Uma semana em Teresina, terra da Maria Isabel e da cajuína

 

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Tinha vindo uma vez ao Piauí em 2010, com o chef Carlos Ribeiro para a cobertura do festival de cultura de Campo Maior, cidade a 80 km de Teresina, para uma reportagem para a revista Prazeres da Mesa.

Um convite da Reila, e novamente estou no Estado, desta vez para acompanhar o Festival Maria Isabel, que tem como curadora a chef Mônica Rangel. Está quente, gente! No sábado, o motorista da van que leva os jornalistas pra lá e pra cá disse que fazia 44 graus celsius. Acreditei nele!

Enfim, aqui a gente tem que desencanar do calor. Mas essa solaridade toda não deixa de ser uma coisa boa! Como disse Mônica, na sua aula, hoje, na sede do Sebrae local, deixa as frutas deliciosas, madurinhas, dulcíssimas.

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Em todo caso, todooos os ambientes tem ar condicionado a mil. Mas deixa eu contaros primeiros dias da viagem em seus detalhes…

Para abrir a programação com chave de ouro, nossa guia local, Francisca, nos levou para conhecer uma fábrica de tear artesanal, ao centro de artesanato (onde se pode comprar cerâmicas bonitas da Serra da Capivara, além de tolhas de mesa alvíssimas, bordadas) e à Cajuespi, associação de produtores de cajuína (para quem não sabe, a bebida típica local, cristalina e deliciosa, feita do caju maduro). Lá vi que com o caju é possível fazer doces variados, cachaça, licor, e até um espumante que ainda não está no mercado.

O almoço do primeiro dia foi no Favorito Comidas Típicas, um dos restaurantes mais famosos daqui. O destaque é a paçoca de carne de sol servida com banana madura e um vinagrete de cebola dos deuses. O jantar foi no Dona Gett, onde se come a melhor carne de sol da cidade, conforme me disseram aqui. Ela estava derretendo na boca. Foi servida com macaxeira cozidíssima e passada na manteiga de garrafa. Coisa de louco.

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E fomos a outros restaurantes, em que comemos, como não poderia deixar de ser, capote (galinha d’angola), que veio misturada a arroz, em ensopado ao molho pardo etc.  E rabada, e buchada, e doces de caju…

Ontem, mais programas ao ar livre. Antes da abertura oficial do Festival, que acontece no shopping Rio Poty (e que estava lotada, uma beleza!), conhecemos o Parque Ambiental Encontro dos Rios, e aproveitamos para comer manjubinha frita no restaurante flutuante que fica na altura do encontro dos Rios Poti e Parnaíba.

No mesmo dia, visitamos o Polo Cerâmico, onde comprei uma panela de barro linda por R$ 20. O local é conhecido por bairro Poti Velho. Bem pertinho está a primeira Igreja de Teresina, Nossa Senhora do Amparo.

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Hoje no Sebrae, teve aula do chef Dalton Rangel, que fez uma espécie de ceviche com molho de tamarindo. Mônica subiu ao palco em seguida e fez duas sobremesas, em que usou redução de cajuína. Uma espécie de petit gateau pra lá de criativo (e bom), servido com sorvete.

O festival continua. Fico aqui até a noite de quarta-feira. A programação inclui visita ao mercado Mafuá, um dos mais famosos da cidade, ao Centro Histórico de Teresina e seus atrativos… o Complexo Praça Pedro II, que compreende o Teatro 4 de Setembro, Central de Artesanato Mestre Dezinho, Cine Rex, Clube dos Diários, Palácio de Karnak (visita interna), Igreja de São Benedito, etc.

Há ainda aulas de chefs brilhantes e queridas, que estão aqui também… A da baiana Tereza Paim (do restaurante casa de Tereza) acontece amanhã cedo no Sebrae. Às 15h, é a vez da chef Ana Bueno, do Banana da Terra, de Paraty, fazer a suas receita. E ainda há a aula da chef mineira Elzinha Nunes. Essa turma toda veio ao local na semana passada para pesquisas de ingredientes típicos!

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E os passeios dos próximos dias incluem o Mercado de Piçarra, caminhada no Parque Potycabana, o Museu de Arte Santeira, entre outros eventos e mais jantares típicos. Depois conto tudo! Agora vocês me dão licença que vou abrir minha cajuína da noite. Está geladinha, no frigobar, esperando por mim.

Ah, para esclarecer, Maria Isabel, que dá nome ao festival, é um prato típico. Leva arroz e pedaços de carne de sol grelhada, com temperos deliciosos, como a pimenta de cheiro (estou apaixonado por pratos com o ingrediente) e coentro, claro. Como Carlos Ribeiro disse na minha primeira viagem ao Piauí, o coentro é a lavanda do Nordeste. Bonito, né?

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Serra da Mantiqueira e seus encantos gastronômicos

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Outro dia, li num site que a Serra da Mantiqueira, que vai da região bragantina e passa pelo Vale do Paraíba, fazendo divisa entre os estados de São Paulo, Minas e Rio de Janeiro, foi eleita como o 8º local de área protegida mais insubstituível do planeta.

O estudo publicado pela revista Science foi feito pela International Union for Conservation of Nature e o ranking analisou 78 lugares, que englobam 137 áreas protegidas em 34 países.

A cadeia de montanhas da Mantiqueira inicia perto de Bragança Paulista, passa por Espírito Santo do Pinhal, Santo Antônio do Pinhal, Campos do Jordão, Visconde de Mauá, e se expande majestosa. É conhecida pelas temperaturas amenas, principal atrativo aos turistas que frequentam a região.

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Do lado do Vale do Paraíba, o turismo é desenvolvido e a gastronomia é festejada, graças, em parte, ao trabalho da chef Monica Rangel (foto acima), dona do ótimo restaurante Gosto com Gosto. Monica promove anualmente um festival em torno do pinhão (do qual já fui jurado por dois anos), produto vem das araucárias e é versátil na culinária.

Comentei da matéria  sobre a Mantiqueira (leia texto completo aqui) com o empresário João Staut, de Espírito Santo do Pinhal ~ cidade em que nasci ~ e então falamos sobre os atrativos gastronômicos da serra, nos arredores de Andradas, Poços de Caldas, Pinhal, Águas da Prata, Soa João da Boa Vista.

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Há produção de azeite em Andradas (foto acima), Machado, Maria da Fé, João me disse. Em Bueno Brandão, há uma produção importante de queijos (www.serradasantas.com.br).

O vinho sempre foi feito em Andradas, graças aos italianos que se instalaram, no século XIX, ao pé da serra. O destaque é para a Casa Geraldo, mas a cidade tem inúmeras vinícolas familiares. Agora, a região ganha nova vinícola de produtos finos, a Guaspari, criada em Pinhal (foto abaixo), e que começa a fazer vinhos dignos dos principais concursos, mundo afora.

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Há ainda, na região, a produção de alguns dos melhores cafés do Brasil, com destaque para Espírito Santo do Pinhal, Carmo de Minas (conheci este café numa prova, na Nespresso, esta semana, e é muito bom!), Jacutinga, Lambari.

O local também começa a se destacar por sua gastronomia, com bons restaurantes em São João da Boa Vista. O Opção Trattoria, em Pinhal, é um destaque das boas mesas na serra. A casa faz questão de usar produtos regionais em seus pratos e bebidas, como a polenta feita em moinho antigo, matéria que dei no blog, no fim do ano passado (leia aqui!).

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Se as estâncias climáticas da região de Campos do Jordão são há algum tempo um dos principais destinos turísticos da Mantiqueira, desconfio que paulistanos estão agora se voltando para a parte da serra que se estende entre Andradas, Espírito Santo do Pinhal, Águas da Prata.

O local sempre teve vocação para o turismo, mas talvez, antes, não estivesse tão organizada quanto a região de Campos. Mas agora está! Percebo isso quando passo pela estrada que liga Pinhal a Andradas, e vejo as tantas lojas de queijos  artesanais; em visitas ao mercado central, de Poços de Caldas; através da nova produção vinícola de Pinhal; no capricho dos pratos do Opção Trattoria; em pousadas charmosas da região, em que se destacam a pousada do Barthô e a Villa do Poeta, ambas em Pinhal. Se você não conhece ainda, fica a dica! Vale a pena!

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Mundo dos sabores

Pissani Massas Gourmet

A Pissani Massas Gourmet lança sua nova coleção de massas, denominada “Origens”. O chef Carlos Pissani teve como inspiração os quatro elementos da natureza (terra, água, fogo e ar) para criar os 10 novos sabores de massas recheadas. A nova coleção é um retorno às origens. Ao utilizar métodos de preparo do tempo das avós, como processos de cozimento em baixa temperatura e o uso de matérias-primas saudáveis, a Pissani volta aos princípios básicos da cozinha, mas sem perder a originalidade, criatividade e qualidade acima de tudo. As formas geométricas originais do quadrado (panzotti), do círculo (sorrentini) e do triângulo (triangoletti) com 6 categorias de recheios (queijos naturais não processados; vegetais frescos; carnes de qualidade Premium; frutos do mar e peixes escolhidos a dedo; além das frutas e doces) completam a surpreendente coleção “Origens”. Para criar a nova coleção, o chef Carlos Pissani inspirou-se no brilhante arquiteto catalão Antoni Gaudí, que acreditava que a originalidade consiste em voltar às origens.

Serviço: Pissani Massas Gourmet, www.pissani.com.br

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Capa livro Vive la Cuisine

Chefs Troisgros, Suaudeau e Bassoleil lançam livro em São Paulo

“Vive la Cuisine! Os chefs que mudaram a gastronomia no Brasil” é uma bela mistura de biografias e receitas que conta a história dos três chefs franceses, de alma brasileira, que mais influenciaram e mudaram a gastronomia no país, desde que desembarcaram por aqui entre as décadas de 1970 e 1980.

Comparados por J. A. Dias Lopes aos “Três Mosqueteiros”, Claude Troisgros, Laurent Suaudeau e Emmanuel Bassoleil têm suas trajetórias de vida contadas e receitas reveladas em livro editado por André Boccato e lançado pela Boccato Books.

São 35 importantes receitas reunidas na obra, precedidas por textos biográficos e fotos pessoais que encantarão tanto os amantes da culinária desses três “invasores” franceses quanto àqueles que estão dando os primeiros passos no mundo da gastronomia.

 A noite de autógrafos será na Livraria Cultura do Conjunto Nacional no dia 27 de outubro.

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monica rangel magali mauricio de sousa

No dia 24/10, sábado, Mauricio de Sousa e Mônica Rangel lançam o livro Caderno de Receitas da Magali, da Editora Senac São Paulo e Mauricio de Sousa Produções, que traz as receitas preferidas da personagem mais gulosa da Turma da Mônica.

O livro é dividido em capítulos com as receitas de personagens da turma, como a Dona Lina, da padaria do Quinzinho, da Vovó Cota, os doces da Tia Nena e os sucos e sorvetes da própria Magali. Dos pratos mais tradicionais, como a maçã do amor ou o sonho, passando pelos bolos no palito, de milho ou pelas receitas salgadas, como o macarrão com queijo ou a pizza de frigideira, Caderno de Receitas da Magali também traz ilustrações e tirinhas dos estúdios de Mauricio de Sousa.

A sessão de autógrafos, com senhas limitadas, será das 14h30 às 16h30, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2232 – Jardim Paulistano, em São Paulo.

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ana luiza trajano

A chef Ana Luiza Trajano acaba de lançar mais uma de suas experiências de brasilidade. É o Brasil na Rua, que leva criativas e saborosas receitas para serem degustadas fora do Brasil a gosto. A iniciativa é uma parceria entre o restaurante e o gaúcho Versão Brasileira, famosa Kombi de comida de rua, comandado pelo chef Lawrence Andreis, cuja proposta é a valorização dos ingredientes brasileiros.

Apaixonada por essa gastronomia popular e inspirada nos sabores encontrados durante suas viagens de pesquisa em busca de nossos registros culinários, a chef preparou uma série de receitas que incluem uma entrada (R$ 10), lanches (R$ 20), arrozes (R$ 20) e sobremesas (R$ 8). Há também a opção do combinado (R$ 35), que inclui a entrada, um lanche ou um prato e um quebra-queixo.

Serviço: Calçada do Restaurante Brasil a Gosto – Almoço (12h às 15h); Datas: (terça à quinta) 20, 21, 22, 27 e 28 Outubro/ 03, 04, 05, 10, 11 e 12 de Novembro 

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Carlos Bertolazi, Zi Saldanha e Gilda Bley - Foto Leonardo Nones (4)

Aconteceu hoje a coletiva de imprensa da terceira temporada do reality show Hell’s Kitchen – Cozinha Sob Pressão, competição de formato da iTV com produção pela FremantleMedia, que volta ao ar em horário nobre, no sábado, dia 31 de outubro, às 21h30, no SBT, com patrocínio da FriboiSeara e Cacau Show.

O chef Carlos Bertolazzi volta ao comando da cozinha mais temida do Brasil, que está repleta de novidades e com uma disputa ainda mais rigorosa entre os 16 profissionais que almejam ser o melhor cozinheiro profissional do País. “É uma felicidade muito grande estar aqui. Nem acredito que estou na coletiva da terceira temporada do Hell’s Kitchen. Lembro de quando tudo começou, de maneira rápida em minha vida, mas a gente foi construindo esse caminho junto com o pessoal do SBT. E hoje a gente está aqui fazendo, provavelmente, nas palavras do Pelégio (diretor de Planejamento Artístico e Criação do SBT), a temporada mais bonita de todas”, declarou Bertolazzi durante conversa com a imprensa.

 Para a temporada, a atração ganha um cenário mais amplo, decoração remodelada e uma nova direção, agora sob comando de Adriana Cechetti, que também dirigiu o bem-sucedido “Bake Off Brasil – Mão Na Massa” no SBT.

Os telespectadores vão se deparar ainda com outra novidade: o nome original do reality show.“Nesta edição, apostamos no título original do formato que é um grande sucesso em diversos países, como EUA, Reino Unido, Itália, entre outros. A temporada também conta com um cenário mais espaçoso, para que os cozinheiros consigam desenvolver melhor suas habilidades. E a área de convivência está ainda maior”, diz Paula Cavalcanti, CEO da FremantleMedia.

 Fotos: Divulgação