Vinagre balsâmico: da tradição culinária da Emilia Romagna às mesas do mundo

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Em Modena, na Itália, sempre existiram diferentes tipos de vinagre, todos obtidos com mosto de uvas, posteriormente enriquecidos com diferentes sabores provenientes de diferentes receitas, métodos de preparo e envelhecimento.
O termo “balsâmico” foi usado pela primeira vez em 1747 em alguns inventários das caves do Palazzo ducale de Modena, provavelmente o nome nasceu do uso terapêutico deste produto que se dizia ter uma “eficácia balsâmica e refrescante”.
No século XIX, as famílias na província de Modena se espalharam mais e depois da Segunda Guerra Mundial o boom econômico levou alguns produtores a comercializar este condimento com o nome de “vinagre balsâmico”.
Depois de uma rigorosa disciplina estabeleceu as “características de composição e métodos de preparação” deste vinagre, em 2009 a Comissão Europeia acrescentou o nome “vinagre balsâmico de Modena” no registro de produções IGP (Indicação Geográfica Protegida).
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Este vinagre é um produto exclusivo e distintivo dos territórios das províncias atuais de Modena e Reggio Emilia , que correspondem aproximadamente ao antigo  Ducato Estense. Conhecido em todo o mundo pela sua genuinidade, este condimento tornou-se ao longo dos anos o embaixador mundial do “made in Italy” e italiano “mangiar bene”.
 O condimento é obtido a partir do mosto de uvas das seguintes vinhas: Lambrusco, Sangiovese, Trebbiani, Albana, Ancellotta, Fortana, Montuni. O vinagre de vinho deve ser adicionado ao mosto e, em alguns casos, o caramelo (não mais de 2%). Uma vez misturados, os ingredientes são deixados em repouso por pelo menos 60 dias em recipientes de madeira. Há também o Vinagre Balsâmico “envelhecido” de Modena, ou deixado para envelhecer por pelo menos 3 anos.
Tradicionalmente, pode ser servido como aperitivo em flocos de queijo Parmigiano Reggiano . Como condimento é utilizado cru para aromatizar carnes, queijos envelhecidos, legumes gratinados ou salteados em uma panela, carpaccio, saladas e risoto.  Também pode ser usado durante o cozimento, mas deve ser adicionado antes de removê-los do calor, para não perder o aroma. Os paladares mais refinados usam vinagre também em morangos e sorvete.
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Fotos: italia.it
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Polêmica em torno da Nutella

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Numa entrevista ao  francês Canal+, Ségolène Royal, a ministra francesa da Ecologia, Desenvolvimento Sustentável e Energia, alertou para a “desflorestação massiva” causada, em parte, pelo óleo de palma, um ingrediente-chave para produzir a Nutella, o creme de barrar de avelã com cacau mais famoso do mundo.

Até aqui tudo bem, não fosse Ségolène apelar aos consumidores para pararem de comer Nutella. As reações não se fizeram esperar: do fabricante italiano ao gulosos fãs da Nutella, passando também pelo governo italiano e Greenpeace. Royal acabou por pedir desculpa.

A Ferrero, fabricante da Nutella, emitiu de imediato um comunicado, sem aludir diretamente às declarações da governante francesa, onde diz que assumiu “compromissos para se abastecer de óleo de palma de forma sustentável”. A maior percentegem de óleo de palma usada pela Nutella provém da Malásia (80%) e o restante é importado da Papua Nova Guiné, Indonésia e Brasil, informa a marca.

A organização ambientalista Greenpeace frisou também à Quartz que não é necessário parar de comer o creme de barrar e disse que se opõe ao boicote de produtos com óleo de palma na sua composição porque isso não “resolve os problemas de produção”.

E, adiantou a organização, a Ferrero é uma apoiante do Grupo de Inovação de Óleo de Palma, que inclui a Greenpeace,  outras organizações não-governamentais, alguns produtores de óleo de palma e tem “uma política ambiciosa” para melhorar a sua oferta deste ingrediente.

“Consideramos, portanto, que a Ferrero é uma das empresas voltadas para o consumidor mais progressistas em relação ao abastecimento de óleo de palma”, declarou a organização ambiental.

Depois das declarações de Ségolène Royal, o seu homólogo italiano, Luca Galletti, também decidiu responder-lhe: “Deixe os produtos italianos em paz”, ironizando ainda, cita o Guardian, que o seu jantar seria… pão com Nutella. Já o ministro italiano da Agricultura, Michele Anzaldi, exigiu que Royal pedisse desculpas.

Com as reações nas redes sociais, a ministra francesa, que sugeriu que a Nutella fosse feita “com outros ingredientes”, utilizou o Twitter para pedir desculpa. “Mil desculpas pela polêmica sobre a Nutella. Concordo que o progresso feito deve ser reconhecido.”

A Nutella, que até tem um dia próprio, é consumida em todo o mundo – em crepes, bolos, waffles e outras guloseimas. França, refere o Business Insider, consome 26% de toda a Nutella produzida globalmente. Em Portugal, a febre da Nutella também existe e no último ano abriram sete lojas de sobremesas do doce em Portugal.

No Brasil, a loja mais conhecida da marca fica no mercado gourmet Eataly. Achei este post bastante relevante para um blog de gastronomia. Por isso eu o reproduo aqui.

Post do jornal português http://www.publico.pt

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Duas vezes Itália

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Pela primeira vez em 30 anos, o chef Sergio Arno aceitou criar pizzas comercialmente. A ocasião é especial: as pizzarias Leona e La Gloria festejam, respectivamente, 12 e 10 anos. A pizza que leva o nome do chef traz queijo scamorza defumado, abobrinha italiana em tiras, parmesão, pingos de pomodoro e fatias de mortadela – R$ 64,00 (media) e R$ 78,00 (grande). As casas ainda estão servindo a pizza artesanal, com molho de tomate, queijo stracchino, linguiça caipira artesanal, brócolis ninja e cebola – R$ 64,00 (media) e R$ 78,00 (grande). Leona Pizza Bar – Rua Constantino de Souza, 582 – Campo Belo, São Paulo, tel.: (11) 5096 3000. La Gloria Pizza Bar – Avenida Macuco, 685 – Moema, São Paulo, tel.: (11) 5051 5329.

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Tartar de atum com ovo perfeito, lascas de trufa branca e flor de sal_5

Fui provar o menu de trufas brancas de Alba, no EAT, em São Paulo. A iguaria está em pratos como steak tartare com ovo perfeito e lascas de trufa branca (R$ 80); medalhão de mignon com polenta cremosa ao funghi fresco e lascas de trufa branca (R$ 130, foto); tartar de atum com ovo perfeito, lascas de trufa branca e flor de sal (R$ 80, foto) e tagliolini (R$ 110, foto)m, entre outros. 

Tagliolini na manteiga trufada e lascas de trufa branca_1

O menu fechado custa R$ 280 e inclui uma entrada, dois pratos e uma sobremesa. Os pratos estão disponíveis no jantar, com algumas opções no almoço, e aos sábados no almoço e jantar, até sábado, dia 29. Rua Dr. Cardoso de Melo, 1197, Vila Olímpia, tel.: (11) 5643-5353.

Medalhão de mignon com polenta cremosa ao funghi fresco e lascas de trufa branca_2

A Roma gastronômica da Letícia Rocha

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Na semana passada, numa tarde quente e preguiçosa de Roma, prometi uma lista dos melhores cacio e pepe da cidade. Jantei em vários lugares bacanas, fiz algumas anotações, foi quando recebi um email da minha amiga a jornalista e pesquisadora de gastronomia Letícia Rocha com dicas preciosas da cidade. Ela está por lá há mais de um ano e sugere programas um pouco distantes dos lugares turísticos da cidade. Aliás, comi em alguns perto do Coliseu e os achei uma roubada.

Não vou dar serviço com os endereços sugeridos pela Letícia. Achei tudo dando uma googada, super simples. Caso você se perca ao procurar um desses lugares, me escreva (tudoaldente@tudoaldente.com.br), que te guio até os lugares.

Vamos às dicas:

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“A cozinha romana é carbonara, cacio e pepe (pecorino e pimenta do reino), amatriciana (tomate, pancetta, pepperoncino/pimenta), gricia (amatriciana sem tomate), nhoque alla romana e coda alla vacinara (rabada).

Onde provar: no Trastevere, bairro típico de tratorias. Mas fuja das ruas principais. Roma Sparita é uma boa opção, já ficou famosinho depois do Antonhy Bourdain, mas ao menos, não fica tão no buxixo.

Perto do Vaticano, a uma quadra do metro, na Via Otranto, na esquina, está o Luma Bistrô, com massas feitas no dia. É frequentado por locais. As sugestões que custam cinco euros, no almoço. No jantar também funciona, acho que com cardápio. Perto do Pantheon, um clássico é o Alfredo del Pantheon, mas melhor reservar ou chegar bem cedo.

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Street food: prove o suppli (bolinho de arroz, primo rival do arancini, com ragu e queijo); a pizza al taglio/quadrada e por peso; porchetta, servida quase sempre em sanduiche. Prove ainda as castanhas no outono (marrons ou castanhas portuguesas). Nesta época do ano elas estão por toda parte. São assadas na rua.

Pizza: prove a ‘bianca’ (como uma focaccia) e pizza ‘rossa’ (só com molho tomate, picante ou não). Piazza bianca com mortadela é uma delícia!

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A melhor pizza quadrada/pão/branca/rossa, pra mim e muitos romanos, e do Panificio Mosca, funciona desde 1916. Fica na Via Candia, extensão da via do metrô Ottaviano, o do Vaticano. Como é bem local, daquelas coisas que não tem senso na Itália, pode fechar no almoço, tem pausa durante a semana (colada neste metrô tem a Lemongrass, sorveteria).

Pizza redonda: nem pense em pedir para mudar o recheio ou fazer meia a meia. O italiano pode voar no seu pescoço.

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A melhor da vida fica na Via del Governo Vecchio, travessa da Piazza Navona (onde está a embaixada do Brasil). Chama Baffeto. Eles são mal humorados, tem fila, não aceitam cartão. Mas é surreal de bom. Vale muito. Essa ruazinha é bem fofa, mas tem que filtrar porque ficam caçando turistas. Ali, na via del Fico, tem o Bar del Fico, clássico do aperitivo dos romanos (das 17h até máximo 21h). Depois, o italiano costuma ir para casa jantar (risos).

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A melhor bianca fica no Roscioli, região do centro histórico Campo dei Fiori (um pouco depois da Navona); ali também há uma massa carbonara dos deuses (para almoçar, jantar, faça reserva). Dá para comprar e comer na rua). Ainda por ali, tem o famoso Filetto de baccala, local que vende filé de bacalhau enorme por cinco euros. Você entra praticamente na cozinha e pega o prato da mão da cozinheira, que acabou de fritar o peixe. Todos no local conhecem o Filetto, que se tornou bem turístico.

Ainda no Campo dei Fiori há a feira mais famosa de Roma, pecado que já vende coisas industrializadas, mas ainda tem coisas boas. Vale a visita. Funciona todos os dias até 12h, menos no domingo.

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No canto da praça, há o Forno, que também concorre como melhor pizza e o Obika Mussarela bar, que, como nome diz, é um bar especializado em musssarela, tudo D.O.C.. É o único restaurante dessa praça que eu aconselho.

Os vinhos da região não são muito famosos, mas, sem pretensão, um Frascati, branquinho gelado, vai bem. O mundo cerveja artesanal na Itália está em franca ebulição: boas cervejarias são a Birra del Borgo, Baladin, Lariano. A Open Baladin é um bar sociedade da Baladin com Borgo. Fica perto do Campo del Fiori e tem mais de 30 cervejas em spina/chope; com cardápio de Gabriele Bonci, que tem a fama de fazer a melhor pizza da cidade (e agora hambúrguer).

No Trastevere, tem a Bir & Fud; e, por ali, também tem um pub bem romano e cervejeiro, o Ma Che Sei Venuto a Fa.

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Gelato: experiente os de fruta, melone (mnelão) e fragola (morango), dois sabores que não têm nas sorveterias italianas do Brasil. São dos deuses. Gelaterias boas: Gelateria del teatro, Grom, Carapina.

Outro clássico da cidade é o tiramisu do Pompi. Incrível! Fica na Piazza di Spagna.

Zonas mais descoladas: Pigneto! La, Circolo degli Artisti (bar, show, expo) e via del Pigneto. Já Monti é alternativo cool, caro, mas fofo. E tem San Lorenzo, que é área mais universitária. Tem hamburguerias boas: Ferrovecchio e Hamburgueseria.

Em Roma o metrô fecha cedo, às 23h30; sexta e sábado, 1:30. Mas a cidade é bem servida dos ônibus noturnos sinalizados nos pontos pela letra N.

Ah, a água dos ‘bebedouros’ é potável, fresca e deliciosa.”

Fotos: Antônio Carrion e banco de imagens

Para saber mais sobre o projeto da letícia em Roma: https://www.facebook.com/pages/Rome-Sweet-Rome/467436096672599?fref=ts

Roma e o ‘cacio e pepe’ ideal

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É uma falha de currículo escrever sobre gastronomia há pelo menos dez anos e nunca ter vindo à Itália. Enfim, a oportunidade aconteceu e escrevo este post do terraço da casa da Elisabetta, amiga que me hospeda, no Norte de Roma, próximo a ponte Milvio.

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Pouco antes de chegar, fiz contato com a jornalista e pesquisadora da área de gastronomia Letícia Rocha, que além de me levar a lugares frequentados por romanos, como o Circolo degli Artisti (uma espécie de Studio SP da cidade, com feiras de culinária, bar, djs, shows, expos) e via del Pigneto, disse que a cozinha romana é carbonara, cacio e pepe (pecorino e pimenta do reino), amatriciana (tomate, pancetta, pepperoncino/pimenta), gricia (amatriciana sem tomate), nhoque alla romana, coda alla vacinara (rabada).

Destes pratos, escolhi testar, esta semana romana, o cacio e pepe, talvez por ser o mais simples. Não que não esteja provando carbonaras e amatricianas. Na noite de ontem pedi um espaguete amatriciana numa tratoria sem nome e bem familiar na rua principal do Trastevere e estava muito bom. Giobert, meu amigo, pediu um carbonara delicioso, em que pude sentir o gosto da farinha de trigo, do queijo, do porco, do ovo, da pimenta, do sal…

Mas a ideia é ver como os restaurantes se saem neste prato tão simples que é o cacio e pepe, feito com pimenta do reino ralada na hora e queijo pecorino, além de um pouco de água do cozimento da massa, que dá cremosidade ao prato, assim como no caso do carbonara (receita abaixo).

O primeiro que comi foi numa tratoria bem turística ao lado do Coliseu, a Binario 4. Apesar de a massa estar al dente, como deve ser, o prato não tinha lá muito gosto. Pedi o pimenteiro e ficou um pouco melhor. Pedi mais queijo e o garçom se fez de desentendido. Bem, áreas turísticas são quase sempre assim, infelizmente. Quando trabalhei no restaurante Le Patio Gourmand, do Yann, na costa de Brest, na França, não deixava isso acontecer. Fazia questão de ter bons ingredientes, que eu próprio comprava no supermercado Metro, mesmo sabendo que os clientes – na maioria turistas – provavelmente não iam voltar tão cedo ao local, já que a costa em que estava é um porto de passagem e nada mais.

Mas voltemos ao cacio e pepe…. hoje vou provar mais alguns. Depois escrevo para vocês para falar o que há de bom na cidade. Talvez vá para o Roma Sparita, conforme sugestão da Letícia, que mora aqui há um ano e meio. O lugar ficou famoso depois do Antonhy Bourdain passar por lá. Há ainda  um uma opção perto do Vaticano, a uma quadra do metro, na Via Otranto, Fica na esquina, o Luna Bistro, com massas feitas no dia. É frequentado só por locais e tem sugestões que custam cinco euros, no almoço. Perto Pantheon, um clássico das massas é o Alfredo del Pantheon. Devo passar por lá também.

Depois, venho aqui para contar como foram as experiências e também com sugestões de comida de rua e pizza vendida em pedaços, que aqui chamam pizza al taglio (quatro ou cinco quadrados de sabores diversos custam 3,5 euros, mais ou menos).

Receita

Ingredientes: 300 g de espaguete; 200 g de Pecorino Romano ralado; pimenta preta moída e sal a gosto; azeite. Modo de fazer: Cozinhar a massa em água fervente com sal e um fio de azeite. Colocar 1 concha da água da massa em um recipiente. Escorrer a massa e levá-la ao recipiente com a concha d’água. Mexer bastante e adicionar o queijo, até formar um creme. Moer pimenta e mexer mais um pouco.

Quattro mani, otto emozioni

ASSOLUTO CIPOLLE

Chego a Roma amanhã (dia 11), mas a notícia que publico agora no blog vem lá do Brasil. Nas noites de 13 e 14 de outubro, Salvatore Loi, do Loi Ristorantino (SP), recebe o colega e conterrâneo Niko Romito, chef-proprietário do três estrelas Michelin Reale Castel di Sangro (AQ), para dois jantares a quatro mãos.

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O menu “Quattro mani, otto emozioni”, composto por oito pratos harmonizados (veja fotos de dois deles neste post) pelo sommelier Gianni Tartari com grandes vinhos da região de Abruzzo. Parte da renda deste jantar será revertida à TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer).

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Para selar esse encontro, serão servidos vinhos DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita) Montepulciano d’Abruzzo Colline Teramane. Mais especificamente, rótulos especiais produzidos por pequenos produtores a partir das uvas montepulciano da região das colinas de Teramo.

Há apenas 50 convites para cada uma dessas experiências, que devem ser reservadas diretamente no Loi, pelo telefone (11) 3037-7323. O valor de cada convite é de R$ 1.250, sendo que parte da renda será revertida à TUCCA – Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer que, em parceria com o Hospital Santa Marcelina, oferece tratamento multidisciplinar de excelência a crianças e adolescentes carentes com câncer.

Serviço: Loi Ristorantino, Rua Doutor Melo Alves, 674, Jardim Paulista; jantares dias 13 e 14 de outubro, às 20h. Reservas: tel.: (11) 3063-0977 ou pelo site: www.table4.com.br

Fotos: divulgação

Para entrar no clima da Itália

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Para entrar no clima da Itália, minha próxima viagem, em meados de outubro (vou para Roma e Nápoles), vou falar de alguns vinhos de qualidade que a La Pastina está importando: Terre Barolo DOCG, Terre Langhe DOC Nebbiolo, Terre Dolcetto D´Alba e Terre Barbera D´Alba, disponíveis no Brasil desde agosto.

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Produzidos na vinícola Terre, propriedade familiar de mais de 120 hectares, os vinhos estão entre os mais emblemáticos de Piemonte, ao norte do país. São frutos de mais de 25 anos de tradição da vinícola, elaborados com as mais famosas castas da região de Langhe (“língua” em italiano), uma das mais importantes regiões vitivinícolas italianas.

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Langhe, uma cidade medieval fundada nos tempos da Roma Antiga, é uma área montanhosa espalhada pela Província de Cuneo, cercada por cidades como Barbaresco e Barolo, que inspiram os nomes de seus vinhos. É nos vinhedos com cerca de 300 metros de altura, esparsos entre montanhas de 400 a 500 metros, que nascem uvas como Barbera, Nebbiolo e Dolcetto, matérias-primas dos mais refinados tintos da região.

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Algumas características das bebidas:

Terre Barolo DOCG, safra: 2006, uva: Nebbiolo, tinto, 24 meses em tonéis de carvalho de Eslavônia, 14,5%, serviço: 16ºC – 18ºC, preço para o consumidor: R$ 168,00.

Terre Langhe DOC Nebbiolo, safra: 2010, Nebbiolo, tinto, seis meses em barricas de carvalho francês, 12,5%, serviço: 16ºC – 18ºC, preço para o consumidor: R$ 94,00.

Terre Dolcetto D´Alba, 2012, Alba, Piemonte, Dolcetto, tinto, sem estágio em carvalho,

12,5%, serviço: 16ºC – 18ºC, preço para o consumidor: R$ 75,00.

Terre Barbera D´Alba, 2011, Alba, Piemonte, Barbera, tinto, 12 meses em barricas de carvalho de Eslavônia, 13%, 16ºC – 18ºC, preço para o consumidor: R$ 94,00.

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Serviço:

www.lapastina.com

www.emporioeat.com.br

 

Massas, escolha a sua

Os dias mais frios do ano chegaram. O Tudo al dente faz uma seleção de 11 massas deliciosas para saborear nos restaurantes de São Paulo. Veja abaixo.

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O restaurante La Frontera serve Gnocchi de batata assada na grelha com pesto genovês rústico e farofa de pão toscano (foto acima). R$41. Tel.: (11) 3159-1197

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O Bar Melograno serve Bucatini Oriental (R$ 32), massa longa e espessa com seleção de cogumelos shimeji, shitake e champignon. Tel.: (11) 3031-2921

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O restaurante Martin Fierro, famoso pelas carnes e empanadas, também tem sua seleção de massas, com destaque para o Capeletti a la Botega, recheado com funghi e linguiça, R$28. Tel.: (11) 3814-6747

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A dica do Kinoshita é o Sea Food Hyashi udon (macarrão udon com frutos do mar variados). Custa R$ 68. Tel.: (11) 3849-6940

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O Bar da Dona Onça tem macarrão com frango caipira. Custa R$ 49. Tel.: (11)  3129-7619

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O Attimo do Jeff Rueda serve mezzelune de leitoa assada ao molho de lentilhas verdes e codeguim. Por R$ 46. Tel.: (11) 5054-9999

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A chef Edir Nascimento da rotisserie 339 Gastronomia serve torteli coração de beterraba com recheio de mussarela de búfala e manjericão. Custa R$ 85 o quilo. Tel.: (11)  3746-5415

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O Alucci Alucci, da Lúcia faria, serve espaguete ao molho de limão com camarões grelhados. R$76. Tel.: (11) 3086-1252

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O Zucco tem lasanha de massa fresca à bolonhesa com presunto. R$ 49. Tel.: (11) 3897-0666

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A dica do Per Paolo é o Gnocchi Barbabielota (massa de batata e beterraba com creme de gorgonzola e nozes. R$41. Tel.: (11) 2384-9030

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A cantina La Grassa serve Picci ao ragu de linguiça artesanal (massa longa especial, ragu de linguiça), por R$39. Tel.: (11) 3053-9303

 

Celebração à boa mesa

ambiente, Loi Ristorantino, foto divulgação (7)

As lembranças da Sardenha são o trunfo do chef Salvatore Loi, no seu novo restaurante, de nome Loi, aberto pelo italiano há um mês em sociedade com o empresário Ricardo Trevisani. As memórias gustativas do sardo já aparecem nos pães de campagne e no pequeno prato de polenta com ragu de carne servidos no couvert.

Carpaccio morno de robalo, Loi Ristorantino, foto divulgação (3)

As massas artesanais confeccionadas diariamente, cozidas no momento do pedido, também trazem a marca sarda. Um exemplo é esta acima, que pedi como entrada. É servida com carpaccio de robalo quente e vem temperada com fava de baunilha e açafrão. Aromática, uma delícia.

parpadelle recheada de cordeiro, Loi Ristorantino, foto divulgação (5)

De prato principal, provei tortelli de papa de tomate com ragu de peixe e limão siciliano, com cozimento ao ponto, massa leve, do qual pude sentir cada um dos ingredientes em harmonia, tanto da massa, quanto do recheio e do molho. Entre as tantas massas de combinações inesperadas, destaque para as lorighittas (massa típica da Sardenha, sem ovo, servida com polpa de ouriço), ou então ao tortelli com recheio de ovo mexido e queijo e molho de limão siciliano, inspirado no espaguete à carbonara, como me disse um dos elegantes maîtres do lugar. Destaque também para o pappardelle ripiene (recheado com cordeiro), veja na foto acima.

polvo assado, Loi Ristorantino, foto divulgação (1)

Há ainda risotos, carnes, peixes, frutos do mar (polvo assado, acima), aves, como a codorna ao balsâmico. Nas sobremesas, torta de chocolate ao vinho tinto e redução de Porto; a torta típica da Puglia, com cerejas italianas em calda e amêndoas e o pudim de pistache com calda de caramelo (abaixo), além da tradicional torta de maçã com sorvete de creme, que o chef fazia no Fasano.

pudim de pistache, Loi Ristorantino, foto divulgação (3)

A carta de vinhos é assinada pelo sommelier Gianni Tartare, que privilegiou rótulos italianos (estes ocupam 65% dos 120 disponíveis).

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A casa traz Loi em sua melhor forma, comemorando 15 anos de Brasil. A proposta é celebrar a cozinha italiana, mas o chef da pequena cidade de Tempio Pausanio faz mais do que isso. Não demora muito e o Loi se torna um dos clássicos da boa mesa paulistana. Aliás, a casa já nasce um clássico.

PS: Para amantes de livros, como eu, há uma biblioteca gastronômica com bons títulos na acolhedora sala de espera. O ticket médio é de R$ 140, dos quais cada centavo é bem empregado.

Serviço: Loi Ristorantino, Rua Doutor Melo Alves, 674, Jardim Paulista, São Paulo, tel.: (11) 3063-0977