Lançamento: ‘O sabor da arte’

unnamed.png

Com textos do jornalista e escritor Xavier Bartaburu e fotos de Romulo Fialdini, o livro O sabor da arte, que será lançado no dia 7 de junho, no Museu da Casa Brasileira, analisa as relações entre cultura e alimentação de cinco países reconhecidos como aqueles de culinária mais saudável do mundo, Brasil, França, Itália, Índia e Japão.

Ao final, traz, ainda, um glossário com ingredientes identificados por médicos e nutricionistas como “superalimentos”, ricos em antioxidantes e fitonutrientes essenciais ao bom funcionamento do organismo, com verbetes que vão de “abóbora” a “tubérculos e raízes”.

Entre os chefs estão: Tatiana Cardoso (do Moinho de Pedra), que assina as receitas da culinária italiana; Danielle Dahoui (do Ruella), a culinária francesa;  Madhava Lila (do pioneiro Gopala), que ensina receitas da tradição indiana; Morena Leite (dos restaurantes Capim Santo e Santinho), que se dedica à culinária brasileira; e Shinya Koike (dos restaurantes Aizomê e Sakagura A1), as japonesas.

Leia abaixo trecho:

JAPÃO
COMER É MEDITAR

Tudo começou com o arroz. Até cerca de 3 mil anos atrás, os japoneses viviam basicamente da pesca, da caça e da coleta de nozes, folhas e raízes que cresciam nas florestas nativas do arquipélago nipônico. Assim foi durante séculos, até a chegada, em algum momento do primeiro milênio antes de Cristo, das primeiras mudas de arroz. Elas vieram da China, através da península coreana, e transformaram não só a dieta dos antigos japoneses como a própria cultura local: no lugar dos caçadores-coletores seminômades que antes se espalhavam pelas ilhas, surgiu um povo novo, dedicado à agricultura. Nessa mesma época, o Japão conhecia a metalurgia e fundava o xintoísmo.

Começava a se definir, ali, aquele que ainda hoje é o tripé da dieta tradicional nipônica: arroz, peixes e vegetais. Do arroz vem a energia que move os japoneses: alimento de fácil digestão, pouco alergênico e rico em sais minerais, ele é fonte diária de carboidrato na vida do povo nipônico, substituída eventualmente pelos macarrões, como o lámen, o udon e o sobá ─ os dois primeiros à base de trigo e o sobá feito com trigo-sarraceno. Dificilmente, porém, um japonês passará um dia sem comer arroz branco. Tanto que a palavra local para o grão, gohan, é também usada como sinônimo de refeição. De fato, nas refeições tradicionais da culinária local, quase sempre o arroz é o prato principal. Os demais itens ─ como peixe, sopa ou vegetais ─ serão sempre okazu, acompanhamentos.

Desses acompanhamentos, é certo que haverá um número considerável de hortaliças, responsáveis por encher de fibras o dia a dia alimentar dos japoneses. Eles gostam particularmente das raízes, incluindo tubérculos como inhame e cará ─ ricos em carboidratos e vitaminas do complexo B ─ e variedades locais de caules subterrâneos, como o da bardana e o do lótus. A raiz de bardana, conhecida no Japão como gobo, é altamente depurativa: limpa as toxinas do sangue, elimina cálculos renais e ainda favorece o trânsito intestinal, graças a sua ação sobre as bactérias probióticas. Já a raiz de lótus, ou renkon, é uma grande fonte de vitamina C. Na cozinha japonesa, ambas costumam ser servidas como salada, refogadas ou em chás. E temos, é claro, o gengibre, usado na forma de gari (conserva com açúcar e vinagre) para limpar o paladar entre um prato e outro. Mas a verdade é que ele limpa muito mais: graças ao gingerol, o gengibre é um excelente anti-inflamatório, ajuda a eliminar a gordura do corpo e estimula a digestão, favorecendo a purificação do intestino.

Aliás, se há algo de notável na culinária japonesa é a alta funcionalidade de seus ingredientes. Que, ali, se torna ainda mais potente graças à forma como são preparados: no caso das hortaliças, quase sempre são feitas no vapor, o que incrementa a liberação de substâncias benéficas à saúde. Quando cozidas na água, ocorre o efeito contrário: os nutrientes se perdem. Um exemplo são os vegetais conhecidos como crucíferos, como nabo, repolho, rabanete e brócolis, entre outros. Todos ricos em compostos conhecidos como glucosinolatos, capazes de auxiliar na desintoxicação do fígado e inibir o crescimento de certos tipos de tumor. O nabo em particular é uma excelente fonte de agentes anti-inflamatórios, como vitamina K e ácidos graxos do tipo ômega 3.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s