Feira Viva de Verão reúne grandes chefs no Parque Villa Lobos, dia 24

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No dia 24 de fevereiro acontecerá a Feira Viva de Verão, no Parque Villa – Lobos, em São Paulo, com entrada gratuita, participação de chefs, agricultores e barraquinhas com pequenos produtores rurais. Essa é a terceira edição do evento, que acontece de acordo com as estações do ano devido a sazonalidade de produtos, e já contou com participação de nomes como Alex Atala, Rodrigo Oliveira, André Mifano, Eudes Assis, Mario Portella.

 Esta edição da Feira Viva será  em torno de feituras de processos e produtos tradicionais – como o da elaboração de farinhas produzidas a partir de plantas tropicais, o plantio com muvuca de sementes e a extração e a preparação da polpa da Jussara – todos em formato de palestras e demonstrações gratuitas, intercaladas por sessões de curta metragem que estarão dentro da temática apresentada em cada uma.  Estão confirmadas as presenças das chefs Helena Rizzo, do Maní, Bel Coelho, do Clandestino e Mara Salles, do Tordesilhas.

 Além disso, haverá a degustação, a partir das 11h, de pratos a preços populares (até R$25) – como o sanduíche de pastrami da Linguiçaria Real Bragança e a comida de índio Corupaytiba, feita com feijão verde, milho criolo, farinha de mandioca, ora-pro-nobis e Içá, finalizado com molho de tucupi, da Fazenda Coruputuba e a Jussara na tigela (semelhante ao açaí), do Murique Polpa de Fruta Nativa.

Programação de feituras e filmes

(10h30) Feitura da Muvuca de Sementes

Rede de Sementes do Vale do Ribeira – A técnica de “Muvuca de Sementes” para o plantio de florestas é um método que vem de antigas práticas agrícolas e, hoje, pode significar a possibilidade de restauração florestal das vastas áreas degradadas no país – além de possibilitar a organização e valorização de um dos preciosos elos da cadeia da recuperação ambiental, os coletores de sementes. Essas pessoas muitas vezes ainda detém parte dos conhecimentos perdidos acerca da natureza.

 (11h45) Filme: Saberes do Vale – Morar Projeto Saberes do Vale

(12h) Feitura do Doce de Jaracatiá

Eduardo Esperanza Modesto (Fazenda Jaracatiá)

Chefe Convidado: Bel Coelho

 O uso do açúcar na conservação de frutas é uma técnica tradicional utilizada fartamente no Brasil. É a partir dela que podemos preservar e apreciar frutos nativos das nossas matas durante todo o ano. A feitura do doce no tacho tem forte ligação regional, onde cada bioma, cada cultura, tem sua fruta e modo de preparação típicos. O Jaracatiá é uma árvore símbolo na Mata Atlântica e sua preservação está fortemente atrelada à preservação do meio ambiente. São utilizados, além de seu fruto, uma espécie de mamão selvagem, o seu tronco para a preparação de um doces típicos em diversas regiões brasileiras.

(13h15) Filme: Saberes do Vale – Brincar
Projeto Saberes do Vale

(14h) Feitura Farinhas Tropicais

Zé Ferreira

Chefe Convidado: Helena Rizzo e Mara Salles

A preservação de diversos alimentos como cereais e raízes através da feitura de pós e farinhas, faz parte do acervo técnico e cultural das populações tropicais. Vamos aprender algumas dessas técnicas com as comunidades tradicionais litorâneas, como o Quilombo de Picinguaba – SP e do Camburi – RJ. Entre as farinhas produzidas e consumidas por essas populações estão a farinha de inhame, farinha de banana verde, pó de gengibre e cúrcuma, e a famosa farinha e polvilho de mandioca, entre outras.

  (15h45) Filme: Saberes do Vale – Comer
Projeto Saberes do Vale

(16h15)  Feitura PANC na feira
Valdely Kinupp
Chef Convidado: Henrique Nunes

O plantio de plantas de fácil cultivo e adaptação à realidade tropical do país é essencial para a manutenção da saúde humana e do meio ambiente. Vamos conhecer plantas tradicionais que foram esquecidas, as hoje já famosas PANCS,  entendendo seus modos de preparo e curiosidades culturais e nutricionais.

(17h45) Filme: Saberes do Vale – Criar
Projeto Saberes do Vale

(18h)  Feitura Extração da polpa da Jussara
Dr. Leandro Carmo

  Dr. Leandro é especialista em pós-colheita e beneficiamento de frutas nativas e vai demonstrar a extração da polpa do fruto da palmeira Jussara. A Jussara é uma planta nativa da Mata Atlântica, e ficou em grave risco de extinção por causa da extração do palmito. Para estimular seu plantio e inibir o corte ilegal da palmeira, uma alternativa é o consumo do fruto, o que garantiria que a arvore fosse mantida em pé por muitos anos. Alem disso o fruto do Jussara, muito semelhante ao açaí, tem mais nutrientes (antioxidantes e cálcio) do que o açaí. O cultivo geralmente precisa ser feito em ambiente florestal, pois a planta é muito exigente, o que também pode ser um estímulo para o plantio de florestas.

 Sobre a Feira Viva

 A Feira Viva foi idealizada em 2016, em conjunto pelo produtor rural Patrick Assumpção, pela agrônoma Keila Malvezzi e pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), uma das principais entidades representativas do agronegócio, com patrocínio do banco Santander. O projeto, que realizou em maio a sua primeira edição, a de outono, e em agosto a edição de inverno, chega a edição de verão com o mesmo objetivo, o de aproximar o produtor rural e as demandas dos consumidores, sobretudo, das zonas urbanas.

 “O Brasil pode oferecer uma variedade gigantesca de produtos de altíssima qualidade e identidade regional, produzidos com técnicas modernas que conciliam a agricultura, meio ambiente e gastronomia”, destaca João Adrien, diretor da SRB. Segundo Patrick Assumpção, o consumidor precisa saber como os alimentos são produzidos, onde e por quem, para ser capaz de definir um cardápio saudável para sua família. “Por isso, fizemos questão de oferecer somente produtos sazonais e locais”, enfatiza o produtor rural. “A Feira Viva nos traz a possibilidade de disseminar, por meio da gastronomia, novos modelos de negócio que conciliam produção agrícola e preservação ambiental, demonstrando que essas duas atividades podem caminhar juntas.”, diz Assumpção.

 Fundamentado neste contexto, o Santander patrocina a realização do evento como grande oportunidade de mostrar ao público o formato de novos modelos de negócios para todo o agro brasileiro. Com o incentivo, o Santander também reforça sua participação no apoio às inovações empreendedoras e culturais, uma vez que, a gastronomia está entre as grandes expressões da cultura de um País.

 Serviço

Quando: 24 de fevereiro (sábado)

Horário: 9:30h às 18:30h

Local: Parque Villa-Lobos – Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 2001 – Alto de Pinheiros

 No mesmo espaço, mais de 25 produtores rurais estarão vendendo, diretamente para o consumidor, produtos e comidinhas com uma variedade e identidade cultural, como o Sítio Agroflorestal São José (farinhas de mandioca, mandioca com açafrão, fruto de pupunha e banana verde, polvilho, conservas de fruto de pupunha e palmito de palmeira real e geleias de frutas nativas), Maria Preta Jabuticaba (compotas, geleias, polpa congelada, licor e massas de jabuticaba), Fazenda Jaracatiá (cocada paulista, compota de fruto de jaracatiá, mudas de jaracatiá) e Pardinho artesanal (queijo cuesta, mandala e cuesta azul).

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Veja os melhores do mundo da gastronomia, no Brasil

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Pelo 13º ano consecutivo, a revista Prazeres da Mesa premiou os melhores do ano no mundo da gastronomia. Chefs, críticos, estudiosos e especialistas da gastronomia indicaram os finalistas, eleitos em votação popular. Foram 22.174 votos válidos. Veja a lista completa abaixo:

Personalidade da Gastronomia:  Raul Anselmo Randon (O empresário faz parte daquele time que poderia estar aposentado e apenas curtindo tudo o que construiu. Porém, Raul Anselmo Randon pertence ao grupo de pessoas que sente prazer em fazer, criar e inovar. O grupo Randon engloba dez empresas, entre elas uma das maiores fabricantes mundiais de carrocerias de caminhão e de implementos agrícolas. Mas aqui ele é premiado pelas contribuições para a boa mesa. Começa por excelente produção de maçãs, passa pelos vinhos RAR, que elabora em parceria com a vinícola Miolo, na qual é um dos sócios e chega aos queijos. Produtor de um excelente grano padano, ele se prepara para colocar no mercado um parmesão cheio de estilo).

Responsabilidade Social: Instituto ATÁ (Há três anos, Alex Atala e um grupo de apoiadores resolveram criar um instituto para fortalecer as cadeias produtivas dos alimentos provenientes da biodiversidade brasileira. O Instituto Atá cerrou fileira em projetos emblemáticos que definiram um modo operacional, que pode de fato impactar positivamente as cadeias de produção e comercialização de produtos provenientes de comunidades indígenas e tradicionais).

Chef do Ano: Jefferson Rueda (A Casa do Porco Bar, São Paulo, SP) – foto acima

Outros finalistas
André Saburó (Quina do Futuro, Recife, PE)
Daniel Redondo (Maní, São Paulo, SP)
Leonardo Paixão (Glouton, Belo Horizonte, MG)
Rafa Costa e Silva (Lasai, Rio de Janeiro, RJ)

Chef Revelação: Rodolfo de Santis (Nino Cucina, São Paulo, SP)

Outros finalistas
Ivan Ralston (Tuju, São Paulo, SP)
Lui Veronese (CRU – Balcão Criativo, Brasília, DF)
Marcelo Schambeck (Del Barbiere Bistro, Porto Alegre, RS)
Thiago Bañares (Tan Tan Noodle Bar, São Paulo, SP)

Restaurante do Ano: Maní (São Paulo, SP)

Outros finalistas
Lasai (Rio de Janeiro, RJ)
Manu (Curitiba, PR)
Olympe (Rio de Janeiro, RJ)
Tête à Tête (São Paulo, SP)

Restaurante do Ano Norte: Remanso do Bosque (Belém, PA)

Outros finalistas

Banzeiro (Manaus, AM)
La Coquette (Manaus, AM)
Lá em Casa (Belém, PA)
Manjar Das Garças (Belém, PA)

Restaurante do Ano Nordeste: Quina do Futuro (Recife, PE)

Outros finalistas
Amado (Salvador, BA)
Casa de Tereza (Salvador, BA)
Casa Roccia (João Pessoa, PB)
Wiella Bistro (Recife, PE)

Restaurante do Ano Sul: Ostradamus (Florianópolis, SC)

Outros finalistas
Floriano Spiess – Cozinha de Autor (Porto Alegre, RS)
Hashi (Porto Alegre, RS)
Manu (Curitiba, PR)
Nomaa (Curitiba, PR)

Restaurante do Ano Sudeste: Glouton (Belo Horizonte, MG)

Outros finalistas
Lasai (Rio de Janeiro, RJ)
Maní (São Paulo, SP)
Olympe (Rio de Janeiro, RJ)
Soeta (Vitória, ES)

Restaurante do Ano Centro-Oeste: Mahalo (Cuiabá, MT)

Outros finalistas
CRU – Balcão Criativo (Brasília, DF)
Íz Restaurante (Goiânia, GO)
Olivae (Brasília, DF)
Taypá (Brasília, DF)

Banqueteiro: Viko Tangoda, Viko Gastronomia

Outros finalistas
Alessandra Divani, Divani Gastronomia
Fasano, Buffet Fasano
Neka Menna Barreto, Neka Gastronomia
Vinícius Rojo, Rojo Criatividade Gourmet

Brigada de Ouro: D.O.M. (São Paulo, SP)

Outros finalistas
Fasano (São Paulo, SP)
Lasai (Rio de Janeiro, RJ)
Maní (São Paulo, SP)
Olympe (Rio de Janeiro, RJ)

Barista: Flavia Pogliani (The Little Coffee Shop, São Paulo, SP)

Outros finalistas
Danielly Soares (Amika Coffeehouse, Fortaleza, CE)
Graciele Rodrigues (Black Coffee, Curitiba, PR)
Léo Moço (Café do Moço, Curitiba, PR)

Chef Patissier: Carole Crema (La Vie em Douce, São Paulo, SP)

Outros finalistas

Diego Lozano (Escola de Confeitaria Diego Lozano, São Paulo, SP)
Lia Quinderé (Sucré Patisserie, Fortaleza, CE)
Rafael Barros (Opera Ganache, São Paulo, SP)
Saiko Izawa (A Casa do Porco Bar, São Paulo, SP)

Artesão da Gastronomia: Jatobá Orgânicos (conservas, geleias, molhos, purê de frutas, óleos, pimentas, temperos e purês e sopas) – Ouro Fino, MG

Outros finalistas
Guará Vermelho (vieiras) – Ubatuba, SP
Linguiçaria Real Bragança (embutidos) – Bragança Paulista, SP
Sítio Solidão (queijos) – Miguel Pereira, RJ
Ubaldo Angelini (legumes e pimentas) – Piedade, SP

Melhor Bar: A Casa do Porco Bar (São Paulo, SP)

Outros finalistas
Bar da Dona Onça (São Paulo, SP)
Frank Bar (São Paulo, SP)
Paris Bar (Rio de Janeiro, RJ)
Veríssimo (São Paulo, SP)

Melhor Café da Manhã: Padoca do Maní (São Paulo, SP)

Outros finalistas
Empório Jardim (Rio de Janeiro, RJ)
Julice Boulangère (São Paulo, SP)
Le Vin Bistro (São Paulo, SP)
Pain et Chocolat (São Paulo, SP)

Melhor sobremesa: Churros, Adega Santiago (São Paulo, SP)

Outros finalistas
Figos ao Porto com creme de mascarpone, Alloro Ristorante (Rio de Janeiro, RJ)
Morango com merengue e fitas de salsão, A Casa do Porco Bar (São Paulo, SP)
Texturas de coco, A Peixaria (São Paulo, SP)

Melhor Hambúrguer: 12 Burger & Bistrô (São Paulo, SP)

Outros finalistas
Holy Burger (São Paulo, SP)
Meats (São Paulo, SP)
Reserva T.T. Burger (Rio de Janeiro, RJ)
Z Deli (São Paulo, SP)

Melhor Pizzaria: Baco Pizzaria (Brasília, DF)

Outros finalistas
Carlos Pizza (São Paulo, SP)
Leggera – La Vera Pizza Napoletana (São Paulo, SP)
Speranza (São Paulo, SP)
Veridiana (São Paulo, SP)

Melhor Sanduíche: Z Deli (São Paulo, SP)

Outros finalistas
Bar Balcão(São Paulo, SP)
Da Roberta (Rio de Janeiro, RJ)
Ponto Chic (São Paulo, SP)
Town Sandwich & Co (São Paulo, SP)

Restaurante de Cozinha Brasileira: 
Mocotó (São Paulo, SP)

Outros finalistas
Aprazível (Rio de Janeiro, RJ)
Esquina Mocotó (São Paulo, SP)
Jiquitaia (São Paulo, SP)
Tordesilhas (São Paulo, SP)

Melhor Padaria: Padoca do Maní (São Paulo, SP)

Outros finalistas
Cum Panio (Belo Horizonte, MG)
Julice Boulangerie (São Paulo, SP)
PAO (São Paulo, SP)
Santo Pão (São Paulo, SP)

Melhor Sorveteria: Bacio di Latte (São Paulo e Rio de Janeiro, SP e RJ)

Outros finalistas
Cairu (Belém, Pará)
Casa Elli (São Paulo, SP)
Frida & Mina (São Paulo, SP)
Gelato Boutique (São Paulo, SP)

Melhor Comida de Rua: Da Roberta (Roberta Sudbrack, Rio de Janeiro, RJ)

Outros finalistas
Acarajé da Cira (Jaciara de Jesus Santos, Salvador, BA)
Buzina Food Truck (Jorge Gonzalez e Márcio Silva, São Paulo, SP)
Cilli Cucina Italiana (Felipe Cilli, São Paulo, SP)
Comedoria Gonzales (Checho Gonzales, São Paulo, SP)

Melhor Petisco de bar: Barriga de porco com goiabada (A Casa do Porco, São Paulo, SP)

Outros finalistas
Almofadinha de camarão (Aconchego Carioca, São Paulo e Rio de Janeiro)
Bolinho de bacalhau (Academia da Gula, São Paulo, SP)
Bolovo (12 Burger e Bistrô, São Paulo, SP)
Croquete de pato (Adega Santiago, São Paulo, SP)

Programa de Gastronomia: MasterChef Brasil (Rede Bandeirantes)

Outros finalistas
Bela Cozinha (Bela Gil, GNT)
Cozinha Prática (Rita Lobo, GNT)
Que Marravilha! (Claude Troisgros, GNT)
The Taste Brasil (GNT)

Livro do Ano: Ana Luiza Trajano – Misture a Gosto, Glossário de Ingredientes do Brasil (Editora Melhoramentos)

Outros finalistas
André Lima de Luca – All Fire (Editora Tapioca)
Bruno Cabral e Manuel Beato – Queijos brasileiros à mesa com cachaça, vinho e cerveja (Editora Senac)
Jean Claude Cara e Ligia Maria Salomão Cara – Vinhos da Borgonha: História, Tradição e Cultura (Editora Melhoramentos)
Milly Lacombe, Maní (Editora DBA)
Nilza Mendonça – Em Busca dos Sabores Perdidos (Editora Senac)

Um chef de cozinha se faz… dentro de uma cozinha

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Há uns anos, desde que a culinária se tornou moda, muitos jovens deixaram profissões antes cobiçadas, como comercio exterior, jornalismo, direito, para cursarem graduação de gastronomia. Hoje elas são muitas Brasil afora. Mas acontece que, após formados, muitos desses novos chefs profissionais se veem perdidos dentro de cozinhas de restaurantes, e fazem cara feia quando chefs mais experientes pedem que tirem escamas de peixe, descasquem cebola, piquem alho etc. Muitos acabam desistindo.

Posso falar com propriedade, pois trabalhei cinco anos em restaurantes no Brasil, na Inglaterra e na França. Um dia percebi que o corre corre num ambiente com temperaturas a mais de 4Oº C não era para mim. Assim desisti e vi muitos colegas fazerem o mesmo.

Só fica na cozinha quem nasceu para isso. E aqui entram os autodidatas. Conheço dezenas, se não, centenas deles. Exemplos não faltam, a chef Edir Nascimento, que depois de trabalhar em restaurantes badalados de São Paulo, abriu seu próprio negócio; Juscelino Pereira, que passou pelo Fasano e que hoje tem várias casas, o Piselli, por exemplo.

Bem, nas minhas andanças por aí, após comer um delicioso ravióli de camarão com aspargos frescos e farofa de mel com amêndoas, descobri outra chef que aprendeu a cozinhar por conta própria e está fazendo bonito no interior de São Paulo. Trata.se de Alessandra Lourenço, chef e sócia do Opção Trattoria Bar, em Espírito Santo do Pinhal.

Alessandra começou a cozinhar muito jovem. A mãe saía para trabalhar e ela foi designada para criar as refeições para a dupla. Fazia comida simples, caseira, salada, arroz, feijão, bife, de sobremesa, arroz doce. “Um pouco mais tarde, comecei a fazer jantares na casa de amigos, mas não sonhava em ser chef”, diz.

Aos 2I anos, pediu emprego no restaurante Opção e foi admitida para lavar pratos. Passou vários meses na função, mas sempre de olho nas preparações do chef da época, Oliveira. “Fiquei encantada quando vi um carpaccio pela primeira vez. Provei, e no mesmo instante, me apaixonei pelo prato”, diz ela, que aprendeu a fazer risotos e frutos do mar ao observar o chef trabalhar.

“Houve um dia, em 2OO4, que o chef pediu demissão. Eu disse ao proprietário da casa de então, Bento Experidião, que poderia reproduzir os pratos do cardápio.” Assim, a casa ganhou nova cozinheira.

Alessandra comprou livros e revistas e estudou técnicas de preparo por conta própria, sempre inspirada por cozinheiros como Helena Rizzo [Mani], Alex Atala [D.O.M.] e Jeferson Rueda [Casa dos Porco], todos em São Paulo. “Certo dia, pedi para o dono para fazer um badejo com shimeji. Foi um sucesso e ele colocou o prato no cardápio. O peixe era servido com arroz de passas e abacaxi e aspargos”, lembra Alessandra, que ainda criou massa fresca com vieira e aspargos em molho de manteiga e vinho branco, além e um ossobuco servido com ravióli de banana da terra.

Clientes assíduos do local, o empresário João Staut e Carlos Brando compraram o restaurante. A primeira providência foi convidar a jovem chef a se tornar sócia do negócio. Assim começaria uma parceria que dura três anos.

“Discutimos bastante o cardápio entre os sócios, que sempre trazem ideias de pratos, suas viagens, além de novidades e muita literatura sobre culinária”, diz ela, que gosta de usar produtos sazonais, principalmente aqueles produzidos na zona rural da cidade paulista. “Estamos lançando uma linha de polenta feita com fubá artesanal e pratos à base de café [uma das economias mais importantes de Pinhal]”.

Desde que se tornou chef, Alessandra conta que passou a fazer na casa todas as massas e pães servidos aos clientes. Entre suas descobertas da atualidade estão os pratos peruanos, que aprendeu in loco, degustando a gastronomia de Lima, em restaurantes como o Central, do chef Virgilio martínez Véliz, ou então no Astrid y Gastón, de Astrid Gutsche e Gastón Acurio. Voltou encantada do Peru e aprendeu a fazer um ceviche refrescante que leva manga e mexerica e que, hoje, é um dos pratos mais pedidos na casa… além do badejo com shimej, que, mesmo tendo saído do menu, ainda é pedido por parte dos clientes do lugar.

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PS.: Alessandra nos passou sua receita de ceviche. Vejam abaixo:

Ceviche de peixe branco com camarão, manga e mexerica

Ingredientes
200 g de peixe branco cortado em cubos
5 camarões médios cozidos e limpos
Dois limões, só o suco
Meia cebola roxa finamente picada
Meio dente de alho finamente picado
Meia manga cortada em cubos
1 mexerica cortada em cubos
1colher de sobremesa de gengibre finamente picada
1 colher de salsa picada
1 colher de coentro picado
Pimenta vermelha picada à gosto
1 colher de sopa de azeite
Sal à gosto

Preparo
Mantenha a cebola em água gelada até utilizar. Em um ball, misture todos os ingredientes e deixe marinar por 5 minutos na geladeira… sirva em seguida.

Serviço: Rua Abelardo Cesar 152 (Praça da Bandeira), tel.: 19 3661.4646, de terça a sábado, das 18h até o último cliente; aos domingos, abre para o almoço. www.opcaotrattoria.com.br

Fotos: Alessandra por Glauber Carrião; ceviche por Ale Lourenço

 

 

Começa amanhã maior evento de gastronomia do Brasil

Vladimir Mukhin

O Semana Mesa SP – maior evento de gastronomia do Brasil – começa amanhã [dia 27] no Centro de São Paulo, na Etec Santa Ifigênia – Centro Paula Souza, e dedica programação às inovações na cozinha.

O evento que acontece até quinta [dia 29] reúne dezenas de chefs de diferentes países e regiões do País para discutir o tema “A nova gastronomia: compartilhando inovação, conhecimento e paixão”.

Entre os convidados, destaques para o russo Vladimir Mukhin (23º melhor do mundo pela revista Restaurant) ~foto acima~, que vem ao Brasil pela primeira vez, o peruano Virgílio Martinez (4º melhor do mundo e 1º da América Latina) e o brasileiro Alex Atala (9º melhor do mundo e 3º da América Latina) ~foto abaixo.

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Ao palco do Mesa Tendências – maior congresso de gastronomia da América Latina – sobem anualmente os principais pensadores e profissionais da cozinha mundial. Este ano, participam os argentinos Fernando Rivarola e Gabi Lafuente (El Baqueano, 15º da América Latina), a colombiana Leonor Espinosa (Leo Cocina y Cava, 49º da América Latina) e os brasileiros Tereza Paim (Casa de Teresa – Bahia); Jeferson Rueda e Janaina Rueda (Bar da Dona Onça – São Paulo); Mônica Rangel (Gosto com Gosto – Rio de Janeiro); Flávio Miyamura (Miya – São Paulo); Manu Buffara (Manu – Curitiba); Morena Leite (Capim Santo – São Paulo), Thiago Castanho (Remando do Peixe – Belém Pará), Carla Pernambuco (Carlota – São Paulo), Felipe Schaedler (Banzeiro – Manaus), Rodrigo Oliveira (Mocotó – São Paulo), Lia Quinderé (Sucré – Fortaleza) e Tsuyoshi Murakami (Kinoshita – São Paulo), entre outros.

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Mesa ao Vivo reúne cozinheiros em debates, aulas e demonstrações culinárias em tempo real para o público. Quem visitar o evento poderá assistir a palestras de chefs como Leonardo Paixão (Glouton – Minas Gerais), Renata Vanzetto (Marakuthai – São Paulo), Renata Braune (La Reina Deli Bar – São Paulo), Alain Poletto (Bistrot de Paris – São Paulo), Fábio Vieira (Micaela – São Paulo) e Marcelo Corrêa (Jiquitaia – São Paulo), para citar alguns exemplos. Toda a programação oferecida ao público se transforma em material editorial pelas mãos e lentes dos repórteres da revista Prazeres da Mesa, concluindo assim, in loco, uma publicação especial que irá às bancas logo após o evento.

Também fazem parte das ações do evento Semana Mesa SP o “Mesa na Cidade” – roteiro pelos mais emblemáticos pontos gastronômicos no Centro de São Paulo e Jantares Magnos que colocarão, na mesma cozinha, chefs de restaurantes conceituados na capital paulista ao lado de chefs de outros estados e países, para juntos criarem um menu especial -; o “Farofa” – feira de produtos trazidos de diversos lugares do Brasil, barracas de chefs e Food Trucks que oferecerão comidinhas por preços democráticos  e o “Mesa no Cinema”  sessões de cinema com a presença de chefs de cozinha que executarão menus inspirados nos longas-metragens.

Este ano, o evento acontece no Centro Paula Souza, na Rua General Couto Magalhães, 90 – Santa Ifigênia, São Paulo – SP.

Serviço: Semana Mesa SPhttp://www.2015.semanamesasp.com.br/

De 27 a 29 de outubro

 

Onde estão Mara Salles e Carla Pernambuco na lista dos melhores do Brasil?

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Talvez esteja levantando a questão tarde demais. Faltou chefs brasileiras na premiação dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina 2014, que aconteceu semanas atrás, em Lima, no Peru – a versão para o continente latino-americano da “The World’s 50 Best Restaurants”, que reúne os supostos melhores restaurantes do mundo.

Entre os brasileiros, destaques para os sempre (muito) bons Alex Atala (D.O.M.), Helena Rizzo (Maní),Thiago Castanho (Remanso do Bosque). Mas onde está a Mara Salles (Tordesilhas)? E a Carla Pernambuco (Carlota)?

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Entre os nove restaurantes brasileiros premiados, há apenas duas representantes mulheres, a Helena e a Roberta Sudbrack (do restaurante que leva o seu nome, no Rio). Não sei se houve uma espécie de sexismo aí. De qualquer forma, não vamos nos esquecer de que a culinária nacional, na sua essência, é predominantemente feminina, a cozinha das mães e avós, esse patrimônio das nossas mesas e da nossa diversidade cultural.

A Mara Salles e a Carla têm alguns dos melhores restaurantes de São Paulo. Disso, todo mundo sabe. São criadoras de primeira categoria. A Mara é uma pesquisadora incansável. Tem trabalho de formiguinha. Certa feita, liguei para ela para uma entrevista e ela estava no semiárido brasileiro, passando temporada e pesquisando tudo o que se refere a bode no Brasil. Já a Carla, por ter criado dois clássicos da restauração brasileira, imitados à exaustão – petit gateau de doce de leite e suflê de goiabada com calda de queijo –, merecia constar nas listas dos melhores para todo o sempre.

Na minha lista, eu deixaria de fora o Épice, do Alberto Landgraf (não há criação de cultura no trabalho dele, é insípido); subiria de posição o Attimo, do Jefferson Rueda; e colocaria lá em cima os nomes da Mara Salles e da Carla Pernambuco, ou melhor, os seus restaurantes, Tordesilhas e Carlota.

Lista dos brasileiros eleitos em 2014:

3º D.O.M. – São Paulo, Brasil
4º  Maní – São Paulo, Brasil
12º  Mocotó – São Paulo, Brasil
13º  Roberta Sudbrack – Rio de Janeiro, Brasil
34º  Remanso Do Bosque – Belém, Brasil
35º  Olympe – Rio de Janeiro, Brasil
36º  Épice – São Paulo, Brasil 

38º  Attimo – São Paulo, Brasil 
44º  Fasano – São Paulo, Brasil

Um pequeno achado na cidade do Porto

Por Giuliana Nogueira, do Porto

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Em uma viagem pela Europa, no último mês, passei por 13 cidades de três países, Portugal, Espanha e Itália. Queria ser surpreendida pela gastronomia, principalmente pela espanhola ou pela italiana, já que bacalhau nunca esteve entre meus pratos favoritos.

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No entanto, uma pequena taberna na parte menos turística do Porto me impressionou. A Casa de Pasto da Palmeira foi um achado. Dois jovens chefs, inspirados na cozinha de Alex Atala, cuidam da cozinha. Preparam pratos lindos, deliciosos, modernos. Por 15 euros, mais ou menos, come-se muito bem. Os pratos não são grandes, mas satisfazem pela textura e sabor. O cardápio criativo muda diariamente. Dá vontade de voltar outra dúzia de vezes.

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O tempurá de polvo acompanhado de uma espécie de canjica de milho com nero de sepia impressionou pela variedade de texturas e pela maciez do polvo. O atum com lentilhas e coentro estava uma delicadeza. A sobremesa se mostrou simples perto dos tantos sabores vindos da pequena cozinha.

casa de pastos Profiteroles de cogumelos, soja, mel e mostarda

Pratos: Cevadotto de pata negra e queijo da serra; Carré de atum e cana de açucar, tomate e lima kaffir, cebola roxa; Tempurá de Polvo ao miliote negro e Profiteroles de cogumelos, soja, mel e mostarda

Fotos: Giuliana Nogueira/Divulgação

Serviço: Casa do Pasto da Palmeira, Rua do Passeio Alegre, 450, Porto; https://www.facebook.com/pages/Casa-de-Pasto-da-Palmeira/175081119171836

As surpresas do novo Riviera

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Sábado, fui com amigos, Beta, Martinha, Kats, Junior e Elano, conhecer o novo Riviera, na avenida Paulista, instalado no mesmo lugar em que funcionou o bar que foi paradigma boêmia da Pauliceia. Aberto originalmente em 1949, a instituição fechou as portas, no fim dos anos 1990, numa decadência que me lembrava um pouco o clima dos filmes do Guilherme de Almeida Prado (“A Hora Mágica”, “Perfume de Gardênia” e “A Dama do Cine Shangai”).

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O novo Riviera, reaberto recentemente pelo chef Alex Atala, em parceria com o empresário da noite Facundo Guerra, é uma (boa) surpresa. Assim que se entra, a mudança já fica evidente. O cômodo em que, nos anos 1990, sentavam-se em cadeiras salpicadas na penumbra figuras como o guitarrista Lanny Gordin, Arrigo Barnabé etc, e, vezenquando, o poeta maldito Roberto Piva, fica agora um belo balcão vermelho, cheio de curvas, que toma todo o andar. Me lembrou o bar Balcão.

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Olhei para a escada lateral em forma de meio caracol. Antes, tinha a impressão de que, a qualquer momento, Maitê Proença, a musa do Almeida Prado, desceria cantando “Nada Além”, do Orlando Silva. Mas, bem, no novo Riviera, o segundo piso – o salão grande que não funcionava mais quando o bar foi desativado –mostra-se claro, elegante.

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O espaço funciona como bar, restaurante e espaço para shows, que acontecem certos dias da semana. Há ali uma jazz band que se apresenta certos dias da semana, pelo que entendi. Ambiente claro, bonito, bem decorado, emoldurado pela vista urbana dos viadutos que cruzam a região.

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Meus amigos pediram negroni (foto) e espumante com lichia. Essa bebida veio em taças “seio de Madame Pompadour”, aquelas de bojo aberto, sabe? Muito chique! Eu fiquei na coca-cola, mas sem drama.

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O salão estava tranquilo e os garçons me pareceram atenciosos. Para começar, beliscamos mandioca frita, amendoins, castanhas. Os amigos pediram sanduíche de bife à milanesa, steak tartar, panelinha de berinjela à parmegiana. Eu fiquei com o estrogonofe, que trazia um molho delicioso, com cebolas cortadas em julienne.

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Provei os pratos dispostos à mesa e todos me parecem bons, com preços justos. Não anotei todos os valores, mas me pareceu que a média é de R$ 30,00. De qualquer forma, fotografei parte do cardápio que traz os valores do almoço executivo.

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Para finalizar, pedi a torta Riviera. Vem com camadas de panqueca entremeadas de chantilly e doce de laranja. Pela sobremesa já valeria a visita.

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Antes de sair, soube que os músicos que tocariam à noite iam passar o som. Tive curiosidade de voltar para assistir a esses concertos. Imagino que a noite seja uma boa pedida no lugar. Saudosistas, é um Riviera diferente do anterior. É mais solar. Parece ter  acompanhado a contemporaneidade da cidade, no que houve de melhor pela capital paulista. Vale a visita, gente!

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Riviera: Avenida Paulista, 2584, tel.: (11) 3231-3705