Portugal de tantos sabores

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Mesmo que Portugal seja um país de geografia relativamente pequena, sua gastronomia influenciou o planeta no decorrer dos tempos. Um exemplo disso são os famosos tempuras orientais, quitute associado à culinária japonesa, mas levado ao país do sol nascente pelos portugueses, por meio de seus bolinhos fritos, na época das grandes navegações, nos séculos XV e XVI.

O advento das navegações ainda fez com que o país da Península Ibérica passasse a usar muitos produtos do além-mar até então desconhecidos na Europa, como o feijão, a batata, o açúcar, além das especiarias. Isso fez com que sua culinária se desenvolvesse de forma diversificada, criando um país com vocação para a boa mesa, fato que pode ser comprovado nas diversas formas de preparo do bacalhau, da sardinha, do porco, de pães e doces, entre outros produtos que têm sabor único e que são a cara de Portugal.

A minha última viagem a Portugal foi em 2011. Viagem apaixonante. Conheci o país de norte a sul. Nunca me esqueço dos pores do sol no Vale do Douro, na tarde que passei na bela propriedade produtora de vinho e azeite Quinta do Crasto.

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Pois, esta semana, visitei um pedacinho de Portugal. Trata-se do Bar Espírito Santo, uma tasca charmosa que fica no Itaim Bibi, em São Paulo. Por um instante me vi em Portugal. Bastou provar um bolinho de bacalhau, delicioso, frito em óleo novo, que fazia com que o sabor do peixe, do cheiro verde, do alho se desprendessem deliciosamente na altura da minha cara.

A produtora e empresária da área da gastronomia Reila Criscia, que me acompanhava, disse que eu devia provar a sardinha frita da casa. Lá fomos nós pedir o quitute. Este peixe pequenino, que possui de 10 a 15 centímetros, é o mais abundante na costa portuguesa. Já chegou a ser alimento de base da dieta portuguesa em alguns momentos da Idade Média, quando era consumida frita em azeite, sob um pedaço de pão.

Fresca, salgada, em conservas, grelhadas ou assadas na brasa, recheadas e com molhos variados são outras formas de preparo que a sardinha ganhou com o passar dos tempos.

Sempre associada aos povos mais pobres, já chegou a ser excluída dos livros de receitas da cozinha portuguesa. Foi, no entanto, redescoberta há pouco tempo como possibilidade saborosa pela alta gastronomia.

Hoje, figura tanto nas mesas populares, como em criações de grandes chefs.  A importância deste peixe é tão grande ao país, que, desde o começo deste ano, a Associação Nacional das Indústrias de Conserva de Peixe atribuiu-o uma certificação, para que o produto ganhe em competitividade frente a peixes vindos de outras localidades da Europa.

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Já que estávamos as voltas com os alimentos do mar, nada mais justo do que pedir uma frigideira de polvo com cebola e batata. O fruto do mar desmanchava na boca, trazia gostinho de comida fresca.

Em seguida, foi a vez de visitar a terra.  Apesar de ser associada, principalmente no Brasil, ao bacalhau, a cozinha portuguesa tem uma tradição grande de pratos à base de porcos, dos quais se destaca os alentejanos, o porco preto, que tem origem mediterrânea, ou os bísaros, que têm origem celta. Todos viram belos leitões assados e presuntos, ou então um dos produtos de maior destaque desta culinária do país, os enchidos, ou, como chamamos no Brasil, os embutidos, criados devido à necessidade de se conservar carnes de animais abatidos.

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Feitos com tripas recheadas com carne marinada no vinho tinto com alho, grãos de pimenta e sal, podem ser feitos “à pobre” ou “à rica”, dependendo dos produtos que leva, como gordura, farinha de milho, cebola, alho, miúdos, carnes nobres etc. Entre os enchidos mais conhecidos do país, destaque para a alheira, feita por povos judeus com coelho, peru e galinha, no lugar do porco, já que o judaísmo proíbe o consumo desta carne.

Este tipo de enchido nasceu na região de Trás-os-Montes, e é frequentemente considerada uma das mais famosa do país, talvez pela história poética que se conta de que os judeus queriam tanto fazer parte da tradição culinária portuguesa, quanto não perder os laços com suas próprias tradições. No quesito ‘terra’, pedimos um sanduíche de pernil, pão francês recheadíssimo, que ficou estupendo com a pimenta feita na casa. As alheiras fritas à moda do Bar Espírito Santo chegaram a mesa deliciosas.

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Para encerrar o banquete, pedi o bacalhau da casa, este prato que se tornou a cara de Portugal, embora o hábito de se comer este peixe tenha se criado entre a Islândia e a Noruega no século IX, com os povos vikings, foram os povos da Península Ibérica que passaram a comercializar o produto curado, para que fosse melhor conservado.

Os portugueses começaram a consumir este peixe em abundância na época das grandes navegações, pois precisavam de produtos que não fossem perecíveis em suas longas viagens.

Há registros de que no começo do século XVI, navegadores portugueses rumavam para as águas geladas do Canadá para pescar este peixe, que logo se introduziu à alimentação diária do povo. A tradição do bom bacalhau à mesa foi levada adiante até os dias atuais, em assados, ensopados, grelhados e arrozes.

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A força do produto é tão grande no lugar, que há regiões em que cada família tem uma receita diferente da outra. O menu do Bar Espírito Santo tem várias delas. Pedi à moda do chef, assado em posta alta, com cebola, batata e ovo cozido. Desmanchava na boca.

O azeite. Bem, como fazer da culinária portuguesa abordar o azeite? Trata-se de um dos produtos gastronômicos mais antigos de Portugal, talvez o primeiro a ser exportado para as colônias e para o Oriente. No século X já há referência à cultura das oliveiras e no século XIV o produto é descrito como um dos alimentos mais preciosos no comércio local, juntamente com o sal, o pão, o vinho, porcos e peixes.

Mais tarde, no século XVI, além de ser usado na culinária, passou a ser usado na iluminação de tochas das casas e das ruas das cidades. Assim, o azeite português começou a ser exportado também para o Norte da Europa, até que voltasse a ser matéria-prima chave na gastronomia portuguesa, entre os séculos XVIII e XIX.

O Bar do Espírito Santo usa algumas variedades do Herdade do Esporão, extra virgem, claro. Fresco, extraído recentemente.

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Os pães também são base da alimentação portuguesa. Há aqueles que levam na massa ovos e azeite, alguns que levam recheio de chouriço, frango desfiado, e azeitonas verdes. Eu pedi pão doce em forma de rabanada. Estava macio, saboroso, e acompanhava bola de sorvete de creme.

Para finalizar, não podia deixar de fora a doçaria portuguesa. Seu receituário data do século XVI. Teve origem em conventos e mosteiros. Comi um pastel de nata morno, delicioso, quitute que teria nascido no Mosteiro dos Jerônimos, conforme a história. Assim foi a minha noite portuguesa, sem sair da minha cidade. Claro nada substitui viagens, mas foi bom visitar Portugal sem sair de São Paulo.

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Serviço: http://www.barespiritosanto.com.br/espiritosanto/

Fotos: Antônio Carrion e Luna Garcia/divulgação  

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A Roma gastronômica da Letícia Rocha

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Na semana passada, numa tarde quente e preguiçosa de Roma, prometi uma lista dos melhores cacio e pepe da cidade. Jantei em vários lugares bacanas, fiz algumas anotações, foi quando recebi um email da minha amiga a jornalista e pesquisadora de gastronomia Letícia Rocha com dicas preciosas da cidade. Ela está por lá há mais de um ano e sugere programas um pouco distantes dos lugares turísticos da cidade. Aliás, comi em alguns perto do Coliseu e os achei uma roubada.

Não vou dar serviço com os endereços sugeridos pela Letícia. Achei tudo dando uma googada, super simples. Caso você se perca ao procurar um desses lugares, me escreva (tudoaldente@tudoaldente.com.br), que te guio até os lugares.

Vamos às dicas:

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“A cozinha romana é carbonara, cacio e pepe (pecorino e pimenta do reino), amatriciana (tomate, pancetta, pepperoncino/pimenta), gricia (amatriciana sem tomate), nhoque alla romana e coda alla vacinara (rabada).

Onde provar: no Trastevere, bairro típico de tratorias. Mas fuja das ruas principais. Roma Sparita é uma boa opção, já ficou famosinho depois do Antonhy Bourdain, mas ao menos, não fica tão no buxixo.

Perto do Vaticano, a uma quadra do metro, na Via Otranto, na esquina, está o Luma Bistrô, com massas feitas no dia. É frequentado por locais. As sugestões que custam cinco euros, no almoço. No jantar também funciona, acho que com cardápio. Perto do Pantheon, um clássico é o Alfredo del Pantheon, mas melhor reservar ou chegar bem cedo.

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Street food: prove o suppli (bolinho de arroz, primo rival do arancini, com ragu e queijo); a pizza al taglio/quadrada e por peso; porchetta, servida quase sempre em sanduiche. Prove ainda as castanhas no outono (marrons ou castanhas portuguesas). Nesta época do ano elas estão por toda parte. São assadas na rua.

Pizza: prove a ‘bianca’ (como uma focaccia) e pizza ‘rossa’ (só com molho tomate, picante ou não). Piazza bianca com mortadela é uma delícia!

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A melhor pizza quadrada/pão/branca/rossa, pra mim e muitos romanos, e do Panificio Mosca, funciona desde 1916. Fica na Via Candia, extensão da via do metrô Ottaviano, o do Vaticano. Como é bem local, daquelas coisas que não tem senso na Itália, pode fechar no almoço, tem pausa durante a semana (colada neste metrô tem a Lemongrass, sorveteria).

Pizza redonda: nem pense em pedir para mudar o recheio ou fazer meia a meia. O italiano pode voar no seu pescoço.

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A melhor da vida fica na Via del Governo Vecchio, travessa da Piazza Navona (onde está a embaixada do Brasil). Chama Baffeto. Eles são mal humorados, tem fila, não aceitam cartão. Mas é surreal de bom. Vale muito. Essa ruazinha é bem fofa, mas tem que filtrar porque ficam caçando turistas. Ali, na via del Fico, tem o Bar del Fico, clássico do aperitivo dos romanos (das 17h até máximo 21h). Depois, o italiano costuma ir para casa jantar (risos).

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A melhor bianca fica no Roscioli, região do centro histórico Campo dei Fiori (um pouco depois da Navona); ali também há uma massa carbonara dos deuses (para almoçar, jantar, faça reserva). Dá para comprar e comer na rua). Ainda por ali, tem o famoso Filetto de baccala, local que vende filé de bacalhau enorme por cinco euros. Você entra praticamente na cozinha e pega o prato da mão da cozinheira, que acabou de fritar o peixe. Todos no local conhecem o Filetto, que se tornou bem turístico.

Ainda no Campo dei Fiori há a feira mais famosa de Roma, pecado que já vende coisas industrializadas, mas ainda tem coisas boas. Vale a visita. Funciona todos os dias até 12h, menos no domingo.

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No canto da praça, há o Forno, que também concorre como melhor pizza e o Obika Mussarela bar, que, como nome diz, é um bar especializado em musssarela, tudo D.O.C.. É o único restaurante dessa praça que eu aconselho.

Os vinhos da região não são muito famosos, mas, sem pretensão, um Frascati, branquinho gelado, vai bem. O mundo cerveja artesanal na Itália está em franca ebulição: boas cervejarias são a Birra del Borgo, Baladin, Lariano. A Open Baladin é um bar sociedade da Baladin com Borgo. Fica perto do Campo del Fiori e tem mais de 30 cervejas em spina/chope; com cardápio de Gabriele Bonci, que tem a fama de fazer a melhor pizza da cidade (e agora hambúrguer).

No Trastevere, tem a Bir & Fud; e, por ali, também tem um pub bem romano e cervejeiro, o Ma Che Sei Venuto a Fa.

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Gelato: experiente os de fruta, melone (mnelão) e fragola (morango), dois sabores que não têm nas sorveterias italianas do Brasil. São dos deuses. Gelaterias boas: Gelateria del teatro, Grom, Carapina.

Outro clássico da cidade é o tiramisu do Pompi. Incrível! Fica na Piazza di Spagna.

Zonas mais descoladas: Pigneto! La, Circolo degli Artisti (bar, show, expo) e via del Pigneto. Já Monti é alternativo cool, caro, mas fofo. E tem San Lorenzo, que é área mais universitária. Tem hamburguerias boas: Ferrovecchio e Hamburgueseria.

Em Roma o metrô fecha cedo, às 23h30; sexta e sábado, 1:30. Mas a cidade é bem servida dos ônibus noturnos sinalizados nos pontos pela letra N.

Ah, a água dos ‘bebedouros’ é potável, fresca e deliciosa.”

Fotos: Antônio Carrion e banco de imagens

Para saber mais sobre o projeto da letícia em Roma: https://www.facebook.com/pages/Rome-Sweet-Rome/467436096672599?fref=ts

Roma e o ‘cacio e pepe’ ideal

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É uma falha de currículo escrever sobre gastronomia há pelo menos dez anos e nunca ter vindo à Itália. Enfim, a oportunidade aconteceu e escrevo este post do terraço da casa da Elisabetta, amiga que me hospeda, no Norte de Roma, próximo a ponte Milvio.

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Pouco antes de chegar, fiz contato com a jornalista e pesquisadora da área de gastronomia Letícia Rocha, que além de me levar a lugares frequentados por romanos, como o Circolo degli Artisti (uma espécie de Studio SP da cidade, com feiras de culinária, bar, djs, shows, expos) e via del Pigneto, disse que a cozinha romana é carbonara, cacio e pepe (pecorino e pimenta do reino), amatriciana (tomate, pancetta, pepperoncino/pimenta), gricia (amatriciana sem tomate), nhoque alla romana, coda alla vacinara (rabada).

Destes pratos, escolhi testar, esta semana romana, o cacio e pepe, talvez por ser o mais simples. Não que não esteja provando carbonaras e amatricianas. Na noite de ontem pedi um espaguete amatriciana numa tratoria sem nome e bem familiar na rua principal do Trastevere e estava muito bom. Giobert, meu amigo, pediu um carbonara delicioso, em que pude sentir o gosto da farinha de trigo, do queijo, do porco, do ovo, da pimenta, do sal…

Mas a ideia é ver como os restaurantes se saem neste prato tão simples que é o cacio e pepe, feito com pimenta do reino ralada na hora e queijo pecorino, além de um pouco de água do cozimento da massa, que dá cremosidade ao prato, assim como no caso do carbonara (receita abaixo).

O primeiro que comi foi numa tratoria bem turística ao lado do Coliseu, a Binario 4. Apesar de a massa estar al dente, como deve ser, o prato não tinha lá muito gosto. Pedi o pimenteiro e ficou um pouco melhor. Pedi mais queijo e o garçom se fez de desentendido. Bem, áreas turísticas são quase sempre assim, infelizmente. Quando trabalhei no restaurante Le Patio Gourmand, do Yann, na costa de Brest, na França, não deixava isso acontecer. Fazia questão de ter bons ingredientes, que eu próprio comprava no supermercado Metro, mesmo sabendo que os clientes – na maioria turistas – provavelmente não iam voltar tão cedo ao local, já que a costa em que estava é um porto de passagem e nada mais.

Mas voltemos ao cacio e pepe…. hoje vou provar mais alguns. Depois escrevo para vocês para falar o que há de bom na cidade. Talvez vá para o Roma Sparita, conforme sugestão da Letícia, que mora aqui há um ano e meio. O lugar ficou famoso depois do Antonhy Bourdain passar por lá. Há ainda  um uma opção perto do Vaticano, a uma quadra do metro, na Via Otranto, Fica na esquina, o Luna Bistro, com massas feitas no dia. É frequentado só por locais e tem sugestões que custam cinco euros, no almoço. Perto Pantheon, um clássico das massas é o Alfredo del Pantheon. Devo passar por lá também.

Depois, venho aqui para contar como foram as experiências e também com sugestões de comida de rua e pizza vendida em pedaços, que aqui chamam pizza al taglio (quatro ou cinco quadrados de sabores diversos custam 3,5 euros, mais ou menos).

Receita

Ingredientes: 300 g de espaguete; 200 g de Pecorino Romano ralado; pimenta preta moída e sal a gosto; azeite. Modo de fazer: Cozinhar a massa em água fervente com sal e um fio de azeite. Colocar 1 concha da água da massa em um recipiente. Escorrer a massa e levá-la ao recipiente com a concha d’água. Mexer bastante e adicionar o queijo, até formar um creme. Moer pimenta e mexer mais um pouco.

Tatin, a torta ritual

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No próximo dia 24 de setembro é comemorado o Rosh Hashaná, ano novo judaico. Uma das tradições da data é mergulhar a maçã no mel e comê-la, ritual para atrair um ano mais doce e próspero.

Todos os anos o restaurante Chef Rouge, em São Paulo, apresenta a tradicional torta francesa de maçãs, a tatin especialmente para a data. O restaurante aceita encomendas nas duas unidades até o dia 23 de manhã. Custa R$ 130 a unidade, que serve até dez pessoas.

É uma das melhores tatins de São Paulo, viu, gente? Mais gostoso do que levar para casa é se sentar no restaurante é que lindo.

Aproveito o ensejo e passo, abaixo, a receita da minha tarte tatin. É fácil de se fazer e deliciosa.

Ingredientes (massa): 200 g de farinha de trigo (1 xícara e meia, mais ou menos), 125 g de manteiga gelada em cubos (meio pacote), 1 colher (sopa) de açúcar,  1 pitada de sal,  1 a 3 colheres (sopa) de água gelada. Para o recheio: 8 maçãs grandes sem pele, cortadas em oito partes cada (sem sementes), 1/2 limão, 125 g de manteiga  (meio pacote) e
1 1/4 xícara (chá) de açúcar.

Modo de Preparo (massa): Corte a manteiga em cubinhos. Numa tigela, coloque a farinha e os cubinhos de manteiga e misture com as mãos, formando uma farofa. Em seguida, acrescente o açúcar e o sal e misture com as mãos. Adicione uma colherada de água gelada por vez, conforme a necessidade. Vá verificando o ponto da massa. Ela massa deverá ficar lisa e homogênea. Faça uma bola e coloque-a entre duas folhas de plástico filme (pode ser qq plástico, inclusive saquinho de supermercado) e abra a massa até que fique com o tamanho da forma que vc for usar. Recheio: Com uma faquinha afiada, descasque as maçãs e retire as sementes. Corte a maçã (na vertical) em 8  partes e as coloque numa travessa com água e o suco de ½ limão (o limão não deixa que os pedaços escureçam). Numa panela, coloque o açúcar, a manteiga e as maçãs cortadas. Deixe cozinhar até que as maçãs sejam facilmente perfuradas com a ponta de uma faca. (cada pedaço de maçã deve ficar bem dourado). Preaqueça o forno a 180ºC .Numa fôrma redonda antiaderente, distribua as maçãs. A seguir, colocar por cima das maçãs, a massa aberta, até cobrir toda a superfície. Leve a torta ao forno preaquecido e deixe assar por 25 minutos ou até que a massa fique dourada. Retire a torta do forno e deixe esfriar um pouco. Para desenformar a torta, coloque um prato sobre a fôrma, segure bem e vire de uma vez. Se a torta não desenformar de imediato, dê alguns soquinhos na fôrma. Não deixe a torta esfriar muito, pois você correrá o risco de ela ficar grudada na fôrma. Neste caso, e só em último caso, aqueça um pouquinho a torta em fogo baixo e repita a operação. Sirva morna com sorvete de creme.

Serviço: Chef Rouge, rua Bela Cintra 2238, Jardins, São Paulo, tel. 11 3081-7539  

Foto: divulgação

Para entrar no clima da Itália

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Para entrar no clima da Itália, minha próxima viagem, em meados de outubro (vou para Roma e Nápoles), vou falar de alguns vinhos de qualidade que a La Pastina está importando: Terre Barolo DOCG, Terre Langhe DOC Nebbiolo, Terre Dolcetto D´Alba e Terre Barbera D´Alba, disponíveis no Brasil desde agosto.

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Produzidos na vinícola Terre, propriedade familiar de mais de 120 hectares, os vinhos estão entre os mais emblemáticos de Piemonte, ao norte do país. São frutos de mais de 25 anos de tradição da vinícola, elaborados com as mais famosas castas da região de Langhe (“língua” em italiano), uma das mais importantes regiões vitivinícolas italianas.

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Langhe, uma cidade medieval fundada nos tempos da Roma Antiga, é uma área montanhosa espalhada pela Província de Cuneo, cercada por cidades como Barbaresco e Barolo, que inspiram os nomes de seus vinhos. É nos vinhedos com cerca de 300 metros de altura, esparsos entre montanhas de 400 a 500 metros, que nascem uvas como Barbera, Nebbiolo e Dolcetto, matérias-primas dos mais refinados tintos da região.

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Algumas características das bebidas:

Terre Barolo DOCG, safra: 2006, uva: Nebbiolo, tinto, 24 meses em tonéis de carvalho de Eslavônia, 14,5%, serviço: 16ºC – 18ºC, preço para o consumidor: R$ 168,00.

Terre Langhe DOC Nebbiolo, safra: 2010, Nebbiolo, tinto, seis meses em barricas de carvalho francês, 12,5%, serviço: 16ºC – 18ºC, preço para o consumidor: R$ 94,00.

Terre Dolcetto D´Alba, 2012, Alba, Piemonte, Dolcetto, tinto, sem estágio em carvalho,

12,5%, serviço: 16ºC – 18ºC, preço para o consumidor: R$ 75,00.

Terre Barbera D´Alba, 2011, Alba, Piemonte, Barbera, tinto, 12 meses em barricas de carvalho de Eslavônia, 13%, 16ºC – 18ºC, preço para o consumidor: R$ 94,00.

DOLCETTO D'ALBA DOC TERRE copy BAROLO TERRELANGHE DOC NEBBIOLO TERRE copy022748 - BARBERA D'ALBA TERRE

Serviço:

www.lapastina.com

www.emporioeat.com.br

 

Notas de sabor

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Alô, amantes de frio e fondue. Restaurantes da serra fluminense capricharam no cardápio este ano. No restaurante da pousada La Belle Bruna, em Araras, a estrela do menu é o fondue de filé mignon (R$ 98, duas pessoas) – foto. O prato chega com os molhos barbecue, tártaro, mostarda Dijon com mel e ketchup picante com goiabada. Localizada em uma área ambiental no alto do Vale das Perobas, em Araras, a pousada é destino ideal para casais e famílias que buscam paz, tranquilidade e aconchego. (24) 2225-2154 / 2225-1806. www.pousadalabelle.com.br/

Vila St Gallen_Fondue de Chocolate

O Abadia é o restaurante especializado em fondues que funciona, durante todo o ano e sob reserva, dentro do complexo gastronômico Vila St. Gallen, em Teresópolis. A sensação é de estar em um mosteiro: os garçons atendem aos clientes vestidos como frades, e a música predominante no ambiente são os cantos gregorianos. Um clima aconchegante, silencioso e exclusivo, ideal para jantares românticos. Entre diversas opções, é possível degustar o delicioso Mignon ao Bourguignonne (R$ 119,00 p/ 2 pessoas), com seleção especial de molhos, e o Caça na Pedra (R$ 169,00 p/ 2 pessoas), com carnes de javali, jacaré, magret de pato e mignon feitas na pedra, acompanhadas por molhos exclusivos. (21) 2642-1575

Bar do Lado_Petit Fondue de Nutella_Divulgação2

Curiosidades a parte, não é só na serra que se come fondue. O Rio de Janeiro tem ofertas interessantes. A chef Maria Vitória elaborou para o Bar do Lado, no Leblon, o petit fondue de Nutella (acima) com toque de conhaque. Para acompanhar, as frutas são morango, uva e banana, além da farofinha de castanhas que dá uma crocância especial (R$ 34). (21) 2172-1120

Deli 43-Pavelka_Fondue3_Fabio Rossi

No inverno, a Deli 43-Pavelka resgata sugestões quentes, que combinam com as baixas temperaturas. Volta para o cardápio, o fondue de queijo (R$ 46,50), servido com clássicos da representante exclusiva da delicatessen petropolitana: salsichinhas de vitela, de frango e brancas, baguetes e pão de leite. Os embutidos e pães, produzidos artesanalmente, ganham sabor especial mergulhados no gruyère e ementhal borbulhantes. A panelinha serve duas pessoas. www.deli43.com.brO Empório Jardim, recheado de produtos de fabricação própria e fresquinhos, criou para o menu de inverno um fondue que traz queijo, cogumelos e pães, além de tomates cereja e batatinhas calabresa (R$ 89). A sugestão serve duas pessoas. http://www.emporiojardimrio.com.br

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Moda e gastronomia nacionais se unem em um projeto para promover o país e fomentar o turismo brasileiro no exterior. Trata-se do Brasil Fashion and Food, iniciativa que mostrará o país em eventos ligados à moda, aliando a degustação de pratos feitos por chefs brasileiros a roteiros turísticos únicos, evento que tem apoio da Embratur (Instituto Brasileiro do Turismo) – autarquia especial do Ministério do Turismo –, juntamente com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Associação Brasileira de Estilistas (Abest) e Centro das Indústrias de Curtume do Brasil (CICB). O Brasil Fashion and Food construirá espaços gastronômicos especiais em três eventos fashions: feira Miami Swim Show (de 19 a 22 de julho, em Miami, Estados Unidos); All China Leather Exhibition 2014 (de 3 até 5 setembro, em Xangai, China); e, Semana de Moda de Paris (de 27 de setembro a 2 de outubro, em Paris, França). Nestes locais, chefs mostram as particularidades da gastronomia brasileira ao público presente. Rafael Andrade, gestor de marketing do Brasil Fashion and Food, afirma que “nestas ações, o Brasil será apresentado por meio de uma de suas marcantes características, que é a alegria, o que se traduz em uma culinária rica e diversa. Essa imagem promove o país como um destino turístico excepcional.” A primeira edição do projeto, em Miami, teve início no dia 19 de julho, tendo à frente da cozinha brasileira os chefs Mônica Rangel e seu filho, Dalton Rangel. Defensora da cozinha brasileira, ela atua como jurada no programa “Cozinheiros em Ação”, do canal a cabo GNT. Dalton é chef e sócio da empresa Supergourmet, além de apresentar o programa “Homens Gourmet”, no canal Bem Simples, da Fox Channel.

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A rede de restaurantes Maremonti buscou no berço do renascimento a inspiração e o terreno ideais para o cultivo e produção de seus dois rótulos exclusivos de vinhos. Em uma parceria com a tradicional vinícola Castello Di Gabbiano, no Piemonte, noroeste da Itália, foram escolhidas as uvas que iriam dar o sabor e textura às bebidas. Da safra 2011, o Maremonti Rosso é feito com uvas Barbera, que forneceu um paladar seco, fresco, médio corpo com aromas de frutas vermelhas com toque terroso. Para o Maremonti Bianco, a safra 2012 das uvas Sauvignon Blanc e Chardonnay foram ideais para alcançar um vinho seco, leve e fresco, de aromas florais e levemente frutado. Os vinhos Maremonti serão vendidos com exclusividade nos seis restaurantes do grupo, espalhados pelo Brasil. O valor de cada garrafa de 750 ml é de R$ 79 reais. http://www.maremonti.com.br

Fotos: divulgação e banco de imagens

 

Rota do Vinho e o enoturismo no Vale do São Francisco

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O sertão produz vinho, sim senhor. O Polo Vitivinícola do Vale do São Francisco, que reúne sete vinícolas entre o Sertão de Pernambuco e o Norte da Bahia, tornou essa área – em plena Caatinga – a segunda maior produtora de vinhos, espumantes e sucos naturais de uva no Brasil. O polo ocupa uma área de mais de 10 mil hectares entre os municípios pernambucanos de Lagoa Grande (a capital da uva e do vinho do Nordeste) e Santa Maria da Boa Vista (que sedia a vinícola pioneira no negócio), além de Casa Nova (cidade baiana que incrementou o enoturismo na região).

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Responsável por 99% da uva de mesa exportada pelo Brasil e pela produção de 7 milhões de litros de vinho por ano, o vale vem se destacando como modelo de desenvolvimento para o Nordeste. A vinicultura pernambucana/baiana já detém 15% do mercado nacional e emprega diretamente 30 mil pessoas na única região do mundo que produz duas safras e meia por ano.

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Segundo dados do site especializado Academia do Vinho, o Vale do São Francisco abrange 500 hectares de áreas de uvas viníferas, 7 mil hectares de áreas de uvas comuns e 7,5 mil hectares de vinhedos. Entre as variedades tintas, destacam-se Syrah e Cabernet Sauvignon; entre as brancas, Moscatel, Muskadel, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Silvaner e Moscato Canelli.

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A produção atual da região é da ordem de 7 milhões de litros ao ano e aumenta entre 5% e 10% ao ano desde 2001, segundo José Gualberto Almeida, presidente do Instituto do Vinho do Vale do São Francisco.

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Em fevereiro de 2006, na Unidade da Embrapa Semiárido em Petrolina (PE) – foto noturna abaixo -, foi inaugurado um Laboratório de Enologia com tecnologia para ser um dos mais modernos do País. O objetivo é empreender análises dos vinhos da região com monitoramento da qualidade e certificação da procedência do que é produzido no Vale do São Francisco. O investimento inicial da Finep e Embrapa foi de R$ 1,4 milhão. No mesmo ano, foi assinado convênio entre as instituições, no valor de R$ 795 mil, para implantação de vinhedos que pudessem servir de base para selecionar e divulgar novos cultivares, permitindo o desenvolvimento da pesquisa de novos vinhos com características peculiares da região.

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Entre as variedades já testadas, a uva espanhola Tempranillo foi a que apresentou melhores resultados. Outra aposta é a francesa Petit Verdot, que costuma ser usada numa proporção de no máximo 5% nas combinações com outras uvas, mas foi testada em um vinho varietal – que usa de 70% a 100% de apenas um tipo de uva. A terceira indicação é a italiana Barbera, do Piemonte. Todas estão em testes em vinícolas locais. Até agora, a uva que melhor tinha se adaptado à região era a Syrah.

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A Vinícola Vinibrasil, situada em Lagoa Grande, está no polo produtor desde 2002. Possui grande aceitação entre os apreciadores da bebida e as marcas Paralelo 8, top com premiações internacionais, e os espumantes Rio Sol, são carro-chefe entre os rótulos da indústria. A sede da vinícola serviu de cenário para as principais cenas da minissérie Amores Roubados, da Rede Globo, exibida em janeiro, na qual o ator Cauã Raymond viveu um sommelier ousado e conquistador.

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Dos cerca de 7 milhões de litros produzidos por ano, a Vinibrasil é responsável por aproximadamente 1,5 milhão de litros. Além do Rio Sol e do Paralelo 8, a Vinibrasil disponibiliza para o mercado as marcas Rendeiras, Adega do Vale e Vinhamaria. A indústria gera 110 empregos diretos e 250 indiretos. A vinícola recebe média de 1 mil visitas ao mês, e o pacote completo custa R$ 130.

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Em Casa Nova (foto acima, plantação com igrejinha), no Norte baiano, o polo produtor de vinhos do vale são-franciscano tem na Vinícola Miolo excelência em produzir marcas tradicionais como Terranova e a conceituada entre os amantes do vinho, Testadi tinto. A vinícola produz anualmente 2 milhões de litros entre vinhos e espumantes e gera 150 empregos diretos.

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O turismo do vinho tem cada vez mais tomando corpo na Fazenda Ouro Verde, sede da Miolo em Casa Nova. O grupo lançou há cerca de dois anos o ‘Vapor do Vinho’, uma agradável passeio pelo rio São Francisco, passando pela barragem de Sobradinho (BA) até chegar nas terras férteis das vinhas que fazem os vinhos conhecidos internacionalmente. O grupo Miolo trabalha com 11 marcas de vinhos.

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Pioneiro em produzir uva e vinho do Sertão pernambucano, o empresário e hoje vice-prefeito de Santa Maria da Boa Vista, José Gualberto Almeida, é um otimista. Ele sabe que muito caminho ainda será percorrido para que a região esteja consolidada no mercado vinícola nacional e mundial e como destino do enoturismo no País.

Petrolina

“Uma região vinícola leva tempo para se firmar. Nos grandes centros produtores, varia de 50 a 100 anos. Nós estamos evoluindo bem. A nossa marca, os vinhos Botticelli, é pioneira. Estamos no mercado há 28 anos e sempre buscando evoluir”, observou Gualberto, que também preside o Vinhovasf (Instituto de Vinhos do Vale do São Francisco). A região ainda tem as vinícolas Biachetti e Garziera. A primeira tem focado em produzir vinho fino orgânico. Já a última é pioneira no receptivo turístico do vinho e na produção de suco natural de uva com a marca Sol do Sertão. O seu fundador, o enólogo Jorge Garziera, foi o primeiro a trazer uva para o vale do São Francisco e foi em sua segunda gestão, em 2001, que o Polo Vitivinicola do Vale do São Francisco, foi criado oficialmente.

Fonte: Portal Brasil; fotos: divulgação/Rio Sol e banco de imagens