Gastronomia impulsiona turismo no Piauí

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Teresina, capital do Piauí, quase nunca aparece no mapa turístico do Nordeste. A cidade não tem praia, como as outras, e está entre as mais quentes do Brasil, com termômetros que chegam a 42º C, durante todos os meses do ano.

O estado que já foi o maior exportador nacional de carne de sol para o mundo viu na gastronomia uma forma de incrementar o turismo, com capacitação a famílias de pequenos produtores e estudantes de cursos técnicos, criando um ambiente favorável para empresários de pequeno e médio porte abrirem seus próprios negócios, entre bares e restaurantes.

Nos últimos cinco anos, a capital viu multiplicar o número de comércio voltado para a alimentação, valorizando a produção regional de ingredientes, com carne de sol, mel, e frutas e seus derivados, como a cajuína – feita com a polpa do caju.

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De acordo com o Sebrae local, o setor cresce em média 16,51% por ano. É um dos maiores índices entre as capitais do Nordeste. Por ano, 150 novos estabelecimentos abrem as portas na cidade. Comparando 2012 a 2009, a alta chega a 75%.

Números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que moradores locais gastam, em média, por ano, R$ 900 milhões com alimentação e bebidas fora de casa. O fato inspirou até mesmo uma frase que pode ser ouvida o tempo todo no lugar: “Teresina não tem mar, tem bar”.

Ceres Rebelo, gestora do Projeto Economia Criativa do Sebrae do Piauí, ao perceber o espaço para o crescimento do setor, propôs capacitações a empresários da área de alimentação e bebida, para o aquecimento do setor. “Há cinco anos, Teresina quase não tinha chefs de cozinha, ao mesmo tempo em que exportava bons cozinheiros para São Paulo (para citar um exemplo, parte do staff do restaurante D.O.M. de Alex Atala é da cidade de Pedro II, no Piauí).

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Hoje, chefs formados ficam na cidade e não vão procurar emprego fora”, diz ela, uma das criadoras do Festival de Gastronomia Maria Isabel, que recebeu este nome graças a um prato típico que leva arroz e carne de sol picadinha. O festival reúne dezenas de restaurantes que criam pratos típicos, como forma de atrair turistas.

A ideia, diz Ceres, é convocar chefs conhecidos nacionalmente para troca de experiências com o povo local. Ela já convidou a chef Monica Rangel (RJ; Elzinha Nunes (SP), Dalton Rangel (SP), Teresa Paim (BA), entre outros; que mostraram maneiras de se utilizar produtos típicos, como carne de sol, galinha d’angola, melado de cana, cachaça e caju, entre outros, em criações dignas de grandes chefs”, diz. Monica elogia os produtos gastronômicos locais. Além dos mais conhecidos, ela cita o babaçu, do qual se pode fazer farinha e óleo e a semente de sapucaia, produtos de extração que começam a ser utilizados na gastronomia local.

“Festivais como este movimentam tanto o comércio, como alavancam pequenos produtores”, diz Haroldo Lira, criador da marca de cachaça Lira, que produz 60 mil litros por ano, dos quais 70% são consumidos dentro do estado. Cada garrafa de bebida custa entre R$ 50 e R$ 70.

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A Cajuesp, cooperativa de produtores de cajuína do Piauí, que concentra mais de 100 pequenos produtores locais, também participou com bebidas e doces feitos da polpa do caju. “Há dez anos, não havia cajuína em bares e restaurantes da cidade. Por meio do Sebrae, que nos mostrou a importância de valorizar produtos regionais, hoje a bebida está em todos os estabelecimentos da cidade, nas lojas de aeroportos, em supermercados e feiras-livres”, diz Lenildo Lima. Ele conta que o negócio cresceu mais de 50% nos últimos cinco anos. A cooperativa chega a vender por ano uma média de 1 milhão de litros. Para o consumidor final, as garrafas custam de R$ 5 a R$ 9 reais.

Carlos Veronez, chef do restaurante Donna Get, considerado o melhor lugar para se comer carne de sol em Piauí, conta que o festival movimenta bastante o local. “Durante os dias de festival vendemos em média 500 pratos, a R$ 15 cada”, diz ele.

Além de capacitar restaurantes e bares, o Sebrae criou parceria com a escola de gastronomia Fundação Padre Dante Civiero para capacitar alunos da periferia de Teresina. Ex-aluna da escola e hoje professora de ‘técnicas de cozinha’, Janete de Araújo Silva observa que 80% dos estudantes que acabam o curso, acabam tornando-se pequenos empresários, produzindo matéria-prima que será utilizada nos restaurantes e bares da cidade. “Os alunos alternam 15 dias na escola, e 15 em suas propriedades rurais, produzindo. É uma escola que tem foco na prática”, diz. Mônica Barbosa, egressa do curso, conseguiu seu primeiro emprego há pouco. Trabalha como chef do restaurante Atelier do Chef, com salário de R$ 1.080,00. Já Juliana Souza, também aluna de Janete, preferiu produzir na pequena propriedade rural da sua família. Hoje, ela abastece o restaurante em que a ex-colega de escola, Mônica trabalha.

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