Eu só quero chocolate – minha visita à Expo Chocolate

Casa-Main.jpg

Fui ontem passear na feira Expo Brasil Chocolate 2017, que acontece até hoje, 8, no Centro de Convenções Frei Caneca, em SP. O evento tem participação de produtores e comerciantes de todo o Brasil, e apresenta novidades, novas técnicas e melhorias na produção do chocolate, com a exposição de equipamentos, embalagens e matéria-prima.

No Brasil, a indústria do chocolate tem faturamento de R$ 12,4 bilhões anuais. E o consumo per capita é de 2,8 kg, por ano, igualando-se à Itália.

Meu foco era conhecer novos chocolates. Provei dois que gostei muito, o Espírito Cacau, da cidade de Linhares, no Espírito Santo; e o CasaLuker, da Colômbia.

Fundada em 1906 na Colômbia, a marca CasaLuker tem produtos derivados de cacau Fino de Aroma, com ampla gama de chocolates, massa e manteiga de cacau, cacau em pó e grãos de cacau com certificações em qualidade que atendem aos mais altos padrões internacionais. A Colômbia que é mundialmente conhecida por produzir alguns dos melhores cafés do mundo, também produz bons cacaus. Os chocolates CasaLuker (estão no estande da Emulzint) têm aromas frutais, florais e nuances de malte. São feitos com os cacaus Criollos e Tributários e são bastante originais, com gostinho de licor de chocolate, embora representantes da marca tenham me dito que não há álcool nos produtos.

 

chocolatesespiritocacau03-626x469.jpg

Outro chocolate que conheci foi o Espírito Cacau. Falei com o diretor de marketing da casa, Orlando Gligani, que trabalhou por muitos anos na marca Kopenhagen, decidindo deixar a cidade grande para morar próximo às plantações de cacau do Espírito Santo. Provei três deliciosos sabores, 31% (ao leite), 46% e o 70%. Bastou um mordida em cada um deles para eu perceber que os produtos são de primeira. Tem aquele gosto de chocolate de verdade, que é impossível encontrar nas gôndolas dos supermercados e mercearias do Brasil.

Ao olhar os ingredientes de uma barra de chocolate, você percebe que um produto tem quantidade boa de cacau olhando a sequência de produtos. A maioria começa por açúcar. Muitos trazem açúcar, leite, gordura hidrogenada e a massa de cacau vem lá no fim. Ou seja, o cacau passa longe desses produtos.

Os dois que provei na visita às Expo Chocolate trazem cacau como o primeiro ingrediente. Eles deviam servir de exemplo para a industrial nacional. São 100% naturais, saudáveis e saborosos, utilizando ingredientes naturais, isentos de corantes, conservantes (como a famigerada gordura hidrogenada) e aromatizantes.

Uma pena que a legislação brasileira do cacau é tão falha! Isso permite que sejamos enganados quando compramos uma barra. Na minha opinião, o chocolate da Nestlé de supermercado é o pior de todos. É até pior do que o Lacta e o Garoto. A Brasil Cacau e o Cacau Show têm alguns produtos bons, mas a maioria ainda é muito ruim. Gente, vamos melhorar o chocolate do Brasil?

Mas voltando à feira, visitantes que realizarem compras acima de R$ 30, na Praça do Cacau, concorriam ao sorteio de uma barra de chocolate de 20 quilos por dia, confeccionada pelo chef Ednei Bruno (Le Chef Gatô). O espaço da feira ainda tem exposição de bolos esculpidos. Mais de 80 profissionais foram convidados para inspirar o público com propostas bacanas de bolos decorados.

Bem, aproveitei a visita para tomar um Café da Condessa, com nossa amiga Maria Carolina de Lima, produtora de um bom café no Sul de Minas Gerais. A marca está com um estande na feira, servindo um café gostoso como sempre.

Se você gosta de chocolate de qualidade, vale conhecer a feira, que termina hoje. Veja mais informações aqui: http://www.expobrasilchocolate.com.br

Anúncios

Livro ensina receitas de alta gastronomia diet e light

Robalo grelhado com gratin de cebolas e legumes torneados - 01

O livro Alta Gastronomia Diet e Light, dos autores Myrian Abicair e Filipe Baccarin, apresenta receitas com baixo teor de gorduras, redução de sal, sem glúten e sem lactose, que não lembram em nada a falta de sabor associada a dietas com essas restrições alimentares para hipertensos, celíacos e intolerantes à lactose.

A publicação da Editora Senac São Paulo reúne pratos sofisticados, testados e indicados para quem busca qualidade e os prazeres da boa gastronomia de forma ainda mais saudável. São receitas do melhor da culinária francesa e italiana com 30% a menos de calorias, e sem usar glúten e lactose.

Aprenda a fazer o robalo grelhado com gratin de cebolas e legumes torneados, presente no livro. O pato tem apenas 219 kcal por porção

Ingredientes (para 4 porções):1 cebola (120 g), 8 g de manteiga clarificada, 20 ml de água, 15 g de muçarela sem lactose, 120 g de batata torneada em cocote, 90 g de abobrinha torneada em cocote, 2 colheres (sopa) de vinagre, 400 g de robalo, 1 colher (sopa) de cebolinha francesa picada, tomilho-limão a gosto. Molho: 100 g de polpa de maracujá, 150 ml de água, 2 colheres (sopa) de sucralose, 6 g de amido de milho.

 Modo de preparo: Descasque a cebola e passe-a em um mandolim na espessura mais fina possível. Coloque-a em uma caçarola junto com a manteiga, as folhas de tomilho-limão e a água. Tampe, leve ao fogo até que a água seque, espalhe a cebola sobre uma assadeira, polvilhe o queijo por cima e leve ao forno a 200°C por 10 minutos. Cozinhe a batata e a abobrinha, separadamente, em uma panela com água e vinagre.

Molho: Em um copo para mixer de mão, coloque a polpa do maracujá, a água, a sucralose e o amido de milho. Bata com o mixer de mão, passe a mistura por uma peneira, coloque-a em uma panela e leve ao fogo para engrossar. Grelhe as postas de robalo e, para servir, coloque o molho no centro do prato e disponha as batatas e as abobrinhas em volta do molho. Coloque o robalo grelhado no centro do prato e, por cima, as cebolas gratinadas. Polvilhe a cebolinha por cima do molho, bem como algumas folhas de tomilho-limão. Decore com um ramo de tomilho, cebolinha e casca de maracujá.

Brasil a Gosto visita o Espírito Santo

SCH

A chef Ana Luiza Trajano é danada! Nas suas últimas andanças Brasil afora, em busca de sabores e receitas, visitou o estado do Espírito Santo, encontrando uma culinária que vai muito além do oceano.

As receitas do litoral se unem aos sabores do interior, onde os imigrantes, principalmente os italianos, incorporaram novos ingredientes e aromas. A passagem pelas terras capixabas, revelou embutidos, diferentes queijos como o resteia e o puína, frutas e outras marcas deixadas pelos índios, italianos, africanos, pescadores, agricultores e artesãos.

Brasil-a-gosto_moqueca-baixa

Inspirada em sua recente viagem, acaba de lançar um menu para celebrar a região. Para começar, serve petisco formado por um trio composto por caldo de peixe, bolinho de arroz de polvo e marinado de siri. Para a entrada, Polenta braseada com molho de queijo resteia e socol (primeira foto do post).

Entre as sugestões de pratos principais estão a Moqueca capixaba (segunda foto) e a Rabada com feijão manteiga, acompanhada de purê de jaca. Para sobremesa, o Bolo de jaca com sorvete de puína é servido com calda de araçauna (abaixo). Tudo impecável, dos sabores dos ingredientes ao cozimento dos pratos, das fotos espalhadas pelo salão ao sorriso dos funcionários.

SCH_2

Serviço: Brasil a Gosto http://brasilagosto.com.br/

Fotos: divulgação

Roma e o ‘cacio e pepe’ ideal

italia

É uma falha de currículo escrever sobre gastronomia há pelo menos dez anos e nunca ter vindo à Itália. Enfim, a oportunidade aconteceu e escrevo este post do terraço da casa da Elisabetta, amiga que me hospeda, no Norte de Roma, próximo a ponte Milvio.

itali

Pouco antes de chegar, fiz contato com a jornalista e pesquisadora da área de gastronomia Letícia Rocha, que além de me levar a lugares frequentados por romanos, como o Circolo degli Artisti (uma espécie de Studio SP da cidade, com feiras de culinária, bar, djs, shows, expos) e via del Pigneto, disse que a cozinha romana é carbonara, cacio e pepe (pecorino e pimenta do reino), amatriciana (tomate, pancetta, pepperoncino/pimenta), gricia (amatriciana sem tomate), nhoque alla romana, coda alla vacinara (rabada).

Destes pratos, escolhi testar, esta semana romana, o cacio e pepe, talvez por ser o mais simples. Não que não esteja provando carbonaras e amatricianas. Na noite de ontem pedi um espaguete amatriciana numa tratoria sem nome e bem familiar na rua principal do Trastevere e estava muito bom. Giobert, meu amigo, pediu um carbonara delicioso, em que pude sentir o gosto da farinha de trigo, do queijo, do porco, do ovo, da pimenta, do sal…

Mas a ideia é ver como os restaurantes se saem neste prato tão simples que é o cacio e pepe, feito com pimenta do reino ralada na hora e queijo pecorino, além de um pouco de água do cozimento da massa, que dá cremosidade ao prato, assim como no caso do carbonara (receita abaixo).

O primeiro que comi foi numa tratoria bem turística ao lado do Coliseu, a Binario 4. Apesar de a massa estar al dente, como deve ser, o prato não tinha lá muito gosto. Pedi o pimenteiro e ficou um pouco melhor. Pedi mais queijo e o garçom se fez de desentendido. Bem, áreas turísticas são quase sempre assim, infelizmente. Quando trabalhei no restaurante Le Patio Gourmand, do Yann, na costa de Brest, na França, não deixava isso acontecer. Fazia questão de ter bons ingredientes, que eu próprio comprava no supermercado Metro, mesmo sabendo que os clientes – na maioria turistas – provavelmente não iam voltar tão cedo ao local, já que a costa em que estava é um porto de passagem e nada mais.

Mas voltemos ao cacio e pepe…. hoje vou provar mais alguns. Depois escrevo para vocês para falar o que há de bom na cidade. Talvez vá para o Roma Sparita, conforme sugestão da Letícia, que mora aqui há um ano e meio. O lugar ficou famoso depois do Antonhy Bourdain passar por lá. Há ainda  um uma opção perto do Vaticano, a uma quadra do metro, na Via Otranto, Fica na esquina, o Luna Bistro, com massas feitas no dia. É frequentado só por locais e tem sugestões que custam cinco euros, no almoço. Perto Pantheon, um clássico das massas é o Alfredo del Pantheon. Devo passar por lá também.

Depois, venho aqui para contar como foram as experiências e também com sugestões de comida de rua e pizza vendida em pedaços, que aqui chamam pizza al taglio (quatro ou cinco quadrados de sabores diversos custam 3,5 euros, mais ou menos).

Receita

Ingredientes: 300 g de espaguete; 200 g de Pecorino Romano ralado; pimenta preta moída e sal a gosto; azeite. Modo de fazer: Cozinhar a massa em água fervente com sal e um fio de azeite. Colocar 1 concha da água da massa em um recipiente. Escorrer a massa e levá-la ao recipiente com a concha d’água. Mexer bastante e adicionar o queijo, até formar um creme. Moer pimenta e mexer mais um pouco.

Uma praiazinha de areia branca

P1010713

Na língua dos índios guaranis, Tabatinga quer dizer praia de areia branca e fina. É também o nome de uma das praias mais bonitas do litoral norte de São Paulo, a apenas 190 km da capital, uma baía de águas rasas rodeada por ilhas, entre Caraguatatuba e Ubatuba, onde o rio Tabatinga se encontra com o mar.

P1010708

Do lado norte da praia, há uma vila rústica de pescadores, que conheci ainda criança, quando ia ao litoral norte com a minha família. Devia ter, mais ou menos, 10 anos e a paisagem faz parte do meu roteiro sentimental de viagens. Me lembra manhãs ao sol, castelinhos de areia, arroz com mexilhão, peixe fresco frito, ensopadinho de camarão, picolé de coco e bolo de laranja com cobertura de chocolate.

P1010731

O que não conhecia neste pedaço de paraíso é o condomínio Costa Verde Tabatinga, onde está situado o hotel boutique Costa Verde Tabatinga Hotel, pequena joia entre as montanhas da Serra do Mar e as águas claras do Atlântico, onde passei o fim de semana.

P1010741

Fundado há mais de 30 anos, o hotel hospedou inicialmente empresários que construíam suas casas na bela baía cercada de Mata Atlântica e de frente para a Ilha do Tamanduá.

P1010738

Em 2011, o Grupo Royal São Paulo, que atua no setor de turismo e investimentos, assumiu a gestão. De maio a novembro daquele ano, o hotel passou por uma grande reforma, com decoração que valoriza a cultura regional, em artesanatos e jardinagem (muito bem cuidada), em que não faltam salas de leitura, espaços externos para drinks, salões de festa, tudo cuidado nos mínimos detalhes.

P1010687

Um dos meus espaços preferidos é o lobby que traz um sofá-barco e cadeiras de vergalhão italiano, enfeitado com vasos de orquídea, objetos de cerâmicas e abajures, um espaço aconchegante de onde é possível ver tanto a vegetação da montanha como o mar, que estão presentes o tempo todo – e bem próximos da gente – com suas belezas e perfumes.

P1010710

Chegando ao local, me impressionou o drink de ‘boas-vindas’, ao lado da recepção, numa mesa com frutas e água aromatizada, fui pro quarto, claro e amplo, de frente para as montanhas.

P1010700

Lá, encontrei frutas frescas, além de uma caixinha de quitutes da Cheesecakeria. Como resistir?

P1010718

Cheguei na sexta-feira ao local Uma visita ao restaurante Manduca, que fica dentro do Costa Verde Tabatinga Hotel, foi mais do que providencial. Decorado com patchwork de papéis de parede e mix de tecidos e estampas lustres coloridos, além de uma bela coleção de louças criadas especialmente para a casa, todas pintadas uma a uma, a casa impressiona pelo visual.

P1010690

O chef do Manduca, Rafael Machado, traz em seus pratos influências regionais caiçaras em leituras modernas. Um dos primeiros que pedi foi a casquinha de siri com leite de coco.

P1010715

O peixe do dia veio em seguida, com arroz à grega, tudo fresquinho. No menu com couvert, entrada, principal e sobremesa (por R$ 95) ainda veio uma taça de sorvete de chocolate com calda de chocolate ao leite e farofa. Não sei se foi o cenário, se estava no lugar certo, na hora certa, mas me pareceu o melhor sorvete do mundo. Tanto é que o repeti em outras refeições nos dias seguintes.

P1010692

O restaurante e seu entorno foi um dos meus locais favoritos da viagem. Durante o verão, a hospedaria leva chefs convidados para almoços a quatro mãos com o chef do lugar. No fim de semana passado, estava lá Rafael Alvarez, do Cena, restaurante da capital paulista. Ele serviu, no bar da piscina, petiscos e amuse-bouche de pato desfiado, mini-hambúrguer de vegetais e bacalhau, quadradinhos de melão com presunto cru, bolinho de carne seca com mandioca.

foto

No almoço, pedi um risoto de camarões muito frescos com açafrão. O fruto do mar costuma ser comprado dos pescadores locais. Conheci um deles, por acaso, enquanto passeava na praia, o seu Adalberto. Ele me contou que o Tabatinga Hotel costuma valorizar os trabalhadores/pescadores da região, coisa que já imaginava.

P1010702

À noite, o jantar feito a duas mãos, pelos dois Rafael teve direito a música ao vivo. Pedi nhoque de banana da terra recheado de queijo coalho com molho de leite de coco e tucupi, acompanhando peixe branco grelhado, mais uma vez fresquíssimo, um prato fez com que eu dormisse feliz.

P1010703

Na manhã de domingo, a hospedaria serviu um brunch com massas recheadas, frutas, bolos e vários pães feitos ali mesmo, diariamente, pelo chef padeiro, Bruno de Mello. Assim que me disseram que a casa possui uma padaria para a produção própria, mais do que depressa quis conhecê-la.

P1010735

De lá saem todas as manhãs pães de centeio, integral, pão francês com crosta de queijo, croissants, pão de miga, muffins, bolos, num café da manhã desses que a gente não tem vontade de deixar a mesa.

P1010716

O restaurante não apenas hospedes, mas comensais diversos. É bom ficar atento a programação de verão do lugar e aos chefs convidados. Há inclusive uma festa de réveillon que promete. Custa R$ 350 por pessoa, com comida e open bar. Imagino que a experiência de uma festa assim seja bacana no lugar.

P1010719

De qualquer forma, um bate-volta de São Paulo ao restaurante ou a um fim de semana é garantia de diversão e belo cenário garantidos. Caso chova num dos dias, das 9h às 17h, a hospedaria oferece uma estadia grátis num outro fim de semana.

P1010711

Serviço: http://tabatingahotel.com.br/

Fotos: Antônio Carrion

Onde estão Mara Salles e Carla Pernambuco na lista dos melhores do Brasil?

Carla

Talvez esteja levantando a questão tarde demais. Faltou chefs brasileiras na premiação dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina 2014, que aconteceu semanas atrás, em Lima, no Peru – a versão para o continente latino-americano da “The World’s 50 Best Restaurants”, que reúne os supostos melhores restaurantes do mundo.

Entre os brasileiros, destaques para os sempre (muito) bons Alex Atala (D.O.M.), Helena Rizzo (Maní),Thiago Castanho (Remanso do Bosque). Mas onde está a Mara Salles (Tordesilhas)? E a Carla Pernambuco (Carlota)?

marasalles

Entre os nove restaurantes brasileiros premiados, há apenas duas representantes mulheres, a Helena e a Roberta Sudbrack (do restaurante que leva o seu nome, no Rio). Não sei se houve uma espécie de sexismo aí. De qualquer forma, não vamos nos esquecer de que a culinária nacional, na sua essência, é predominantemente feminina, a cozinha das mães e avós, esse patrimônio das nossas mesas e da nossa diversidade cultural.

A Mara Salles e a Carla têm alguns dos melhores restaurantes de São Paulo. Disso, todo mundo sabe. São criadoras de primeira categoria. A Mara é uma pesquisadora incansável. Tem trabalho de formiguinha. Certa feita, liguei para ela para uma entrevista e ela estava no semiárido brasileiro, passando temporada e pesquisando tudo o que se refere a bode no Brasil. Já a Carla, por ter criado dois clássicos da restauração brasileira, imitados à exaustão – petit gateau de doce de leite e suflê de goiabada com calda de queijo –, merecia constar nas listas dos melhores para todo o sempre.

Na minha lista, eu deixaria de fora o Épice, do Alberto Landgraf (não há criação de cultura no trabalho dele, é insípido); subiria de posição o Attimo, do Jefferson Rueda; e colocaria lá em cima os nomes da Mara Salles e da Carla Pernambuco, ou melhor, os seus restaurantes, Tordesilhas e Carlota.

Lista dos brasileiros eleitos em 2014:

3º D.O.M. – São Paulo, Brasil
4º  Maní – São Paulo, Brasil
12º  Mocotó – São Paulo, Brasil
13º  Roberta Sudbrack – Rio de Janeiro, Brasil
34º  Remanso Do Bosque – Belém, Brasil
35º  Olympe – Rio de Janeiro, Brasil
36º  Épice – São Paulo, Brasil 

38º  Attimo – São Paulo, Brasil 
44º  Fasano – São Paulo, Brasil

São Paulo recebe festival de cachaça

Quatorze bares de São Paulo aceitaram o desafio de criar drinques inéditos com cachaça, dentro do evento Conexão Cambraia, que chega à sua terceira edição e reúne 14 importantes estabelecimentos da cidade. De 13 de Setembro – considerado o dia da cachaça – a 11 de Outubro, cada um desses bares terá em seus dois drinques especialmente criados para o festival; em todos eles, a cachaça Cambraia envelhecida durante 12 meses em barris de carvalho francês, será usada no preparo das bebidas. Veja a receita de duas delas criadas para o evento:

Conexão Cambraia 2014 - NA MATA CAFÉ - Drinque ''CRANLEC'' - Foto Wellington Nemeth (04) WEB

Cranlec: 50 ml de Cachaça Cambraia, 25 ml de licor Triple Sec, 25 ml de suco de limão, 1 colher de café de açúcar. Modo de fazer: Colocar todos os ingredientes na coqueteleira e agitar por 30 segundos. Na taça Dry Martini fazer uma crosta de açúcar e colocar o drinque. Finalizar colocando cinco gotas de groselha como decoração. (receita do na Mata Café, do bartender Márcio de Souza)

Conexão Cambraia 2014 - BAR NÚMERO - Drinque ''MOSCOW PIRA'' - Foto Wellington Nemeth (03) WEB

Moscow Pira: 50 ml Cachaça Cambraia, 10 ml de suco de limão, 30 ml de mix cerveja e gengibre, cobertura de espuma de gengibre e hortelã. Modo de fazer: Em uma caneca de ágata colocar gelo e em seguida os demais ingredientes. Misturar bem e finalize com a espuma e a hortelã. (receita do Bar Número, bartender Dantley Monteiro)

Serviço: cachacacambraia.com.br

Fotos: divulgação

Sobre gastronomia molecular

salada de frutas

Vamos falar de gastronomia molecular? O que você acha? Essa culinária veio para ficar? Entrevistamos a chef Angélica Vitali, craque nessa seara. Veja o que ela diz. De quebra, ela ainda nos ensina a fazer caviar de cebolinha em casa.  

angelica

Quais são as novidades em matéria de gastronomia molecular? A gastronomia m0olecular tem novidades sempre, acredito que para o Brasil, a grande novidade foi a chegada dos produtos da linha de Albert y Ferran Adrià.

franmigmon

Quais as receitas desta culinária que vieram para ficar? As especificações, são a primeira técnica que as pessoas lembram quando falamos do tema, os caviares, as esferas, todo mundo quer saber como se fazer e usar. Essas técnicas foram usadas primeiramente por Ferran em 2003 e até hoje fazem muito sucesso. Além de deixar o prato mais bonito, a sensação, por exemplo do caviar, é a mesma do caviar verdadeiro. Muda-se apenas o sabor.

molecull

Quais os melhores representantes desta gastronomia no Brasil? Poderia citar pratos desses chefs? Helena Rizzo, com sua famosa feijoada, em que utiliza também a técnica de especificação, o Mani é um restaurante que amo e vou sempre que posso. Felipe Bronze, que inclusive ganhou um quadro no fantástico com suas delícias.

mani

É possível fazer pratos dessa gastronomia em casa? O que se deve ter em (produtos/utensílios) para esta gastronomia? Hoje, com acesso mais fácil, é possível sim, apenas com texturantes, como chamamos os produtos, você consegue. Para cada técnica você precisa de determinados conjuntos, por exemplo, para gelificação, podemos usar o Agar, para especificação, podemos usar o Algin e o Gluco.

ferr

Poderia ensinar aos nossos leitores uma destas receitas? Caviar de Cebolinha (Gastronomia Molecular): Ingredientes: 100 ml de água; 150 ml de cebolinha batida em mixer; 2.5 g de Alginato. Ingredientes para o banho: 250 ml de água; 2,5 g de cloreto de cálcio. Modo de preparo: Com o Mixer 3 em 1 Oster, misture a água, a cebolinha e o alginato. Em uma travessa, coloque a água e o cloreto de cálcio e misture bem, reserve para o banho. Coloque a mistura da cebolinha em uma bisnaga e vá pingando na solução do banho, os caviares Irão aparecer imediatamente. Passe posteriormente em água filtrada antes de servir. Dica: Use esse mesmo processo para o caviar de café, mudando apenas os ingredientes e respeitando as quantidades de liquido e produtos. Use este mesmo processo para o caviar de hortelã, mudando apenas os ingredientes e respeitando as quantidades de liquido e produtos.

Serviço: www.angelicavitali.com.br

Fotos: divulgação

* com exceção da feijoada molecular do Mani e da última foto deste post (Adriá), todos os outros pratos são da Angelica Vitali. 

Domingo em Buenos Aires

Vou fazer um post com bastante foto, certo? Um post de fotolegendas. É que estive brincado de ser fotógrafo nestes dias, na capital argentina.

P1010567

Bem, no domingo, acordei com duas ideias fixas. Uma delas era comer meia luna com doce de leite. Para quem não sabe, meia lunas são pequenos croissants que os argentinos comem no café da manhã. Para meu deleite, encontrei as ditas cujas no breakfast do hotel Vista Sol. Elas estavam fresquinhas e deliciosas, assim como o doce de leite (amo o doce argentino!).

P1010555

O outro desejo era me perder pelas ruas do bairro La Boca, entre a Calle El Caminito e adjacências. Sei que é um programa para lá de batido, mas sempre é bom andar na feirinha livre; ver a ‘galera’ chegando ao estádio de futebol La Boca, para dia de jogo; entrar nas pequenas galerias, com suas lojinhas de arte e artesanato.

P1010568

Programei o almoço para o Il Matterello, que fica a uns dez minutos do point mais movimentado do La Boca. A indicação foi feita pela Ana Maria Massochi, dos restaurantes Jacarandá, La Frontera e Martin Fierro, e pelo escritor Humberto Werneck. Ambos estiveram lá semanas antes e foram categóricos quando pedi sugestão de restaurantes.

P1010571

A casa existe no mesmo endereço há mais de 20 anos e quem cuida é uma família italiana. O clã fala em italiano entre si e os fregueses de domingo pareciam ser seus amigos. Ambiente simples e aconchegante. Na carta, massas caseiras recheadas eram o destaque. Pedi o ravióli verde recheado de verduras da época e frango desfiado. Coberto com um fio de azeite e uma camada farta de queijo pecorino, estava uma delícia. A sobremesa foi uma tortinha de pera, no estilo tartelette. Conta: 150 pesos.

P1010578

Continuei caminho pelas ruas da cidade, até a feira de San Telmo, passagem obrigatória para o turista de fim de semana em Buenos Aires. Indicação do Humberto: sorvete de doce de leite da Persico, marca que conta com unidades espalhadas por toda a cidade. Pedi de doce de leite caseiro com cobertura de doce de leite (foto), por 40 pesos a bola. Não resisti e pedi outros dois. Um de doce de leite com cookies e o terceiro de doce de leite com chocolate.

P1010585

Na rua La Defensa, que liga a praça principal em que acontece a feira e a mítica Plaza de Mayo, onde fica o palácio do governo, dezenas de lojinhas de moveis antigos, boutiques de doces e vendedores ambulantes, com suas cestas de doce, churrasco na rua, como na foto abaixo, comida de rua popular que os vizinhos chamam de choripan, ou seja, sanduíche de linguiça assada. Não resisti e pedi um sanduichinho, naturalmente.

P1010590

No caminho, vi até carrinho para venda de café, como nas cidades brasileiras (foto abaixo).

P1010646

Fechei o dia em grande estilo, com jantar no Gran Café Tortoni, casa que funciona desde o século XIX, mais precisamente desde 1858. Comi a melhor carne malpassada da minha vida. Um ojo de bife imenso, acompanhado de salada de batata. Estava delicioso. Para terminar o meu dia de clichês porteños, desci no porão do lugar para o show de tango que acontece todas as noites.

foto 1

O show é bem dirigido, bonito, tem até tango com sapateado. Não me pareceu ser caça-níquel de turista, sabe? O jantar, com coca-cola, ficou em 190 peses e o show em 200 pesos. Como o lugar aceitava reais, paguei R$ 44,00.

foto 2

Serviço:

Il Matterello: https://plus.google.com/103316934716794292114/about?gl=br&hl=pt-

http://www.persicco.com

http://www.cafetortoni.com.ar/br/

http://www.vistasolhotels.com/pt/

http://www.adventureclub.com.br/

Fotos: Antônio Carrion

Chocolate do Combu (PA), gostinho da Floresta Amazônica

foto 1

Finalmente provei o chocolate da ilha do Combu (foto abaixo), este fim de semana. O produto artesanal é feito às margens do rio Guamá, por povos ribeirinhos com o cacau forasteiro local. Este chocolate rústico vem embrulhado numa embalagem linda, com folhas de cacau e é feito por dona Nena, que beneficia dez quilos de sementes de cacau por semana.

combu

O chocolate que vem conquistando chefs nacionais – como o paraense Thiago Castanho, que serve doces feitos com o chocolate em seu restaurante Remanso do Bosque – e paladares gourmets é feito a partir de sementes de cacau que são selecionadas, depois fermentadas e torradas, antes de serem espremidas num espremedor caseiro de carne, o que resulta no chocolate propriamente dito, com a massa e a manteiga do cacau amalgamadas.

cacau

O produto é 100% cacau e vem sem açúcar, o que faz com que sintamos toda a complexidade de aromas e sabores. De acordo com a tabela de sabores lançada pelo produtor baiano Diego Badaró, da Amma, pude sentir/perceber aromas florais de jasmim e gerânio; frutados de cupuaçu, frutas secas e ameixa. Pude ainda provar gostinho de macadâmia, azeitona, baunilha, cogumelo, madeira e manteiga. Mas, o que se destaca mesmo é o sabor de Floresta Amazônica. É como se cada barra fosse um naco amalgamado da floresta e sua exuberância.

cacau

Publiquei, ontem, a foto das barras embrulhadas no instagram e muita gente veio me perguntar onde comprei as barras em São Paulo. Comprei com a Antônia (veja serviço abaixo), que vende cada barra de 100g por R$ 6,50. Pedi quatro e ela fez a entrega na minha casa. Aproveitei a iguaria de várias formas. Eu a comi pura, fiz chocolate quente, que ficou delicioso, barrinhas de chocolate ao leite e de chocolate com açúcar e sem leite. Fiz ainda brigadeiro. Embrulhado em suas folhas, com o aspecto rústico e artesanal, é um belo presente para amantes de gastronomia.

Serviço: Onde comprar os produtos – com Antônia PadvaisKas, do Empório Poitara, tel.: (11) 97310-5024 / 98344-4040

Fotos: banco de imagem e Antônio Carrion