Eu só quero chocolate – minha visita à Expo Chocolate

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Fui ontem passear na feira Expo Brasil Chocolate 2017, que acontece até hoje, 8, no Centro de Convenções Frei Caneca, em SP. O evento tem participação de produtores e comerciantes de todo o Brasil, e apresenta novidades, novas técnicas e melhorias na produção do chocolate, com a exposição de equipamentos, embalagens e matéria-prima.

No Brasil, a indústria do chocolate tem faturamento de R$ 12,4 bilhões anuais. E o consumo per capita é de 2,8 kg, por ano, igualando-se à Itália.

Meu foco era conhecer novos chocolates. Provei dois que gostei muito, o Espírito Cacau, da cidade de Linhares, no Espírito Santo; e o CasaLuker, da Colômbia.

Fundada em 1906 na Colômbia, a marca CasaLuker tem produtos derivados de cacau Fino de Aroma, com ampla gama de chocolates, massa e manteiga de cacau, cacau em pó e grãos de cacau com certificações em qualidade que atendem aos mais altos padrões internacionais. A Colômbia que é mundialmente conhecida por produzir alguns dos melhores cafés do mundo, também produz bons cacaus. Os chocolates CasaLuker (estão no estande da Emulzint) têm aromas frutais, florais e nuances de malte. São feitos com os cacaus Criollos e Tributários e são bastante originais, com gostinho de licor de chocolate, embora representantes da marca tenham me dito que não há álcool nos produtos.

 

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Outro chocolate que conheci foi o Espírito Cacau. Falei com o diretor de marketing da casa, Orlando Gligani, que trabalhou por muitos anos na marca Kopenhagen, decidindo deixar a cidade grande para morar próximo às plantações de cacau do Espírito Santo. Provei três deliciosos sabores, 31% (ao leite), 46% e o 70%. Bastou um mordida em cada um deles para eu perceber que os produtos são de primeira. Tem aquele gosto de chocolate de verdade, que é impossível encontrar nas gôndolas dos supermercados e mercearias do Brasil.

Ao olhar os ingredientes de uma barra de chocolate, você percebe que um produto tem quantidade boa de cacau olhando a sequência de produtos. A maioria começa por açúcar. Muitos trazem açúcar, leite, gordura hidrogenada e a massa de cacau vem lá no fim. Ou seja, o cacau passa longe desses produtos.

Os dois que provei na visita às Expo Chocolate trazem cacau como o primeiro ingrediente. Eles deviam servir de exemplo para a industrial nacional. São 100% naturais, saudáveis e saborosos, utilizando ingredientes naturais, isentos de corantes, conservantes (como a famigerada gordura hidrogenada) e aromatizantes.

Uma pena que a legislação brasileira do cacau é tão falha! Isso permite que sejamos enganados quando compramos uma barra. Na minha opinião, o chocolate da Nestlé de supermercado é o pior de todos. É até pior do que o Lacta e o Garoto. A Brasil Cacau e o Cacau Show têm alguns produtos bons, mas a maioria ainda é muito ruim. Gente, vamos melhorar o chocolate do Brasil?

Mas voltando à feira, visitantes que realizarem compras acima de R$ 30, na Praça do Cacau, concorriam ao sorteio de uma barra de chocolate de 20 quilos por dia, confeccionada pelo chef Ednei Bruno (Le Chef Gatô). O espaço da feira ainda tem exposição de bolos esculpidos. Mais de 80 profissionais foram convidados para inspirar o público com propostas bacanas de bolos decorados.

Bem, aproveitei a visita para tomar um Café da Condessa, com nossa amiga Maria Carolina de Lima, produtora de um bom café no Sul de Minas Gerais. A marca está com um estande na feira, servindo um café gostoso como sempre.

Se você gosta de chocolate de qualidade, vale conhecer a feira, que termina hoje. Veja mais informações aqui: http://www.expobrasilchocolate.com.br

Restaurante Soeta, comida para os sentidos

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Os chefs Bárbara Verzola e Pablo Pavon têm um dos restaurantes de comida mais surpreendentes do país, o Soeta, em Vitória (ES), em que a ideia é surpreender os sentidos.

A dupla trabalhou no extinto El Bulli, de Ferran Adrià, e acaba de ser apontada por Alex Atala como alguns dos seus mais interessantes sucessores. Falamos com Bárbara e Pablo. Veja a entrevista a seguir:

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Os pratos do Soeta sempre têm aparência lúdica. Há formas artísticas diversas. Poderiam dizer de onde vem a inspiração? Nunca ousamos falar que nossos pratos são obras de arte, mas pretendemos que sejam o mais bem apresentado possível, que estimulem a visão e os sentidos. A inspiração vem de vários lugares, vem das praias e do mangue, por exemplo, das montanhas no entorno de Vitória. Mas para fazer um menu de 33 pratos, como no nosso menu degustação, é preciso ter métodos, pesquisar produtos, são testes diários de pratos, pesquisa de equipamentos, de novas tecnologias. É um exercício e tanto.

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Pelo que vocês têm visto no Brasil, quais os movimentos gastronômicos que mais merecem atenção? A nova geração de chefs brasileiros da qual fazemos parte é interessante. Esta geração tem trabalhado no sentido de valorizar o entorno, o Brasil. Não que não seja interessante comer, por exemplo, um foie gras francês, mas vamos buscar também o mel que vem da Amazônia. Nós, sul-americanos, tivemos por muito tempo um certo preconceito e vergonha das nossas culturas gastronômicas. Agora, a coisa mudou. Temos orgulho em divulgar a nossa tradição. Cada um coloca o seu estilo a pratos clássicos, modernos, vanguardistas. Os destaques estão em restaurantes por todos os lados, em Belém, Vitória, Curitiba, Paraíba, Maceió, Rio, São Paulo, Manaus, cidades de Minas Gerais, todos têm embaixadores de grande nível.

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Se tivessem de escolher dois ingredientes nacionais, seus prediletos, quais seriam eles? O que fariam com eles? Entendemos a cozinha como algo global, então fica difícil escolher apenas dois. Bem, gostamos dos cogumelos que um amigo produz em Manaus e também de algas que um fornecedor do Alex Atala tem conseguido em Santa Catarina; são produtos que nos deixam felizes.

Serviço: Rua Desembargador Sampaio, 332 – Praia do Canto, Vitória/ES, tel.:(27) 3026-4433

Fotos: divulgação

Pratos desta matéria: ostra com vinagrete gelada; feijoada de sagu com rabo de porco crocante e falso risoto carbonara (com arroz feito de gema de ovo).