Paixão por saquê

arroz

Apaixonado por saquê, Eduardo Preciado, sócio do restaurante japonês Minimok, no Rio de Janeiro, viaja pelo mundo pesquisando rótulos inéditos da bebida. Recentemente, fez uma viagem ao Japão. Abaixo suas impressões sobre a gastronomia do país do sol nascente.

sake

Poderia falar um pouco sobre sua última viagem ao Japão?Fui ao Japão no começo deste ano e, desde o primeiro dia lá aconteceram coisas interessantes. Cheguei em Tóquio no dia mais frio e com a maior quantidade de neve desde sei lá quando. Para piorar, iria para um lugar ainda mais gelado e nevado: Niigata, a duas horas de distância, da capital, ao norte de Tóquio. A região é famosa pela qualidade de seu arroz e pela fabricação de saquês, por isso a minha vontade de conhecê-la. Anos atrás, graduei-me no SPC “sake professional course”, e cada vez mais pesquiso rótulos especiais da bebida mundo afora. Niigata é a terceira maior produtora de saquês do país, com 94 kuras (termo como vinícola para o mundo do vinho, ou seja, fábrica de saquê) e figura entre as mais importantes em qualidade. Isso em parte por receber neve intensa (boa água); por ter algumas das fábricas mais impecáveis da indústria e também pelo interessante sistema de compartilhamento de informações e técnicas entre os kuramotos, como são chamados os proprietários. A gastronomia local é também bastante emblemática. Fiz parte de um grupo liderado por uma guia bilíngue (japonês/inglês), especialista em saquês, que tinha o intuito de repassar tudo sobre o universo do saquê, sua cultura, técnicas e tradições milenares. Fomos para diversas fábricas, entendemos o processo de fabricação, jantamos com alguns dos proprietários, ouvimos suas histórias, e principalmente, aprendemos muito sobre honra, legado, experiência e paixão.

Minimok_Ozeki junmai hana waka sparkling_crédito Alexander Landau (2)

Quais são as novidades em gastronomia que você viu na sua última viagem para o Japão? Descobri que algumas iguarias fazem toda a diferença na culinária deles! Fomos, por exemplo, para Murakami, famosa em todo o país por seus salmões e chás, e mais uma vez conversamos com proprietários, produtores, orgulhosas famílias e suas tradições. Foi divertido, e, em uma dessas visitas, degustamos vários saquês, junto de cogumelos, abalones, ouriços, e outras iguarias locais. Em Tóquio, provei sushis de bastante qualidade em restaurantes conhecidos, mas me impressionei mesmo com lugares mais “escondidinhos”. O pequenino Yamazaki, no mercado de peixes Tsukiji, foi uma festa. Provei sushis com alma e afeto, escandalosamente frescos e preparados pelo talentoso Nori. Em Shibuya, em um pequeno izakaya (típico bar de saquês e pequenas porções) chamado Saketosakana, iguarias como o sashimi de baleia e o “shirako”, que só aparece no inverno e é descrito como esperma de bacalhau, foram trazidos pela própria dona, enquanto seu marido preparava outras delícias. Posso dizer que o melhor da gastronomia japonesa está em pequenos e simples estabelecimentos, que são muitas vezes tocados pela família. E uma dica para quem for ao Japão é experimentar um lamen, rico caldo invernoso, que pode ser uma maravilhosa refeição.

Minimok_Dupla de ova de salmão com gema de codorna_Crédito Rodrigo Castro

Quais são as novidades em matéria de bebidas que viu por lá?Fui a muitos lugares, e me encantei pelo processo de fabricação dos saquês. Na ilha remota de Sado, a uma hora de Niigata, por exemplo,  conheci uma mina de ouro desativada há 25 anos, onde produtores locais mantém garrafas de saquê guardadas, pelo fato de a temperatura ali ser sempre de 11 graus Celsius, mesmo no verão.

Minimok Ipanema_ambiente_Rodrigo Castro

E as novidades do seu restaurante? Estamos apostando cada vez mais na ideia de trazer rótulos de saquês especiais e inéditos para o restaurante. É algo pelo que sou realmente apaixonado, e, o mais importante, os clientes vêm curtindo isso. Tenho saquês nobres, como o ultra-premium Hitorimusume Junmai Daiginjo Shizuku, cujo nome faz referência ao método utilizado para extrair o saquê; e o Wakatake Junmai Tokubetsu Genshu, que tem em seu nome a definição de “especial”. Para quem gosta de saber um pouco sobre o processo produtivo de cada um, no primeiro, em vez de pressionar o mosto do arroz com um equipamento, sacos de algodão com o mosto dentro são estendidos e a garrafa recebe apenas as gotas que pingam livremente. Já o sobrenome Tokubetsu, do segundo rótulo, é referencia a um maior polimento do arroz ou utilização de um tipo de arroz premiado, ou seja, o resultado é um saquê de altíssimo nível. Além desses rótulos, o Minimok também sugere semanalmente o “Saquê da Semana”, que também é sempre um rótulo diferenciado.

 Serviço: Minimok: Rua Dias Ferreira, 116 – Lj D – Leblon. Tel.: (21) 2511 1476

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