“Fartura – Comidas do Brasil” lança calendário com festivais gastronômicos em SP, BH, Tiradentes, Brasília, Porto Alegre, Fortaleza, Belém e Lisboa

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Desde 2012, a plataforma Fartura – Comidas do Brasil percorre o país pesquisando a origem dos ingredientes e seu caminho até a mesa por meio da Expedição Fartura, que já visitou os 26 estados brasileiros e Distrito Federal. Todo o conhecimento adquirido é transformado em conteúdo e disponibilizado no site e redes sociais, livros, programas de rádio e em projetos customizados. Os Festivais Fartura, principal produto da plataforma, levam esse conteúdo pesquisado ao público em forma de experiência.

Sempre com o tema “Comidas do Brasil – da origem ao prato”, os Festivais Fartura – Comidas do Brasil agora acontecem em todas as regiões do país – do Sul ao Norte – com o lançamento do calendário 2018 em Porto Alegre, nos dias 5 e 6 de maio. Segue para Brasília (junho); São Paulo (agosto); Tiradentes (agosto), Belo Horizonte – nas versões tradicional e Kids (setembro); Fortaleza (novembro) e Belém (janeiro/19). A plataforma também expandiu suas fronteiras e foi atrás de suas origens, em Portugal. Em outubro, acontece a segunda edição do Festival Fartura – Comidas do Brasil Lisboa.

“A gastronomia tem um poder transformador não só no aspecto cultural, mas também econômico no Brasil. Em 2016, a indústria da alimentação faturou 614,3 bilhões de reais e recebeu um investimento de mais de 20 bilhões. Gerou 1,6 milhões de empregos diretos. Em 2017, depois de dois anos de recessão, a economia do Brasil voltou a crescer e  boa parte veio do campo, já que o PIB da agropecuária aumentou 13% em 2017. A safra agrícola bateu recorde com de grãos – 240 milhões de toneladas, 29,5% a mais que 2016. Esses números só exemplificam uma parte da grandiosidade do setor. O prato é o ponto final dessa cadeia e o consumidor – seja um restaurante ou o consumo doméstico – precisa entender o que está por trás de uma refeição. Só assim vamos dar mais importância ao que comemos”, explica Rodrigo Ferraz, diretor da Plataforma Fartura – Comidas do Brasil, que recebeu o prêmio de Inovação em Turismo, do Second Runner-up – United Nation World Tourism Organization.

Serviço: www.farturabrasil.com.br

Na foto, a chef Monica Rangel, do Gosto com Gosto, de Visconde de Mauá (RJ).

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Chefs brasileiros em Aspen e mais…

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Até hoje (dia 26), acontece em Aspen, Colorado, o Aspen Ideas Festival – evento, que envolve ONGs, empresas e órgãos governamentais. A Forest Trends – http://www.forest-trends.org, e a Canopy Bridge – http://canopybridge.com/, ONGs que atuam na defesa das florestas, foram convidadas para o Festival, e vão levar alguns dos participantes do movimento Cumari – Rainforest to Table: Gastronomy for the Amazon.

O Cumari – Rainforest to Table é um grupo formado por chefs, jornalistas, artistas, ambientalistas da América Latina e dos EUA, que se reuniram para pesquisar, conhecer mais e melhor, criar receitas e levantar oportunidades de negócio, de maneira sustentável e combinada com as populações locais, para os alimentos e produtos de valor gastronômico das Amazônias na América Latina. A iniciativa, coordenada por Pedro Schiafino, foi gestada durante o primeiro encontro do grupo em Outubro de 2015, durante viagem de pesquisa à Amazônia Peruana. Lá o grupo debateu intensamente e desenvolveu as metas e objetivos do projeto.

No Aspen Ideas eles divulgam a causa, e buscam patrocínios e parcerias. Para isso levam na mala farinhas, tucupis, temperos, pimentas e outros produtos das Amazônias, para conquistar os patrocinadores e parceiros pelo estômago. Do Brasil, vão os chefs Mara Salles (Tordesilhas) e Paulo Machado (Instituto Paulo Machado – http://www.ipaulomachado.com.br); do Peru o chef Pedro Miguel Schiafino (restaurantes Malabar e Amaz) e da Bolívia Kamila Seidler (restaurante Gustu). O grupo também participará de um painel onde vão expor o trabalho que realizam em seus países com produtos da Amazônia e mostrar ao público do evento a importância e a necessidade de preservação deste cenário por meio da gastronomia.

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Começou ontem e vai até hoje (26), no Jockey Club, de São Paulo, o Festival Fartura, que apresenta 130 atrações e que faz parte do projeto Fartura Gastronomia. Anualmente, Rodrigo Ferraz, diretor do projeto, e sua equipe, realizam expedições pelos rincões do Brasil para descobrir as delícias e curiosidades da culinária do país.

O conteúdo pesquisado é levado para os cinco eventos do projeto que acontecem em Porto Alegre, Fortaleza, São Paulo, Belo Horizonte e o tradicional Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes. O Festival Fartura São Paulo é dividido em oito espaços gastronômicos, dois palcos para atrações musicais e artísticas, e área dedicada para food trucks. No espaço “Degustação”, o público pode conhecer os métodos de preparo e degustar pratos típicos e exóticos de várias regiões, como a Baixaria e quindim de Açaí, do chef Deocleciano Brito (Rio Branco, AC); a farofa e guisado de tartaruga, de Solange Batista (Macapá, AP); os cogumelos da Amazônia, apresentados pelo chef Felipe Schaedler, do Banzeiro (Manaus, AM) e a damurida e a paçoca de carne de sol, da chef e jornalista Denise Rohnelt (Boa Vista, RR).

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Poços de Caldas é um lugar que adoro e visito desde criança. Sempre que penso na cidade mineira me lembro de sua gastronomia, que é simples e deliciosa. A amiga Gisele Corrêa Ferreira, que criou o Flipoços, festival literário local, acaba de me avisar que entre os dias 2 e 3 de julho, acontece, no Espaço Cultural da Urca, o Poços É Jazz Festival.  O evento mescla a Literatura e o Jazz, com atividades que vão desde bate-papos com escritores, músicos, workshops, oficinas instrumentais, a loja de produtos literários e musicais, bar e claro, muita música boa.

A direção do evento é da própria Gisele. Um dos shows de abertura, acontece no Espaço Cultural da Urca, das 13h30 às 17h30. Trata-se do 1º Encontro de Baixistas “ToqueMaisBaixo” – Edição Poços de Caldas. Outro destaque da programação é o show de Encerramento, às 16h do dia 3, com Jesuane Salvador… Um mergulho na força do jazz imortalizado pelo cinema. O show propõe uma viagem pela 7a arte em um repertório que revelou nomes como o de Ella Fitzgerald, Nina Simone, Etta James, Billie Holliday, Peggy Lee entre outras divas do jazz. Mais informações, venda de ingressos e programação completa no site: www.pocosejazz.com.br

 Ah, e em Poços, não se esqueça, visite o Mercado Municipal local. É uma graça, há produtos regionais muito bons!

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Desde sua abertura, em 1967, o hotel Byblos, sem Saint-Tropez, sintetiza a elegância e a excelência do bem receber à francesa. A propriedade – que se prepara para celebrar 50 anos em 2017 – é uma lenda e, em seus domínios, tem-se a impressão de que o tempo tem um ritmo muito peculiar. À beira da piscina ou em algum de seus 91 quartos e suítes, em seus dois restaurantes (sendo que um deles, o Le Rivea, é orquestrado por Alain Ducasse – foto acima) ou nas adegas Les Caves du Roy, a experiência de hospedar-se ou usufruir de seus serviços é memorável. Para onde quer que se olhe, a harmonia e o equilíbrio entre charme e história encontram seu ponto certo. Mais informações sobre o local e a sua gastronomia de excelência no site: http://www.byblos.com

“Mineira à la française”

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Por Maria Carolina Freire R. de Lima *

Quando criança eu era uma expert em piqueniques. Os fazia praticamente todos os dias. Tinha uma bicicleta Caloi modelo Ceci, daquelas com cestinha na frente, na cor rosa e lá ia eu depois da escola, sempre acompanhada de amigos e nossas respectivas lancheiras, por aí.

Nasci em Jacutinga, em Minas Gerais, cidade que hoje tem 23 mil habitantes, mas naquela época devia ter uns 15 mil, contando com a população rural, e, por isso, eu tinha muita liberdade.

Um dos ápices dos meus piqueniques era o caminho que fazíamos. Em uma das saídas de Jacutinga, em direção à cidade de Albertina, existia uma olaria cuja entrada se localizava em uma curva com certa declividade. Do lado de dentro do portão, que era aberto, ficava um cachorrão pretão “estilo Cérbero” (o cão guardião da porta do inferno) que não gostava de bicicletas.

Então, sempre quando chegávamos perto do portão pedalávamos com muita força as bicicletas e quando já na frente da entrada da tal olaria levantávamos as pernas enquanto o cachorro corria latindo nervoso ao nosso lado ou atrás da gente e a bicicleta descia o morro por seus próprios meios nos levando na garupa. Na volta, descíamos das bicicletas para empurrá-las a pé e o cachorro não se importava.

Eu adorava piqueniques por todos os motivos do mundo inclusive esse. Anos mais tarde descobri que quem entende mesmo de piqueniques são os franceses.

Outro dia, fui convidada a apresentar minha empresa de café aos alunos do curso de MBA da Audencia Nantes – École de Management, que fica na região francesa da Bretanha. A palestra aconteceu em São Paulo e depois de finalizada ganhei muitos presentes deles. A maioria foram produtos alimentícios produzidos em sua região.

Voltei para Jacutinga, coloquei todos os cadeaux sobre a mesa e me senti dentro de um piquenique francês. Caramelos, biscoitos amanteigados, confitures e vinho faziam parte do Menu. Fotografei-os todos e comecei uma degustação. Provei não apenas pelo paladar, mas tentando compreender o que os alunos de Nantes sentem quando comem. O que comemos e como comemos tem muito a dizer sobre nós. Então, quis decifrá-los devorando sua comida. Uma variedade moderna de canibalismo intelectual/social/glamoroso gastronômico.

Ainda quando criança, em Jacutinga, uma das minhas primas ganhou uma boneca alemã que falava alemão. Minha vida era tão restrita que essa foi a primeira vez que escutei outro idioma. Não tinha a menor ideia de que outras pessoas ao redor do mundo se comunicavam diferente de mim.

Anos depois estava na Champs-Elisées, em Paris, com um amigo jordaniano. Estávamos indo em direção a Galerie Laffaiette quando ele disparou a falar em francês me levando a reclamar: “Em inglês, Omar, não consigo entender francês tão bem!”, e ele retrucou: “Carol, algumas coisas só são ditas em francês.”

Rimos muito.

Hoje, continuo falando inglês muito melhor do que francês, mas vou mudar esse paradigma em minha vida.

E para começar vou comer outro caramelo francês. Oh-la-lá!

Maria Carolina Freire R. de Lima é empresária, cafeicultora e criadora da marca Café da Condessa.

Uma sereia na terceira onda do café

Por Maria Carolina Freire R. de Lima *

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Meu amigo Rubem Duailibi, o “D” da agência de publicidade DPZ, gosta de dizer que me pareço com a Lucy Van Pelt, a amiga xereta e sarcástica do Charlie Brown. Lucy possui uma maneira única de ver as coisas e chega ao ponto de ter uma barraquinha onde ela atende e cobra pelas análises psicológicas que dá sobre os problemas de seus amigos.

Nunca me senti tão Lucy Van Pelt como na SIC – Semana Internacional do Café, que aconteceu em fins do mês passado.

Lá, como Lucy, eu também tinha uma barraquinha, que deveria se posicionar como a “Terceira Onda do Café”, a onda que valoriza os diversos tipos de preparo da bebida. Uma “Onda” onde os surfistas são todos aqueles baristas super cools, jovens e tatuados.

Mas daí eu quis fazer diferente e inventei uma edição limitada chamada “Saquinho de Ouro”. Um café com uma embalagem inspirada nos “fascinators” criados pelo chapeleiro super fashion Philip Treacy para a Duquesa de Cambridge, Kate Middleton.

E foi um sucesso. Os tais saquinhos eram fotografados até de ponta cabeça na esperança de serem copiados em alguma edição futura ou para brindes de final de ano. Se tornaram as “sereias da nova onda do café”.

Estranhamente ninguém me perguntava mais sobre o café, mas como é que eu tinha montado minha empresa, porque ela era muito diferente. Teve gente que voltou no dia seguinte trazendo outras pessoas apenas para mostrá-la e conversar comigo.

Resultado: Passei os dias da SIC dando consultoria. Pensei até em mudar o nome da empresa de “Café da Condessa” para “Van Pelt’s Coffee Consulting”.

A coisa foi tão séria que resolvi compartilhar com vocês alguns tópicos que considero importantes para a abertura de qualquer empresa ou para qualquer movimento na vida.

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Então, vamos filosofar um pouco.

  • O seu desejo está de acordo com o desejo do mundo?

Montei a empresa porque tinha voltado para assumir meu papel de herdeira na fazenda do meu pai. Era esperado eu trabalhar com café. Então, criei uma situação que se parecia comigo dentro do contexto que estava sendo inserida.

  • Você se sente pertencendo a este novo Universo?

Minha empresa atua como uma ponte. Ela relaciona o mundo onde eu estava inserida com o mundo ao qual eu viria a me inserir.

Eu vivia no mundo que consome o café do meu pai. Portanto, entendo o diálogo que tenho com meus consumidores finais.

Minha empresa é o meu jeito de trabalhar com café.

  • Você está pronto para fazer uma escolha de vida?

Escolhas de vida incluem planejamentos a serem executados em um curto período de tempo e outros a médio e longo prazos.

É necessário ser honesto consigo mesmo e entender que é preciso se sacrificar, além de ter resiliência.

  • Por que você quer ter uma empresa?

Se você não soube responder direito às perguntas anteriores ou você quer uma empresa, simplesmente, porque todo mundo quer ou, pior ainda, o seu único motivo é dinheiro saiba que montando uma nova empresa você tem grandes chances é de perdê-lo.

Um empreendedor é uma pessoa que realiza uma ideia.

A ideia pode até ter sido instantânea, mas sua realização leva tempo.

Boa sorte!

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* Maria Carolina Freire R. de Lima é empresária, cafeicultora e criadora da marca Café da Condessa.