Dez anotações sobre o cenário gastronômico de 2013

Ambiente 1

1) Ferinhas e mercados gastronômicos se tornaram uma ideia viável, democrática, ao levar cultura e boa comida a preços camaradas para público variado, principalmente em São Paulo. A prática se tornou numa espécie de festival semanal, no meu entender. Ganha o público que, como eu, gosta de feiras e mercados a céu aberto. A ideia em São Paulo foi tão bem organizada, que tramita na câmara dos vereadores projeto de lei para regulamentação da comida de rua na cidade, parte importante e substancial da economia municipal, atualmente.

morro alemão

2) O Mesa ao Vivo Rio, promovido pela revista Prazeres da Mesa, no Morro do Alemão, na capital fluminense, foi um dos grandes eventos do ano. Tive o prazer de fazer a cobertura do evento para a revista e fiquei feliz em ver toda a movimentação do setor no local, a feira criada entre os moradores. Foi um dos ambientes em que mais percebi criatividade na área, neste ano.

Projeto Busca Pé

3) Projeto Buscapé (foto), Gastromotiva, entre outros programas que envolvem gastronomia e  comunidades carentes de áreas de risco. Sempre gosto desses projetos. Acredito no poder de transformação social de iniciativas assim.

madalena_albuquerque_just_mada

4) Festivais de cultura e gastronomia Brasil a fora também são uma bela maneira de divulgação das nossas artes culinárias, da cultura regional. É quando o micro se transforma em macro. É o que acontece em Tiradentes (MG) e Pernambuco. Estive em Tiradentes este ano e em 2012. Em Pernambuco, com exceção deste ano, participei de cinco anos consecutivos de festival. Gosto dos temas a que se propõem esses festivais. (Na foto, Madalena Albuquerque, chef do Just Madá/Recife, participante do festival local).

arturito

5) Pratos mais baratos em restaurantes caros. Essa foi outra tendência que percebi, este ano. O Arturito, de São Paulo, para citar um exemplo, antes envolto numa aura um tanto esnobe, mostrou que é possível oferecer boa comida em ambiente bacana, por preços camaradas. Outro dia, fui lá e pedi um sanduíche de pão caseiro feito no forno à lenha com barriga de porco, uma coca-cola zero e um café. Gastei pouco mais de R$ 30. Uma refeição de lamber o beiço.

amma

6) Chocolates nacionais feitos com carinho (e cacau). Este foi mais um aspecto que observei em, 2013. Marcas nacionais, como a Amma, a Chokolah e a Q se estabilizaram no mercado com produtos de qualidade, ao contrário de marcas de difusão, como a Lacta, a Nestlé e a Pan, entre outras, que, cada vez mais, vendem gato por lebre. A Amma colocou no mercado um chocolate feito da castanha do cupuaçu, além de passar a comercializar cacau em pó 100% orgânico. Dois produtos de primeira. O assunto foi tão discutido, este ano, que até o Globo Repórter, da Rede Globo, foi visitar uma fabriqueta artesanal de chocolate no meio da Floresta Amazônica.

sul_minas

7) Entre as viagens gourmets que fiz, três me chamaram a atenção. Sul de Minas, numa press trip da Nespresso, em que conheci os cafezais dos arredores da cidade de São Lourenço; viagem aos Alpes Franceses, onde visitei a feira de rua de Annecy, cidadela medieval com uma feira deliciosa, que acontece duas vezes por semana nas ruas centrais da cidade (veja ensaio fotográfico no blog). A terceira viagem gastronômica bacana que fiz, este ano, foi para a África do Sul. Lá, comi muita caça, aves assadas – prato que adoro -, além de comidas inspiradas na China e Índia, na parte leste do país, que é banhada pelo Oceano Índico.

cena-do-filme-os-sabores-do-palacio

8) A gastronomia, este ano, visitou o cinema. Foram vários filmes que tiveram comida como mote. Entre os destaques, “Sabores do palácio” (foto), sobre a cozinheira do presidente francês Miterrand, o doc “Por que você partiu?”, que mostra chefs franceses que se instalaram no Brasil. A lista ainda inclui mais umas quatro ou cinco estreias. Produção de queijo artesanal

9) O queijo artesanal mineiro finalmente foi liberado para ser vendido fora do estado de Minas Gerais. Tem notícia melhor? Essa foi de soltar fogos!

forno-a-lenha

10) Entre as coisas que não gostei este ano, a que mais me chamou a atenção foi protagonizada por pizzarias simples de bairro, que estão deixando de usar lenha de verdade nos seus fornos. Estão usando um tipo de madeira cortadinha, compensada… muito sem graça, um horror! Já vi pizzaiolo bater o pé e dizer que aquilo é madeira. Mas não é, gente! A pizza feita no forno à lenha fica muito mais saborosa, aromática. É possível perceber de longe quando uma pizzaria usa forno a lenha. As ruas nas adjacências ficam com aroma gostoso, cheirinho de bosque de carvalho. Isso é tradição. É a alma na gastronomia. É o rústico, que deveria estar entre os principais aspectos da culinária, mas que infelizmente nem sempre está.

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