chocolate deve ter bom cacau, em teores que mostrem toda sua riqueza e complexidade aromática. Deve ser manufaturado de modo a evidenciar as características que a natureza e a pós-colheita já imprimiram às amêndoas. Sem precisar de maquiagens, como aromas artificiais, torras excessivas, açúcar em excesso. Deve ter brilho, derreter gradualmente na boca, e persistir no paladar por longos e deliciosos minutos.

Se fosse para explicar, por escrito, para um público leigo, sobre o bom chocolate, o que falaria para que as pessoas parem de comprar gato por lebre, ou seja, porcarias disfarçadas de chocolate?
Em primeiro lugar, leiam a lista de ingredientes com atenção, sempre. Os itens são listados em ordem de quantidade na composição. Se o açúcar estiver em primeiro lugar, fuja. Se houver muitas palavras difíceis de reconhecer, como termos científicos impronunciáveis, melhor deixar pra lá. Aromas artificiais só são usados quando os naturais são desagradáveis ou inexistentes, então evite. Busque saber como se produz chocolate, desde o cacau até o tablete que repousa nas prateleiras do supermercado. E questione o que diz a embalagem, porque às vezes elas são pensadas justamente para desviar a atenção da realidade. Depois de comprar, deguste com calma: sinta se está doce demais ou equilibrado; se derrete muito rápido ou trava na língua; quais são os aromas e sabores encontrados ali. Preste atenção no que está ingerindo, e naturalmente seu paladar será treinado.

Poderia falar sobre o cacau em pó (foto) que está comercializando no País?
É um produto que chega para suprir uma forte demanda: cacau puro, sem adição de qualquer outro ingrediente, orgânico e de origem controlada. Os produtos disponíveis no mercado são compostos, em que cacau é apenas um dos ingredientes, muitas vezes em teores abaixo de 10%. É bom para quem está em dietas com restrições de açúcar, para cozinhar (tanto doces, quanto salgados: funciona muito bem em molhos, combinado a especiarias), para bebidas matinais realmente saudáveis.

Serviço: http://www.ammachocolate.com.br  

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