Aprenda a fazer ravióli de siri com molho de limão

ravioli de siri

A receita de ravióli de Siri é de autoria da chef Vania Krekniski (do restaurante Limoeiro)

Ingredientes massa:

500 g de farinha de trigo

250 g de semolina

5 ovos, 3 gemas

1 colher de óleo de urucum

Sal

Ingredientes recheio:

500 g de siri

100 ml de suco de limão

2 colheres de sopa de manteiga

Azeite de oliva

3 dentes de alho picado

Tomilho, salsinha, cebolinha, sal e pimenta

Ingredientes molho cremoso de limão siciliano:

250 g de creme de leite

Casca e o suco de 3 limões

10 gr de coentro em grão

10 gr de erva doce em grão

100 gr de açúcar

1 copo de água

Legumes:

1 abobrinha

1 cenoura 

1 palmito pupunha

1 colher de manteiga

Sal e pimenta do reino

Preparo da massa: em uma bancada, colocar a farinha e a semolina. Fazer um buraco e acrescentar os ovos, o sal e o óleo de urucum. Misturar tudo do centro para as laterais até ficar uma massa homogênea. Deixar descansar por 20 minutos enrolada em um plástico. Abrir a massa em um cilindro manual ou com ajuda de um rolo. Deixar com uma espessura de 2 milímetros. Recortar com um cortador em forma de cilindro pequeno e rechear a massa com ajuda de uma colher pequena. Para o fechamento, colocar outra massa e com ajuda de um garfo fazer marcas para que não se abra no cozimento. Para o cozimento, adicione somente água e sal. Deixe a água ferver e coloque os raviólis. Quando subirem, retirar com ajuda de uma escumadeira e mergulhar em água fria para parar o cozimento da massa. Retirar a água e colocar os raviólis em uma bacia e regar um pouco de óleo para não grudar.

Para o recheio: em uma frigideira, colocar azeite de oliva. Deixe aquecer e em seguida acrescente o siri e o alho. Refogar por alguns minutos com sal, tomilho, pimenta, salsinha e cebolinha. No final, agregar o suco de limão e a manteiga.

Para o molho: retire a poupa dos limões sicilianos e coloque para ferver trocando a água quatro vezes para retirar o amargor. Faça uma calda com água e açúcar. Quando estiver no ponto de calda, acrescente as cascas, sementes de coentro, erva doce e creme de leite. Deixe ferver um pouco e finalize com o suco de limão. Bata tudo no liquidificador e coe. Na hora de servir, bata em um mixer para dar textura de espuma.

Para os legumes: lavar e retirar a casca da cenoura. Comprar o palmito fresco já pronto para uso. Utilize um cortador para legumes que faça cortes muito finos. Escalde os legumes em água fervendo e, na sequência, passe em água gelada para o choque térmico. Em uma frigideira, coloque a manteiga e salteie os legumes com sal e pimenta.

Para a finalizar: colocar o molho no prato, o ravióli nas laterais e os legumes no centro. Decore com mini brotos e acrescente molho sobre os legumes.

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Roma e o ‘cacio e pepe’ ideal

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É uma falha de currículo escrever sobre gastronomia há pelo menos dez anos e nunca ter vindo à Itália. Enfim, a oportunidade aconteceu e escrevo este post do terraço da casa da Elisabetta, amiga que me hospeda, no Norte de Roma, próximo a ponte Milvio.

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Pouco antes de chegar, fiz contato com a jornalista e pesquisadora da área de gastronomia Letícia Rocha, que além de me levar a lugares frequentados por romanos, como o Circolo degli Artisti (uma espécie de Studio SP da cidade, com feiras de culinária, bar, djs, shows, expos) e via del Pigneto, disse que a cozinha romana é carbonara, cacio e pepe (pecorino e pimenta do reino), amatriciana (tomate, pancetta, pepperoncino/pimenta), gricia (amatriciana sem tomate), nhoque alla romana, coda alla vacinara (rabada).

Destes pratos, escolhi testar, esta semana romana, o cacio e pepe, talvez por ser o mais simples. Não que não esteja provando carbonaras e amatricianas. Na noite de ontem pedi um espaguete amatriciana numa tratoria sem nome e bem familiar na rua principal do Trastevere e estava muito bom. Giobert, meu amigo, pediu um carbonara delicioso, em que pude sentir o gosto da farinha de trigo, do queijo, do porco, do ovo, da pimenta, do sal…

Mas a ideia é ver como os restaurantes se saem neste prato tão simples que é o cacio e pepe, feito com pimenta do reino ralada na hora e queijo pecorino, além de um pouco de água do cozimento da massa, que dá cremosidade ao prato, assim como no caso do carbonara (receita abaixo).

O primeiro que comi foi numa tratoria bem turística ao lado do Coliseu, a Binario 4. Apesar de a massa estar al dente, como deve ser, o prato não tinha lá muito gosto. Pedi o pimenteiro e ficou um pouco melhor. Pedi mais queijo e o garçom se fez de desentendido. Bem, áreas turísticas são quase sempre assim, infelizmente. Quando trabalhei no restaurante Le Patio Gourmand, do Yann, na costa de Brest, na França, não deixava isso acontecer. Fazia questão de ter bons ingredientes, que eu próprio comprava no supermercado Metro, mesmo sabendo que os clientes – na maioria turistas – provavelmente não iam voltar tão cedo ao local, já que a costa em que estava é um porto de passagem e nada mais.

Mas voltemos ao cacio e pepe…. hoje vou provar mais alguns. Depois escrevo para vocês para falar o que há de bom na cidade. Talvez vá para o Roma Sparita, conforme sugestão da Letícia, que mora aqui há um ano e meio. O lugar ficou famoso depois do Antonhy Bourdain passar por lá. Há ainda  um uma opção perto do Vaticano, a uma quadra do metro, na Via Otranto, Fica na esquina, o Luna Bistro, com massas feitas no dia. É frequentado só por locais e tem sugestões que custam cinco euros, no almoço. Perto Pantheon, um clássico das massas é o Alfredo del Pantheon. Devo passar por lá também.

Depois, venho aqui para contar como foram as experiências e também com sugestões de comida de rua e pizza vendida em pedaços, que aqui chamam pizza al taglio (quatro ou cinco quadrados de sabores diversos custam 3,5 euros, mais ou menos).

Receita

Ingredientes: 300 g de espaguete; 200 g de Pecorino Romano ralado; pimenta preta moída e sal a gosto; azeite. Modo de fazer: Cozinhar a massa em água fervente com sal e um fio de azeite. Colocar 1 concha da água da massa em um recipiente. Escorrer a massa e levá-la ao recipiente com a concha d’água. Mexer bastante e adicionar o queijo, até formar um creme. Moer pimenta e mexer mais um pouco.

A cozinha italiana na sua essência

Por Giuliana Nogueira, de Verona (Itália)

Fora por dentro

Voltar à Itália depois de alguns anos trabalhando com gastronomia me levou a quebra de alguns importantes tabus. Minha primeira constatação é que não consegui lembrar de um único restaurante italiano, no Brasil, que realmente se pareça com um restaurante italiano. Não se trata apenas do sabor dos pratos, nisso até conseguimos nos aproximar muito bem,  mas do afeto, da simplicidade e aspecto cultural que existem na cozinha italiana.

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Em um restaurante charmoso em Verona, com ar moderninho (foto abaixo), a comida ainda é a mesma da mesa de todo bom italiano, o risoto, especialidade da casa, feito com abóbora e vinho massala, de sabor excepcional.

veronamoderninho

Eu, que trabalho com RP para alguns restaurantes no Brasil, posso ouvir a queixa de nossos clientes: “11 euros num prato de arroz”? Se você quiser a carne, deve estar disposto a gastar mais 15 euros pelo “secondo piatto”.

Sora por fora

A massa surge numa apresentação ainda mais simples. São cerca de 42 reais pelo prato, preço médio das massas recheadas. O tiramisu, de apresentação simples, apesar da decoração “turística” do prato, chama menos a atenção dos que provei em São Paulo.

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Sigo viagem descendo a bota. Em Perugia, faço uma refeição completa por 13 euros, mais uma garrafa de vinho. Aí se lembro que comer no Brasil está caro… Ou será que somos excepcionalmente mimados? O menu generoso em quantidade era composto por uma focaccia e um brodo de espaguete como entradas; um espaguete ao sugo de primo piatto; linguiça ao sugo de secondo piatto; espinafre refogado de contorno e cantucci com vin santo de sobremesa. Às 14h30, o único garçom que atendia o salão traz a conta e um pedido: devíamos nos retirar, pois o staff precisava fazer a siesta.

Roma

Na região da Umbria, um tabu. Tomar vinho em copo, em restaurante, é a coisa mais normal do mundo. Com sorte, você recebe dois copos, um para a água, outro para o vinho. Chegando a Roma, segui a sugestão de um amigo que é chef romano. Ele me indicou dois restaurantes, outro importante aprendizado.

restaurante classio

No Sora Margherita, peça a alcachofra, o resto não é ruim. Ou seja, nenhum restaurante é obrigado a ter 30 pratos no cardápio que sejam surpreendentes. Enfim, nos compararmos com o resto do mundo quando comemos ou pagamos a conta é uma furada. Temos cozinheiros excepcionais, mão de obra especializada cara e escassa, clientes demasiadamente exigentes e uma relação com a comida ainda muito mais ligada a status social do que à cultura familiar. Só não temos a simples cozinha italiana. Provavelmente nunca a teremos.

Fotos: Giuliana Nogueira