Onde estão Mara Salles e Carla Pernambuco na lista dos melhores do Brasil?

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Talvez esteja levantando a questão tarde demais. Faltou chefs brasileiras na premiação dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina 2014, que aconteceu semanas atrás, em Lima, no Peru – a versão para o continente latino-americano da “The World’s 50 Best Restaurants”, que reúne os supostos melhores restaurantes do mundo.

Entre os brasileiros, destaques para os sempre (muito) bons Alex Atala (D.O.M.), Helena Rizzo (Maní),Thiago Castanho (Remanso do Bosque). Mas onde está a Mara Salles (Tordesilhas)? E a Carla Pernambuco (Carlota)?

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Entre os nove restaurantes brasileiros premiados, há apenas duas representantes mulheres, a Helena e a Roberta Sudbrack (do restaurante que leva o seu nome, no Rio). Não sei se houve uma espécie de sexismo aí. De qualquer forma, não vamos nos esquecer de que a culinária nacional, na sua essência, é predominantemente feminina, a cozinha das mães e avós, esse patrimônio das nossas mesas e da nossa diversidade cultural.

A Mara Salles e a Carla têm alguns dos melhores restaurantes de São Paulo. Disso, todo mundo sabe. São criadoras de primeira categoria. A Mara é uma pesquisadora incansável. Tem trabalho de formiguinha. Certa feita, liguei para ela para uma entrevista e ela estava no semiárido brasileiro, passando temporada e pesquisando tudo o que se refere a bode no Brasil. Já a Carla, por ter criado dois clássicos da restauração brasileira, imitados à exaustão – petit gateau de doce de leite e suflê de goiabada com calda de queijo –, merecia constar nas listas dos melhores para todo o sempre.

Na minha lista, eu deixaria de fora o Épice, do Alberto Landgraf (não há criação de cultura no trabalho dele, é insípido); subiria de posição o Attimo, do Jefferson Rueda; e colocaria lá em cima os nomes da Mara Salles e da Carla Pernambuco, ou melhor, os seus restaurantes, Tordesilhas e Carlota.

Lista dos brasileiros eleitos em 2014:

3º D.O.M. – São Paulo, Brasil
4º  Maní – São Paulo, Brasil
12º  Mocotó – São Paulo, Brasil
13º  Roberta Sudbrack – Rio de Janeiro, Brasil
34º  Remanso Do Bosque – Belém, Brasil
35º  Olympe – Rio de Janeiro, Brasil
36º  Épice – São Paulo, Brasil 

38º  Attimo – São Paulo, Brasil 
44º  Fasano – São Paulo, Brasil

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As surpresas do novo Riviera

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Sábado, fui com amigos, Beta, Martinha, Kats, Junior e Elano, conhecer o novo Riviera, na avenida Paulista, instalado no mesmo lugar em que funcionou o bar que foi paradigma boêmia da Pauliceia. Aberto originalmente em 1949, a instituição fechou as portas, no fim dos anos 1990, numa decadência que me lembrava um pouco o clima dos filmes do Guilherme de Almeida Prado (“A Hora Mágica”, “Perfume de Gardênia” e “A Dama do Cine Shangai”).

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O novo Riviera, reaberto recentemente pelo chef Alex Atala, em parceria com o empresário da noite Facundo Guerra, é uma (boa) surpresa. Assim que se entra, a mudança já fica evidente. O cômodo em que, nos anos 1990, sentavam-se em cadeiras salpicadas na penumbra figuras como o guitarrista Lanny Gordin, Arrigo Barnabé etc, e, vezenquando, o poeta maldito Roberto Piva, fica agora um belo balcão vermelho, cheio de curvas, que toma todo o andar. Me lembrou o bar Balcão.

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Olhei para a escada lateral em forma de meio caracol. Antes, tinha a impressão de que, a qualquer momento, Maitê Proença, a musa do Almeida Prado, desceria cantando “Nada Além”, do Orlando Silva. Mas, bem, no novo Riviera, o segundo piso – o salão grande que não funcionava mais quando o bar foi desativado –mostra-se claro, elegante.

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O espaço funciona como bar, restaurante e espaço para shows, que acontecem certos dias da semana. Há ali uma jazz band que se apresenta certos dias da semana, pelo que entendi. Ambiente claro, bonito, bem decorado, emoldurado pela vista urbana dos viadutos que cruzam a região.

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Meus amigos pediram negroni (foto) e espumante com lichia. Essa bebida veio em taças “seio de Madame Pompadour”, aquelas de bojo aberto, sabe? Muito chique! Eu fiquei na coca-cola, mas sem drama.

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O salão estava tranquilo e os garçons me pareceram atenciosos. Para começar, beliscamos mandioca frita, amendoins, castanhas. Os amigos pediram sanduíche de bife à milanesa, steak tartar, panelinha de berinjela à parmegiana. Eu fiquei com o estrogonofe, que trazia um molho delicioso, com cebolas cortadas em julienne.

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Provei os pratos dispostos à mesa e todos me parecem bons, com preços justos. Não anotei todos os valores, mas me pareceu que a média é de R$ 30,00. De qualquer forma, fotografei parte do cardápio que traz os valores do almoço executivo.

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Para finalizar, pedi a torta Riviera. Vem com camadas de panqueca entremeadas de chantilly e doce de laranja. Pela sobremesa já valeria a visita.

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Antes de sair, soube que os músicos que tocariam à noite iam passar o som. Tive curiosidade de voltar para assistir a esses concertos. Imagino que a noite seja uma boa pedida no lugar. Saudosistas, é um Riviera diferente do anterior. É mais solar. Parece ter  acompanhado a contemporaneidade da cidade, no que houve de melhor pela capital paulista. Vale a visita, gente!

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Alô, alô, deixe seu comentário abaixo, para que todos possam compartilhar experiências sobre o lugar.

Riviera: Avenida Paulista, 2584, tel.: (11) 3231-3705