Eu só quero chocolate – minha visita à Expo Chocolate

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Fui ontem passear na feira Expo Brasil Chocolate 2017, que acontece até hoje, 8, no Centro de Convenções Frei Caneca, em SP. O evento tem participação de produtores e comerciantes de todo o Brasil, e apresenta novidades, novas técnicas e melhorias na produção do chocolate, com a exposição de equipamentos, embalagens e matéria-prima.

No Brasil, a indústria do chocolate tem faturamento de R$ 12,4 bilhões anuais. E o consumo per capita é de 2,8 kg, por ano, igualando-se à Itália.

Meu foco era conhecer novos chocolates. Provei dois que gostei muito, o Espírito Cacau, da cidade de Linhares, no Espírito Santo; e o CasaLuker, da Colômbia.

Fundada em 1906 na Colômbia, a marca CasaLuker tem produtos derivados de cacau Fino de Aroma, com ampla gama de chocolates, massa e manteiga de cacau, cacau em pó e grãos de cacau com certificações em qualidade que atendem aos mais altos padrões internacionais. A Colômbia que é mundialmente conhecida por produzir alguns dos melhores cafés do mundo, também produz bons cacaus. Os chocolates CasaLuker (estão no estande da Emulzint) têm aromas frutais, florais e nuances de malte. São feitos com os cacaus Criollos e Tributários e são bastante originais, com gostinho de licor de chocolate, embora representantes da marca tenham me dito que não há álcool nos produtos.

 

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Outro chocolate que conheci foi o Espírito Cacau. Falei com o diretor de marketing da casa, Orlando Gligani, que trabalhou por muitos anos na marca Kopenhagen, decidindo deixar a cidade grande para morar próximo às plantações de cacau do Espírito Santo. Provei três deliciosos sabores, 31% (ao leite), 46% e o 70%. Bastou um mordida em cada um deles para eu perceber que os produtos são de primeira. Tem aquele gosto de chocolate de verdade, que é impossível encontrar nas gôndolas dos supermercados e mercearias do Brasil.

Ao olhar os ingredientes de uma barra de chocolate, você percebe que um produto tem quantidade boa de cacau olhando a sequência de produtos. A maioria começa por açúcar. Muitos trazem açúcar, leite, gordura hidrogenada e a massa de cacau vem lá no fim. Ou seja, o cacau passa longe desses produtos.

Os dois que provei na visita às Expo Chocolate trazem cacau como o primeiro ingrediente. Eles deviam servir de exemplo para a industrial nacional. São 100% naturais, saudáveis e saborosos, utilizando ingredientes naturais, isentos de corantes, conservantes (como a famigerada gordura hidrogenada) e aromatizantes.

Uma pena que a legislação brasileira do cacau é tão falha! Isso permite que sejamos enganados quando compramos uma barra. Na minha opinião, o chocolate da Nestlé de supermercado é o pior de todos. É até pior do que o Lacta e o Garoto. A Brasil Cacau e o Cacau Show têm alguns produtos bons, mas a maioria ainda é muito ruim. Gente, vamos melhorar o chocolate do Brasil?

Mas voltando à feira, visitantes que realizarem compras acima de R$ 30, na Praça do Cacau, concorriam ao sorteio de uma barra de chocolate de 20 quilos por dia, confeccionada pelo chef Ednei Bruno (Le Chef Gatô). O espaço da feira ainda tem exposição de bolos esculpidos. Mais de 80 profissionais foram convidados para inspirar o público com propostas bacanas de bolos decorados.

Bem, aproveitei a visita para tomar um Café da Condessa, com nossa amiga Maria Carolina de Lima, produtora de um bom café no Sul de Minas Gerais. A marca está com um estande na feira, servindo um café gostoso como sempre.

Se você gosta de chocolate de qualidade, vale conhecer a feira, que termina hoje. Veja mais informações aqui: http://www.expobrasilchocolate.com.br

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Carne para comer em colheradas

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Na sexta-feira fui ao Rubaiyat para conhecer o “corte secreto”, uma carne especial argentina servida no restaurante Cabaña Las Lilas, de Buenos Aires, que vai estar no cardápio do restaurante brasileiro nos próximos meses.

Trata-se de corte exclusivo de novilha, ou seja, de filhote de bovino do sexo feminino [que tem carne mais macia]. Cada peça proporciona apenas duas porções. A carne é marmorizada e custa R$ 90. Levíssima e foi servida com um gratinado de batata com creme de leite dos deuses. Como sobremesa, para continuar no clima, comi panqueca recheada de doce de leite e sorvete de baunilha. Se você tiver oportunidade, mais do que indico.

Serviço: Rubaiyat – Av. Brigadeiro Faria Lima, 2954 – Itaim Bibi, São Paulo – Tel. (11) 3165-8888

Foto: divulgação

Uruguai muito além da parrilla

Texto e fotos: Giuliana Nogueira *
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Nos últimos anos o brasileiro descobriu seu vizinho, o Uruguai. Embora a vida para o turista seja quase tão cara quanto São Paulo, a combinação perfeita entre campo, cidade e litoral atrai bastante.
Cidades gostosas para caminhar, com boa parte da sua costa cercada por praias de água doce e ainda sim a poucos quilômetros do campo. Assim é o país, que ainda apresenta bons vinhos e boa comida.
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Com a chegada dos turistas, surgiu a inflação. Um taxista em Montevideo disse “Punta Del Este é para brasileiros e argentinos cheios de plata, não para nós.”
Comer em Punta Del Este pode sair caro, bem como se hospedar na cidade. Assim, restaurantes em cidades menores da moda têm chamado atenção dos turistas, como o La Huella em José Ignácio ou El Garzón, restaurante de Francis Mallman em Pueblo Garzón.
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As dicas a seguir não são de uma profunda conhecedora local, foi minha segunda vez no país. São dicas que consegui com uma uruguaia do ramo de restaurantes. A questão não é preço, nem lugares da moda, mas locais interessantes para descobrir um Uruguai que vai além dos famosos cortes de carne na parrilla.
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Montevideo
O Mercado de Puerto é realmente curioso, vastas opções de carnes assando na grelha em meio a um ambiente com áreas de bagunça, vale o passeio mas caminhe um pouco mais em direção ao centro para almoçar.
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Sem dúvida, um dos melhores lugares para se comer bem em Montevideo pertence a uma argentina. O Jacinto, de Lucia Soria, fica na Cidad Vieja, produz pães deliciosos e tem um menu muito bem executado a preço justo. Ambiente agradável e com um cardápio fixo incrementado por sugestões do dia, o restaurante certamente seria um sucesso em São Paulo. O risoto de beterraba com gorgonzola e nozes foi uma excelente pedida, bem como o malfati de espinafre com creme de leite fresco, amêndoas e pecorino.
A sobremesa do dia também foi uma surpresa, um mousse branco com aguaymanto (nossa conhecida como physalis), mais interessante que a torta de chocolate do cardápio fixo. Certamente, se eu voltar a Montevideo, visitarei o Jacinto (todas as fotos acima)
Trouville
Para comer a comida típica, o mega sanduíche uruguaio, o clássico chivito, vá sem dúvida o Trouville, no bairro de Pocitos. A apresentação é simples, mas a porção farta e o preço justíssimo. Provei também o pescado com manteiga negra e purê, de apresentação simples mas quantidade generosa, estava excelente (foto acima).
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Para quem vai para os lados do Hotel Carrasco, certamente será bem atendido se estiver disposto a gastar muita “plata” no restaurante do hotel, onde uma taça de vinho branco sai por 12 dólares. Se a ideia for mais econômica, de uma volta por trás do hotel, ali está a melhor empanada que provei em toda viagem e a um preço muito camarada, na rotisserie La Dos Estrellas (acima),  prove 3 ou 4 dessas pequenas delícias.
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Em Montevideo  você também pode ir ao irmão caçula, e mais econômico, do El Forno de La Barra, mas a casa não é tão bela quanto a original (foto acima).
La Barra
Próximo a Punta del Este fica a pequena praia de La Barra, seguindo o gps por uma hora onde parecia não haver nada a não ser mato, encontramos escondido o restaurante Al Forno (fotos abaixo).
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O cardápio apresenta ingredientes intrigantes trabalhados de formas pouco usual. A lasanha de centolha com abóbora chama atenção, e a Brótola (um peixe) com legumes na caixa de ferro também se saiu bem.
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Para mimar o cliente, a refeição começa com um ovo de codorna com dill e caviar. Mas vá sem pressa. Duas garçonetes são responsáveis pelo salão todo, o que é comum no Uruguai, então não se estresse.
(Leia na semana que vem a segunda parte do post sobre o Uruguai) 
Giuliana Nogueira é fotógrafa e RP da área da gastronomia

Aprenda a fazer alfajor argentino

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A receita é da Harald Chocolates. O tempo de preparo mé de 1h30, o rendimento é de 18 a 20 alfajores.

Ingredientes Massa: 1 e ½ xícara (chá) de farinha de trigo; 1 e ½ xícara (chá) de amido de milho, ½ colher (chá) de fermento químico;  ½ xícara (chá) de açúcar;  1 xícara (chá) de manteiga (200 g); 1 gema; 1 colher (chá) de essência de baunilha. Recheio: 1 lata de leite condensado; 2 minirretângulos de chocolate ao leite (100 g). Cobertura: 2 xícaras (chá) de açúcar de confeiteiro impalpável.

Modo de preparo Massa: peneire a farinha, o amido e o fermento. Reserve. Numa batedeira, bata o açúcar com a manteiga e a gema até obter um creme esbranquiçado. Retire da batedeira, junte os ingredientes peneirados e amasse até obter uma massa lisa, homogênea e que solte das mãos. Embale em filme plástico e leve à geladeira por 30 minutos. Com um rolo, abra a massa entre duas folhas de plástico e corte a massa com cortador de 6 cm de diâmetro. Arrume em assadeiras, deixando espaço entre elas. Asse em forno médio (180ºC), preaquecido, por cerca de 15 minutos ou até dourar a base. Retire e espere esfriar. Recheio: em uma panela, junte o leite condensado e o chocolate ao leite picado. Leve ao fogo baixo e, mexendo sempre, deixe até soltar do fundo da panela. Passe para um prato untado e deixe esfriar. Montagem: distribua o recheio em metade dos biscoitos e uma com o outro, formando um casadinho. Passe no açúcar de confeiteiro Impalpável e retire o excesso. Embale com papel celofane, depois com papel crepom e finalize com um bonito laço com fita de cetim. Dica: se desejar, banhe os alfajores em 400 g de chocolate ao leite derretido e temperado conforme as instruções da embalagem.

Serviço: http://www.harald.com.br

Foto: divulgação

 

Onde estão Mara Salles e Carla Pernambuco na lista dos melhores do Brasil?

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Talvez esteja levantando a questão tarde demais. Faltou chefs brasileiras na premiação dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina 2014, que aconteceu semanas atrás, em Lima, no Peru – a versão para o continente latino-americano da “The World’s 50 Best Restaurants”, que reúne os supostos melhores restaurantes do mundo.

Entre os brasileiros, destaques para os sempre (muito) bons Alex Atala (D.O.M.), Helena Rizzo (Maní),Thiago Castanho (Remanso do Bosque). Mas onde está a Mara Salles (Tordesilhas)? E a Carla Pernambuco (Carlota)?

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Entre os nove restaurantes brasileiros premiados, há apenas duas representantes mulheres, a Helena e a Roberta Sudbrack (do restaurante que leva o seu nome, no Rio). Não sei se houve uma espécie de sexismo aí. De qualquer forma, não vamos nos esquecer de que a culinária nacional, na sua essência, é predominantemente feminina, a cozinha das mães e avós, esse patrimônio das nossas mesas e da nossa diversidade cultural.

A Mara Salles e a Carla têm alguns dos melhores restaurantes de São Paulo. Disso, todo mundo sabe. São criadoras de primeira categoria. A Mara é uma pesquisadora incansável. Tem trabalho de formiguinha. Certa feita, liguei para ela para uma entrevista e ela estava no semiárido brasileiro, passando temporada e pesquisando tudo o que se refere a bode no Brasil. Já a Carla, por ter criado dois clássicos da restauração brasileira, imitados à exaustão – petit gateau de doce de leite e suflê de goiabada com calda de queijo –, merecia constar nas listas dos melhores para todo o sempre.

Na minha lista, eu deixaria de fora o Épice, do Alberto Landgraf (não há criação de cultura no trabalho dele, é insípido); subiria de posição o Attimo, do Jefferson Rueda; e colocaria lá em cima os nomes da Mara Salles e da Carla Pernambuco, ou melhor, os seus restaurantes, Tordesilhas e Carlota.

Lista dos brasileiros eleitos em 2014:

3º D.O.M. – São Paulo, Brasil
4º  Maní – São Paulo, Brasil
12º  Mocotó – São Paulo, Brasil
13º  Roberta Sudbrack – Rio de Janeiro, Brasil
34º  Remanso Do Bosque – Belém, Brasil
35º  Olympe – Rio de Janeiro, Brasil
36º  Épice – São Paulo, Brasil 

38º  Attimo – São Paulo, Brasil 
44º  Fasano – São Paulo, Brasil

Uma palavrinha sobre os pães

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A padaria Santo Pão, nos Jardins, em São Paulo, já recebeu o prêmio “As 100 melhores padarias do Brasil”. Fui ao local conferir e os produtos realmente são muito bons, desde o pão,. em si, a pratos de café da manhã, como a tapioca recheada que ilustra este post. O ambiente é uma graça e o padeiro, Pedro Calvo, um cara pra lá de simpático. Ela conversou com o Tudo al Dente e ainda ensina os nossos leitores a fazer pão em casa. Leia a seguir.

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Quais são as novidades da sua padaria? O sanduíche veggie de mix de cogumelos com queijo gruyère, pão de queijo, novos sucos detox e implantação do delivery.

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Poderia falar sobre o fermento que você usa? Uso o fermento natural (ou levain), mistura de água e farinha de trigo que foi contaminada por microorganismos (fungos e bactérias). À massa é acrescentada ao restante dos ingredientes do pão. Nosso fermento tem 5 anos, foi feito em 2009. Por causa da atividade fermentativa mais baixa que o fermento biológico, os pães fabricados com este tipo de fermento demoram mais para fermentar.

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O que um bom pão deve ter? Acho que a primeira observação é checar se o pão não é feito com pré-misturas industriais. Se o pão é feito com pré-mistura, você já pode desconfiar que a padaria não quer vender qualidade, e sim o produto como uma simples conveniência. Dentre os pães feitos com a receita em si (farinha de trigo, fermento, água, sal, açúcar etc) há preferência para os dois tipos, os cascudos e os de casca mole. Aí, o gosto é muito pessoal (digo que é igual a vinho. O melhor vinho para um não é o mesmo para outra pessoa). Para mim, os melhores pães são os cascudos feitos com fermentação natural. Por causa da longa fermentação nesses tipos de pão, o sabor e o tempo de prateleira aumentam. Quanto mais tempo um pão fermenta, melhor seu sabor, aroma e validade. As características desses pães são: casca bem dourada e crocante, alvéolos grandes e miolo úmido.

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Poderia dar uma receita/dicas simples de pão, para se fazer em casa? Para começar, pode ser uma receita básica de pão salgado. Ela é um coringa, você consegue acrescentar qualquer recheio salgado.

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Massa básica salgada – ingredientes: 300 g de Farinha de trigo; 4 g de fermento biológico seco; 6 g de sal; 120 ml de leite integral; 45 g de ovo; 15 g de margarina e 9 g de açúcar. Modo de preparo: Junte em uma vasilha a farinha de trigo, o fermento e o açúcar. Acrescente o leite e o ovo e misture bem até formar uma massa pegajosa. Adicione o sal e misture mais um pouco, em seguida adicione a margarina e misture bem. Despeje a massa em uma bancada previamente higienizada e sove-a por cerca de 20 minutos até ficar lisa e desenvolver o glúten (formar o ponto de véu).

Dica: acrescente 120 g de linguiça calabresa ralada e misture-os até incorporar na massa. Faça uma bola com a massa pronta, coloque-a na tigela e cubra com filme plástico. Deixe descansar por 30 minutos em cima da bancada. Abaixe a fermentação da massa e enrole-a como um rocambole. Unte com óleo uma forma de bolo inglês e acomode a massa. Cubra a forma com um filme plástico (para não ressecar a massa) e deixe fermentar por cerca de 1 hora ou até a massa dobrar de volume. Pré-aqueça o forno a 180ºC e asse o pão por cerca de 20 a 30 minutos, até a superfície ficar dourada. Dica1: sove bem a massa até formar o ponto de véu. Um dos principais fatores que vai fazer o pão crescer e ficar macio é o desenvolvimento do glúten na sova. Se o glúten não fica bem desenvolvido, os gases formados na fermentação irão escapar e o pão fica solado. Dica2: não sove a massa com mais farinha na bancada. No começo a massa pode ficar um pouco grudenta, mas à medida que ela é sovada, ela perde esta característica.

 Serviço: www.santopao.com.br

Fotos: divulgação

Domingo em Buenos Aires

Vou fazer um post com bastante foto, certo? Um post de fotolegendas. É que estive brincado de ser fotógrafo nestes dias, na capital argentina.

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Bem, no domingo, acordei com duas ideias fixas. Uma delas era comer meia luna com doce de leite. Para quem não sabe, meia lunas são pequenos croissants que os argentinos comem no café da manhã. Para meu deleite, encontrei as ditas cujas no breakfast do hotel Vista Sol. Elas estavam fresquinhas e deliciosas, assim como o doce de leite (amo o doce argentino!).

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O outro desejo era me perder pelas ruas do bairro La Boca, entre a Calle El Caminito e adjacências. Sei que é um programa para lá de batido, mas sempre é bom andar na feirinha livre; ver a ‘galera’ chegando ao estádio de futebol La Boca, para dia de jogo; entrar nas pequenas galerias, com suas lojinhas de arte e artesanato.

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Programei o almoço para o Il Matterello, que fica a uns dez minutos do point mais movimentado do La Boca. A indicação foi feita pela Ana Maria Massochi, dos restaurantes Jacarandá, La Frontera e Martin Fierro, e pelo escritor Humberto Werneck. Ambos estiveram lá semanas antes e foram categóricos quando pedi sugestão de restaurantes.

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A casa existe no mesmo endereço há mais de 20 anos e quem cuida é uma família italiana. O clã fala em italiano entre si e os fregueses de domingo pareciam ser seus amigos. Ambiente simples e aconchegante. Na carta, massas caseiras recheadas eram o destaque. Pedi o ravióli verde recheado de verduras da época e frango desfiado. Coberto com um fio de azeite e uma camada farta de queijo pecorino, estava uma delícia. A sobremesa foi uma tortinha de pera, no estilo tartelette. Conta: 150 pesos.

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Continuei caminho pelas ruas da cidade, até a feira de San Telmo, passagem obrigatória para o turista de fim de semana em Buenos Aires. Indicação do Humberto: sorvete de doce de leite da Persico, marca que conta com unidades espalhadas por toda a cidade. Pedi de doce de leite caseiro com cobertura de doce de leite (foto), por 40 pesos a bola. Não resisti e pedi outros dois. Um de doce de leite com cookies e o terceiro de doce de leite com chocolate.

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Na rua La Defensa, que liga a praça principal em que acontece a feira e a mítica Plaza de Mayo, onde fica o palácio do governo, dezenas de lojinhas de moveis antigos, boutiques de doces e vendedores ambulantes, com suas cestas de doce, churrasco na rua, como na foto abaixo, comida de rua popular que os vizinhos chamam de choripan, ou seja, sanduíche de linguiça assada. Não resisti e pedi um sanduichinho, naturalmente.

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No caminho, vi até carrinho para venda de café, como nas cidades brasileiras (foto abaixo).

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Fechei o dia em grande estilo, com jantar no Gran Café Tortoni, casa que funciona desde o século XIX, mais precisamente desde 1858. Comi a melhor carne malpassada da minha vida. Um ojo de bife imenso, acompanhado de salada de batata. Estava delicioso. Para terminar o meu dia de clichês porteños, desci no porão do lugar para o show de tango que acontece todas as noites.

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O show é bem dirigido, bonito, tem até tango com sapateado. Não me pareceu ser caça-níquel de turista, sabe? O jantar, com coca-cola, ficou em 190 peses e o show em 200 pesos. Como o lugar aceitava reais, paguei R$ 44,00.

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Serviço:

Il Matterello: https://plus.google.com/103316934716794292114/about?gl=br&hl=pt-

http://www.persicco.com

http://www.cafetortoni.com.ar/br/

http://www.vistasolhotels.com/pt/

http://www.adventureclub.com.br/

Fotos: Antônio Carrion

Chocolate do Combu (PA), gostinho da Floresta Amazônica

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Finalmente provei o chocolate da ilha do Combu (foto abaixo), este fim de semana. O produto artesanal é feito às margens do rio Guamá, por povos ribeirinhos com o cacau forasteiro local. Este chocolate rústico vem embrulhado numa embalagem linda, com folhas de cacau e é feito por dona Nena, que beneficia dez quilos de sementes de cacau por semana.

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O chocolate que vem conquistando chefs nacionais – como o paraense Thiago Castanho, que serve doces feitos com o chocolate em seu restaurante Remanso do Bosque – e paladares gourmets é feito a partir de sementes de cacau que são selecionadas, depois fermentadas e torradas, antes de serem espremidas num espremedor caseiro de carne, o que resulta no chocolate propriamente dito, com a massa e a manteiga do cacau amalgamadas.

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O produto é 100% cacau e vem sem açúcar, o que faz com que sintamos toda a complexidade de aromas e sabores. De acordo com a tabela de sabores lançada pelo produtor baiano Diego Badaró, da Amma, pude sentir/perceber aromas florais de jasmim e gerânio; frutados de cupuaçu, frutas secas e ameixa. Pude ainda provar gostinho de macadâmia, azeitona, baunilha, cogumelo, madeira e manteiga. Mas, o que se destaca mesmo é o sabor de Floresta Amazônica. É como se cada barra fosse um naco amalgamado da floresta e sua exuberância.

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Publiquei, ontem, a foto das barras embrulhadas no instagram e muita gente veio me perguntar onde comprei as barras em São Paulo. Comprei com a Antônia (veja serviço abaixo), que vende cada barra de 100g por R$ 6,50. Pedi quatro e ela fez a entrega na minha casa. Aproveitei a iguaria de várias formas. Eu a comi pura, fiz chocolate quente, que ficou delicioso, barrinhas de chocolate ao leite e de chocolate com açúcar e sem leite. Fiz ainda brigadeiro. Embrulhado em suas folhas, com o aspecto rústico e artesanal, é um belo presente para amantes de gastronomia.

Serviço: Onde comprar os produtos – com Antônia PadvaisKas, do Empório Poitara, tel.: (11) 97310-5024 / 98344-4040

Fotos: banco de imagem e Antônio Carrion

Rota do Vinho e o enoturismo no Vale do São Francisco

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O sertão produz vinho, sim senhor. O Polo Vitivinícola do Vale do São Francisco, que reúne sete vinícolas entre o Sertão de Pernambuco e o Norte da Bahia, tornou essa área – em plena Caatinga – a segunda maior produtora de vinhos, espumantes e sucos naturais de uva no Brasil. O polo ocupa uma área de mais de 10 mil hectares entre os municípios pernambucanos de Lagoa Grande (a capital da uva e do vinho do Nordeste) e Santa Maria da Boa Vista (que sedia a vinícola pioneira no negócio), além de Casa Nova (cidade baiana que incrementou o enoturismo na região).

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Responsável por 99% da uva de mesa exportada pelo Brasil e pela produção de 7 milhões de litros de vinho por ano, o vale vem se destacando como modelo de desenvolvimento para o Nordeste. A vinicultura pernambucana/baiana já detém 15% do mercado nacional e emprega diretamente 30 mil pessoas na única região do mundo que produz duas safras e meia por ano.

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Segundo dados do site especializado Academia do Vinho, o Vale do São Francisco abrange 500 hectares de áreas de uvas viníferas, 7 mil hectares de áreas de uvas comuns e 7,5 mil hectares de vinhedos. Entre as variedades tintas, destacam-se Syrah e Cabernet Sauvignon; entre as brancas, Moscatel, Muskadel, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Silvaner e Moscato Canelli.

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A produção atual da região é da ordem de 7 milhões de litros ao ano e aumenta entre 5% e 10% ao ano desde 2001, segundo José Gualberto Almeida, presidente do Instituto do Vinho do Vale do São Francisco.

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Em fevereiro de 2006, na Unidade da Embrapa Semiárido em Petrolina (PE) – foto noturna abaixo -, foi inaugurado um Laboratório de Enologia com tecnologia para ser um dos mais modernos do País. O objetivo é empreender análises dos vinhos da região com monitoramento da qualidade e certificação da procedência do que é produzido no Vale do São Francisco. O investimento inicial da Finep e Embrapa foi de R$ 1,4 milhão. No mesmo ano, foi assinado convênio entre as instituições, no valor de R$ 795 mil, para implantação de vinhedos que pudessem servir de base para selecionar e divulgar novos cultivares, permitindo o desenvolvimento da pesquisa de novos vinhos com características peculiares da região.

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Entre as variedades já testadas, a uva espanhola Tempranillo foi a que apresentou melhores resultados. Outra aposta é a francesa Petit Verdot, que costuma ser usada numa proporção de no máximo 5% nas combinações com outras uvas, mas foi testada em um vinho varietal – que usa de 70% a 100% de apenas um tipo de uva. A terceira indicação é a italiana Barbera, do Piemonte. Todas estão em testes em vinícolas locais. Até agora, a uva que melhor tinha se adaptado à região era a Syrah.

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A Vinícola Vinibrasil, situada em Lagoa Grande, está no polo produtor desde 2002. Possui grande aceitação entre os apreciadores da bebida e as marcas Paralelo 8, top com premiações internacionais, e os espumantes Rio Sol, são carro-chefe entre os rótulos da indústria. A sede da vinícola serviu de cenário para as principais cenas da minissérie Amores Roubados, da Rede Globo, exibida em janeiro, na qual o ator Cauã Raymond viveu um sommelier ousado e conquistador.

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Dos cerca de 7 milhões de litros produzidos por ano, a Vinibrasil é responsável por aproximadamente 1,5 milhão de litros. Além do Rio Sol e do Paralelo 8, a Vinibrasil disponibiliza para o mercado as marcas Rendeiras, Adega do Vale e Vinhamaria. A indústria gera 110 empregos diretos e 250 indiretos. A vinícola recebe média de 1 mil visitas ao mês, e o pacote completo custa R$ 130.

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Em Casa Nova (foto acima, plantação com igrejinha), no Norte baiano, o polo produtor de vinhos do vale são-franciscano tem na Vinícola Miolo excelência em produzir marcas tradicionais como Terranova e a conceituada entre os amantes do vinho, Testadi tinto. A vinícola produz anualmente 2 milhões de litros entre vinhos e espumantes e gera 150 empregos diretos.

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O turismo do vinho tem cada vez mais tomando corpo na Fazenda Ouro Verde, sede da Miolo em Casa Nova. O grupo lançou há cerca de dois anos o ‘Vapor do Vinho’, uma agradável passeio pelo rio São Francisco, passando pela barragem de Sobradinho (BA) até chegar nas terras férteis das vinhas que fazem os vinhos conhecidos internacionalmente. O grupo Miolo trabalha com 11 marcas de vinhos.

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Pioneiro em produzir uva e vinho do Sertão pernambucano, o empresário e hoje vice-prefeito de Santa Maria da Boa Vista, José Gualberto Almeida, é um otimista. Ele sabe que muito caminho ainda será percorrido para que a região esteja consolidada no mercado vinícola nacional e mundial e como destino do enoturismo no País.

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“Uma região vinícola leva tempo para se firmar. Nos grandes centros produtores, varia de 50 a 100 anos. Nós estamos evoluindo bem. A nossa marca, os vinhos Botticelli, é pioneira. Estamos no mercado há 28 anos e sempre buscando evoluir”, observou Gualberto, que também preside o Vinhovasf (Instituto de Vinhos do Vale do São Francisco). A região ainda tem as vinícolas Biachetti e Garziera. A primeira tem focado em produzir vinho fino orgânico. Já a última é pioneira no receptivo turístico do vinho e na produção de suco natural de uva com a marca Sol do Sertão. O seu fundador, o enólogo Jorge Garziera, foi o primeiro a trazer uva para o vale do São Francisco e foi em sua segunda gestão, em 2001, que o Polo Vitivinicola do Vale do São Francisco, foi criado oficialmente.

Fonte: Portal Brasil; fotos: divulgação/Rio Sol e banco de imagens