A fotografia na gastronomia

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Giuliana Nogueira, fotógrafa especializada em gastronomia, usou sua formação de psicóloga para traduzir a história de sete chefs de cozinha por meio de fotos, em sua primeira exposição “Histórias de sabores”, que estreia no sábado, dia 14, das 12h às 14h30 (vernissage).

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Entre os nomes presentes estão Andres Kotler (Tea Connection), Dagoberto Torres (Suri), Arthur Sauer (Baby Beef Jardins), James Hollister (Antonietta Empório & Restaurante), Flávio Miyamura (Miya), Alexandre Leggieri (Cannoleria Casa di Dante) e Marco Renzetti (Osteria del Petirosso).

A ideia da fotógrafa é revelar a cozinha de cada chef. “Além de seguir um estilo pessoal, a culinária de cada um também é um uma trajetória de vida, de uma personalidade”, conta ela. A exposição fica em cartaz de segunda à sexta, 15h às 21h; sábado, 9h às 13h. Rua Frei Caneca, 1071 (Cannoleria Café Casa di Dante), em São Paulo.

Como começou o seu interesse pela fotografia de gastronomia?
Ser fotografa de gastronomia era algo que nunca havia pensado em me transformar. Foi um processo natural, no entanto… Eu tentava achar um campo para tonar a fotografia algo mais profissional para mim. Como sempre gostei do universo da culinária, pedi para uma amiga – dona de uma doçaria – se eu poderia fazer imagens dos produtos dela. Daí para frente, comecei a me especializar na área. Aprendi principalmente trabalhando, aliás, todo dia aprendo algo novo.

Quais são os cuidados especiais na hora de fotografar pratos?
São muitos. Eu trabalho com alimento de verdade, sensíveis a temperatura, ao contato com o ar, a luz, mudam de textura rapidamente. Às vezes, tenho pouco tempo para agir, por isso é preciso planejar a foto antes, e, finalizar o prato na mesa. No ritmo frenético dos restaurantes, é preciso ter jogo de cintura.

Quais são os ‘truques’ para que as fotos fiquem apetitosas e os alimentos aparentem estarem frescos? 
A fotografia feita em restaurantes é diferente daquelas feitas em estúdio, a “maquiagem” é muito menor. A maior parte dos alimentos que fotografo é realmente fresca; às vezes, uso um pouco de água ou azeite para melhorar o brilho. Mas o grande diferencial nesse caso está na montagem do prato, algumas formas que funcionam bem no paladar não funcionam visualmente. A espessura de um molho ou os ingredientes de uma receita muitas vezes escondem detalhes de um prato que são importantes mostrar. Por isso, algumas adaptações são necessárias, mas sem criar aquela aparência de comida de plástico ou colocar coisas que não existem no prato. O cliente muitas vezes tem a imagem na palma da mão e faz rapidamente a comparação com aquilo que está sendo servido.

Como surgiu a ideia da exposição? 
Foi conversando com o Dagoberto Torres, do Suri (foto). Ele disse o quanto se sentia pouco a vontade com a câmera, quando era fotografado para as reportagens… por ser um cozinheiro e não um modelo. Lembrei-me da história que ele havia me contato sobre o começo da sua carreira, fazendo cachorros-quentes. Fiquei pensando que isso poderia dar um trabalho interessante…. e também que muitos outros chefs deviam ter boas histórias para contar.

Há alguma historia curiosa que encontrou fazendo as fotos para esta mostra?
Todas as histórias que ouvi eram muito interessantes, mas o mais curioso em relação à mostra é que os homens se mostraram mais acessíveis à ideia de posar brincado, de forma descontraída, do que as mulheres. Mas ainda tenho planos de dar continuidade a este trabalho e, quem sabe na próxima etapa, focar nas mulheres.

Poderia falar um pouco sobre a sua cozinha afetiva?
É engraçado pensar que até os meus sete anos eu não gostava de comer. Hoje, a gastronomia ocupa grande parte da minha vida. Se não como bem, fico de mal humor. Mas não tenho uma ligação com uma cozinha específica afetiva, acho que nossa relação com a alimentação é complexa. Essa relação afetiva com a alimentação surge lá na primeira infância, da primeira mamada, dos primeiros sabores, até nossas experiências culturais e sociais. Talvez, por isso, ache que a minha cozinha afetiva seria ampla demais para ser descrita em poucas palavras.

 

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